Vários detidos em cidades russas por protestos contra a guerra

PorExpresso das Ilhas, Lusa,24 fev 2023 14:19

As forças de segurança russas detiveram hoje em várias cidades pessoas que protestavam solitariamente contra a campanha militar russa na Ucrânia, indicou a organização OVD-Info, vocacionada para acompanhar os detidos e declarada agente estrangeiro por Moscovo.

Pelo menos quatro pessoas foram presas no centro de Barnaul, Sibéria oriental, no dia em que se cumpre um ano da invasão militar da Ucrânia em larga escala pelas Forças Armadas russas.

Um dos detidos é um residente local que segurava numa praça um cartaz com a frase "Não fiques calado". Os restantes detidos depositaram flores, garante esta organização.

Sete pessoas também foram detidas em Ecaterimburgo (junto aos montes Urais) frente à estátua de bronze de três metros erguida em 2017 em memória das vítimas das repressões estalinistas.

Outras cinco pessoas foram detidas perto do monumento ao escritor ucraniano Taras Shevchenko em São Petersburgo e onde depositaram flores.

Também foram registadas detenções em Khabarovsk, Vladivostok, Irkutsk ou Nizhni Novgorod, onde foi detido um deputado municipal que transportava um cartaz com a frase "Paz para a Ucrânia. Soldado, regressa a tua casa".

Nos últimos 12 meses a OVD-Info registou em todo o país 19.586 detenções em 76 regiões russas durante protestos contra a campanha militar russa na Ucrânia.

Pelo menos 447 pessoas foram processadas por envolvimento em protestos contra a guerra, com 128 actualmente detidas.

Em 04 de Março de 2022, oito dias após ter desencadeado a sua "operação militar especial" na Ucrânia, o Presidente russo Vladimir Putin promulgou uma lei que pune a difusão de "informação falsa" sobre o Exército russo com elevadas multas ou com três a 15 anos de prisão.

Em concreto, o decreto prevê entre 10 a 15 anos de prisão a propagação de informação falsa sobre as Forças Armadas que implique "graves consequências".

Prevê ainda penas de prisão até cinco anos por "acções públicas" que procurem desprestigiar o desempenho das Forças Armadas russas "na defesa dos interesses da Rússia e dos seus cidadãos, na preservação da paz e segurança internacionais".

A ofensiva militar lançada a 24 de Fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14 milhões de pessoas -- 6,5 milhões de deslocados internos e mais de oito milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Neste momento, pelo menos 17,7 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 7.199 civis mortos e 11.756 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,24 fev 2023 14:19

Editado porAndre Amaral  em  15 nov 2023 23:28

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