Capital da região de Tigray é atingida por ataque aéreo

PorExpresso das Ilhas, Lusa,13 set 2022 7:51

A capital da região de Tigray, Mekele, no norte da Etiópia, foi atingida hoje por um ataque aéreo, disseram na rede social Twitter o porta-voz dos rebeldes da região e um responsável de um hospital.

O ataque, que não pode ser verificado de forma independente, ocorreu dois dias após os rebeldes da região do Tigray declararem que estavam prontos para participar nas negociações de paz mediadas pela União Africana (UA) com o Governo do primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, para encerrar uma guerra que teve início em Novembro de 2020.

"Os drones de Abiy Ahmed atingiram o campus Adi Haki da Universidade de Mekele", disse Getachew Reda, porta-voz dos rebeldes de Tigray, na rede social Twitter.

Kibrom Gebreselassie, responsável por um hospital na região, também declarou no Twitter que Mekele foi atingida "por um ataque de drone" no início da manhã de hoje.

"Um paciente ferido chegou ao Hospital Ayder. O número total de vítimas ainda não é conhecido", escreveu.

Os jornalistas não têm acesso ao norte da Etiópia e as redes de telecomunicações operam de forma muito aleatória, impossibilitando a verificação independente.

O Governo etíope ainda não reagiu oficialmente.

Os combates no norte da Etiópia foram travados em várias frentes desde que as hostilidades foram retomadas em 24 de Agosto, após uma trégua de cinco meses.

Os rebeldes acusam os exércitos da Etiópia e da Eritreia de terem lançado uma ofensiva conjunta a partir da Eritreia, país que faz fronteira com o norte de Tigray e que já ajudou as forças etíopes durante a primeira fase do conflito.

Os rebeldes disseram estar prontos para as negociações mediadas pela UA com o Governo etíope no domingo. A comunidade internacional, as Nações Unidas e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, pediram na segunda-feira que esta "oportunidade" para a paz na Etiópia seja aproveitada.

A guerra no Tigray eclodiu em 04 de Novembro de 2020, quando Abiy Ahmed enviou o exército federal para o estado no norte do país, com a missão de retirar pela força os dirigentes locais da TPLF que vinham a desafiar a autoridade de Adis Abeba há muitos meses.

O pretexto específico da invasão foi um alegado ataque das forças estaduais a uma base militar federal no Tigray, e a operação foi inicialmente caracterizada por Adis Abeba como uma missão de polícia que tinha como objetivo restabelecer a ordem constitucional e conduzir perante a Justiça os responsáveis pela sua perturbação continuada.

O conflito na Etiópia provocou a morte de vários milhares de pessoas e fez mais de dois milhões de deslocados, deixando ainda centenas de milhares de etíopes em condições de quase fome, de acordo com as Nações Unidas.

A insegurança alimentar está a agravar-se em todo o país, nomeadamente com as colheitas sazonais abaixo da média, e as previsões de precipitação abaixo do normal para a próxima estação, combinadas com a violência e inundações, deverão agravar ainda mais a situação alimentar, segundo um recente relatório do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA).

"A situação humanitária global na Etiópia continua a ser terrível", disse o OCHA.

Há mais de 20 milhões de pessoas dependentes da assistência humanitária, devido à guerra no norte, múltiplos conflitos localizados noutras partes do país, seca prolongada no sul e leste e inundações sazonais.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,13 set 2022 7:51

Editado porAndre Amaral  em  3 jun 2023 23:28

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