Etiópia anuncia a morte de 22 membros da administração interina no Tigray

PorExpresso das Ilhas, Lusa,26 mai 2021 13:54

A Etiópia anunciou hoje que 22 membros da administração interina no Tigray foram mortos por forças leais ao antigo partido no poder neste estado no norte do país, ao longo de seis meses de combates na região.

O Governo etíope anunciou ainda, através de uma declaração, que outros 20 elementos do governo estadual, colocados por Adis Abeba para substituir a administração local depois da tomada de Mekele em Novembro de 2020, "foram raptados" e quatro "feridos e hospitalizados".

É a primeira vez que o Governo do primeiro-ministro Abiy Ahmed revela qualquer balanço de ataques das forças tigray, afectas à Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF), partido que liderou de facto a Etópia durante décadas, até à chegada de Abiy ao poder em 2018.

Abiy Ahmed, vencedor do Prémio Nobel da Paz em 2019, lançou uma operação militar em 4 de Novembro passado contra as autoridades de Tigray, que durante largos meses vinham a desafiar o poder central de várias formas, incluindo a realização de eleições locais, que a TPLF venceu com maioria esmagadora e, não obstante Adis Abeba as ter adiado "sine die", com o argumento da pandemia de covid-19.

A operação foi na altura decidida em resposta a alegados ataques da TPLF a instalações do Exército federal, segundo Adis Abeba, mas, mais de seis meses depois da invasão do território pelas forças federais, as lutas e os abusos continuam em Tigray, onde o espectro da fome ganha terreno há vários meses.

Os ataques aos funcionários da administração provisória foram levados a cabo "por combatentes da TLPF que afirmavam estar a lutar pelo povo de Tigray mas que, em vez disso, se concentraram na destruição de bens, matando e raptando" aqueles "que eram responsáveis por trazer estabilidade à região", afirma a declaração do Governo.

Adis Abeba não forneceu pormenores dos ataques nem especificou se os elementos da administração "raptados" foram entretanto libertados.

Nove funcionários foram mortos na zona nordeste da região e seis na zona central, onde foram relatados combates intensos nos últimos meses, anuncia a declaração, que acusa a TPLF de continuar a "queimar casas e a disparar contra casas".

O primeiro-ministro Abiy Ahmed está sob pressão da comunidade internacional para pôr fim ao conflito, mas tem reiterado não ter intenção de negociar com a liderança da TLPF.

No domingo, o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, anunciou a imposição pelos Estados Unidos da América de restrições de vistos contra funcionários etíopes e eritreus. As restrições aplicar-se-ão igualmente aos membros da TLPF e às forças do estado de Amhara, que faz fronteira com o Tigray, a sul.

As restrições foram denunciadas na segunda-feira pela Etiópia, e na terça-feira pela Eritreia, que disse ter ficado "consternada" com a decisão de Washington.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,26 mai 2021 13:54

Editado porAndre Amaral  em  25 jan 2022 23:20

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