A trégua olímpica

PorLeonardo Cunha,13 dez 2019 7:37

Na passada semana, durante a 74ª Sessão da Assembleia Geral (AG) da Organização das Nações, em Nova York, foi formalmente apresentada pelo Presidente do Comité Organizador de Tóquio 2020, Yoshiro Mori, a resolução da trégua olímpica chamada “construindo um mundo melhor e pacífico através do desporto e do espírito olímpico” que entrará em vigor durante os Jogos de Tóquio, em nome do governo do Japão e do Movimento Olímpico. Este é um momento de enorme importância para o Movimento Olímpico, não só pela declaração de intensões dos líderes mundiais, como pelo facto de a resolução ter um tom bastante simbólico no âmbito do desenvolvimento humano através do Desporto.

Esta resolução foi adotada e aprovada sem votação por 186 dos 193 Estados Membros da ONU e abrange igualmente o consenso de resolução da Trégua Olímpica para os futuros anfitriões dos Jogos Olímpicos de Pequim 2022, Paris 2024, Los Angeles 2028 e Milão-Cortina 2026. A comunidade internacional das Nações Unidas, através desta resolução, reconhece assim o poder do desporto e a relevância dos Jogos Olímpicos para unir o mundo numa competição pacífica. A resolução pede que a Trégua Olímpica seja respeitada sete dias antes do início dos Jogos Olímpicos, (a dia 24 de julho de 2020), até sete dias após os Jogos Paralímpicos (dia 6 de setembro de 2020). Ela pretende criar um espaço de diálogo e procura de solução diplomáticas com um ambiente festivo e de união entre todos os povos.

No discurso feito na Assembleia Geral, após a adoção da resolução, o Presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, agradeceu aos Estados Membros da ONU pelo seu apoio, dizendo que a decisão que conduz à Trégua Olímpica fortalecerá os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 como um verdadeiro símbolo de paz no mundo. Ele referiu que “Os Jogos Olímpicos são o único evento que reúne o mundo inteiro numa competição pacífica”.

A Trégua Olímpica, prevista na carta olímpica, remonta aos acontecimentos dos Jogos Olímpicos da era antiga na qual nos primeiros jogos realizados em 776 a.E.C., os reis de três cidades-estado gregas em guerra negociaram uma trégua para que atletas e espectadores pudessem ir e voltar para as suas cidades com segurança, a partir de Olímpia. Eles chamaram isso de “ekecheiria”, termo que significa “dar as mãos” (igual ao nosso “djunta mon”). Desde 1992, o COI passou a adotar essa trégua numa época em que os Balcãs eram devastados pela guerra.

Nos dias atuais, a trégua traz uma série de episódios, sendo que um deles aconteceu justamente nos Jogos Olímpicos de 2016 onde a Ucrânia resolveu não assinar o documento, porque na trégua de 2014 ter-se-ão sentido desrespeitados por um suposto ataque russo. Por outro lado, também há o caso das Coreias quando os atletas do Norte e do Sul, numa altura em que tecnicamente os dois lados se encontravam em guerra, apesar do frágil cessar-fogo que perdurava desde 1953, desfilaram nas cerimônias de abertura dos jogos de 2000, 2004 e 2006 sob uma bandeira de unificação branca com uma Coreia azul e não dividida ao meio. Isso foi considerado um gesto de boa vontade em harmonia com o espírito da Trégua Olímpica.

Mais recentemente, na ocasião dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang 2018, os atletas norte e sul-coreanos competiram pela primeira vez numa equipa conjunta no hóquei feminino que abriu a possibilidade da organização de uns Jogos Olímpicos conjuntos em 2032 em 2 países que estiveram recentemente com um conflito de 65 anos. Como referiu Bach “Os Jogos Olímpicos são um símbolo de esperança e paz”. 

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Autoria:Leonardo Cunha,13 dez 2019 7:37

Editado porAndre Amaral  em  2 abr 2020 23:21

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