O Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano confirmou esta madrugada a morte do seu chefe, pilar do poder iraniano, que na sexta-feira desafiou os bombardeamentos ao participar numa manifestação nas ruas de Teerão.
O funeral está previsto para as 10:30 TMG em Teerão, segundo as agências iranianas Fars e Tasnim.
As exéquias fúnebres realizar-se-ão em simultâneo com as do líder da força paramilitar Bassidj, Gholamreza Soleimani, também morto na terça-feira, e dos mais de 80 militares da fragata afundada pelos Estados Unidos há duas semanas ao largo do Sri Lanka.
Os nomes de Larijani e Soleimani juntam-se à lista de líderes iranianos que os Estados Unidos e Israel mataram, incluindo o líder supremo Ali Khamenei no primeiro dia da guerra, a 28 de fevereiro.
Ali Larijani foi alvejado por "aviões de combate americanos e israelitas na casa da sua filha", segundo a Fars.
"O sangue puro" de Ali Larijani e "dos outros mártires amados será vingado", afirmou o chefe do exército iraniano, general Amir Hatami, num comunicado publicado pela Tasnim, a agência iraniana próxima do Corpo da Guarda da Revolução Islâmica (IRGC).
Os Guardas da Revolução anunciaram num comunicado que ataques iranianos, que causaram pelo menos duas mortes na região de Telavive esta madrugada, foram lançados "para vingar o sangue" de Ali Larijani e de outros responsáveis iranianos.
Ainda na sexta-feira, em Teerão, no meio de uma multidão de apoiantes do regime, Larijani era "o líder de facto do regime iraniano, sobretudo nas últimas duas semanas", afirmou um responsável militar israelita, que falou sob condição de anonimato.
Mesmo antes disso, "era considerado aquele que tomava as decisões e puxava os cordelinhos", acrescentou.
O exército israelita prometeu o mesmo destino a Mojtaba Khamenei, que sucedeu ao pai como líder supremo há mais de uma semana, mas não apareceu em público desde então.
O Departamento de Estado norte-americano, por outro lado, divulgou uma recompensa de 10 milhões de dólares (8,7 milhões de euros) por informações que levem à localização de alguns dos principais líderes iranianos, em particular da Guarda da Revolução, numa lista que inclui o novo líder supremo.
Segundo responsáveis norte-americanos e israelitas, Mojtaba Khamenei poderá ter ficado "desfigurado" ou ferido numa perna no ataque que matou o pai.
No 19.º dia da guerra que assola o Médio Oriente, o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, previu que as consequências do conflito afetarão o mundo inteiro.
"A onda de repercussões globais está apenas a começar e atingirá toda a gente, sem distinção de riqueza, crença ou raça", escreveu o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros na rede social X.
Os Estados Unidos anunciaram na terça-feira à noite que atacaram, com algumas das bombas mais poderosas do seu arsenal, instalações de mísseis iranianas perto do Estreito de Ormuz, por onde normalmente transita cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo bruto e gás natural liquefeito (GNL).
Donald Trump, por sua vez, desistiu de exigir que os aliados dos Estados Unidos prestassem apoio à marinha de guerra norte-americana para garantir a segurança do estreito, bloqueado pelo Irão.
"Já não precisamos nem queremos a ajuda dos países da NATO. NUNCA PRECISÁMOS", escreveu o Presidente norte-americano na rede social que lhe pertence, Truth Social, depois de vários líderes internacionais terem rejeitado o seu pedido.
O Irão continua a lançar mísseis e drones contra Israel e os seus vizinhos do Golfo, visando tanto interesses norte-americanos como infraestruturas civis.
O exército saudita anunciou ter intercetado vários drones, bem como um míssil balístico perto da base aérea Prince Sultan, a sudeste de Riade, onde estão estacionados militares norte-americanos.
Nos Emirados Árabes Unidos, um "projétil iraniano" caiu perto do quartel-general do exército australiano no Médio Oriente, na base de Al Minhad, a sul do Dubai, sem causar feridos, segundo o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese.
As autoridades do Qatar anunciaram igualmente a interceção de um ataque com mísseis, e as do Kuwait, de vários drones.
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