Filhos de Bolsonaro acusam juíz Alexandre de Moraes de "abuso de poder"

PorExpresso das Ilhas, Lusa,2 jan 2026 14:29

Os filhos do ex-Presidente Jair Bolsonaro, Carlos e Flávio Bolsonaro, consideraram que o seu pai é vítima de "um exercício reiterado de abuso de poder" por parte do juiz do Supremo Tribunal Federal(STF), Alexandre de Moraes.

"Até quando Moraes terá procuração para praticar a tortura", questionou Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-Presidente, na rede social X, segundo a imprensa brasileira, depois de o juiz ter recusado na quinta-feira o pedido para Bolsonaro cumprir a pena de prisão em casa.

Para Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro, as decisões que o magistrado tem tomado "violam garantias constitucionais fundamentais" e "expõem deliberadamente" o seu pai "a riscos físicos e humanos reais".

"O que está a acontecer no Brasil não é a aplicação rigorosa da lei, mas um exercício reiterado de abuso de poder, concentrado nas mãos de um ministro [juiz] que há muito ultrapassou qualquer limite aceitável num Estado de direito", criticou Carlos Bolsonaro, numa longa mensagem publicada na sua conta na rede social X.

"Interromper imediatamente esta perseguição política não é um favor, não é uma concessão e não é ideologia, é um dever institucional. O Brasil não pode ser governado por decisões personalistas, sem um debate efetivo, sem limites e sem responsabilidade", alegou, ainda, o segundo filho do ex-Presidente.

Carlos Bolsonaro citou como exemplo, segundo a agência de notícias Europa Press, a morte repentina de um investigado pelos ataques de 08 de Janeiro numa prisão no Brasil, onde aguardava julgamento, para demonstrar que essas exigências não são um exagero.

"Já vimos o resultado concreto deste método", advertiu.

Trata-se de Cleriston Pereira da Cunha, de 46 anos, conhecido como "Clezão", que morreu no passado dia 20 de Dezembro numa prisão de Brasília de forma repentina.

A reação de Carlos Bolsonaro ocorreu imediatamente após o juiz Alexandre de Moraes ter rejeitado novamente o pedido dos advogados do ex-Presidente brasileiro para que ele cumprisse a sua pena de prisão por golpe de Estado em prisão domiciliária, após ter sido submetido a várias operações médicas nos últimos dias.

Detido desde novembro, Bolsonaro deixou na quinta-feira o hospital no seu carro, escoltado por várias motos da polícia, e regressou à prisão, na sede da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde cumpre uma pena de 27 anos.

O ex-Presidente brasileiro, de 70 anos, sofre as sequelas de um ataque sofrido em 2018, quando foi esfaqueado no abdómen durante um comício na campanha presidencial.

Desde então, foi submetido a diversas cirurgias.

Em 11 de Setembro, o ex-Presidente foi condenado pelo Supremo Tribunal do Brasil por liderar uma conspiração para tentar "perpetuar-se no poder", após perder as eleições presidenciais de 2022 para o atual Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

Os seus advogados solicitaram diversas vezes que lhe fosse concedida prisão domiciliária com caráter "humanitário" devido ao seu delicado estado de saúde, mas, até ao momento, o Supremo negou todos os recursos.

Na quarta-feira, e na sequência desta última intervenção cirúrgica, os advogados do ex-Presidente brasileiro voltaram a pedir prisão domiciliária por motivos de saúde, mas o Supremo Tribunal Federal do Brasil voltou a rejeitar o pedido.

"Ao contrário do que afirma a defesa, o estado de saúde de Jair Messias Bolsonaro não se agravou", considerou o juiz Alexandre de Moraes na sua decisão.

Os médicos afirmam que, além das crises incomuns de soluços, que levaram a esta última cirurgia, Bolsonaro sofre de grave apneia do sono, gastrite, esofagite e outras doenças.

Foto: depositphotos

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,2 jan 2026 14:29

Editado porAndre Amaral  em  2 jan 2026 20:19

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