Cabo Verde cai dois lugares no ranking de liberdade de imprensa

PorNuno Andrade Ferreira,25 abr 2018 10:15

Repórteres Sem Fronteiras assinalam que país vive "pela primeira vez, recuo da liberdade de imprensa". A nível mundial, a RSF assinala uma crescente hostilidade em relação aos media.

Cabo Verde desceu para a posição 29 no índice mundial de liberdade de imprensa de 2018, publicado esta quarta-feira, pela Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Em 2017, Cabo Verde ocupava o 27º posto neste ranking (depois de uma subida de cinco lugares, face a 2016).

A RSF escreve - na versão oficial em Português - que "desde a liberalização da imprensa nos anos 1990, Cabo Verde tem vivido, pela primeira vez,um recuo da liberdade de imprensa". 

Em causa, o encerramento de jornais e as dificuldades financeiras dos órgãos de comunicação social privados. 

"Um dos seus jornais mais emblemáticos [A Semana] interrompeu as suas publicações em formato impresso para dedicar-se ao seu site na Internet. As mídias independentes têm dificuldade em se emancipar devido às magras receitas publicitárias e subvenções do Estado", observa o relatório.

Apesar das fragilidades, a RSF volta a descatar o nível globalmente positivo de liberdade de imprensa no arquipélago.

"O país distingue-se pela ausência de ataques contra jornalistas e uma grande liberdade de imprensa, garantida pela Constituição. Grande parte das mídias pertence ao governo, sobretudo a principal rede de televisão, TCV, e a Rádio Nacional de Cabo Verde, mas os seus conteúdos não são controlados", lê-se.

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Mundo

No relatório "Classificação Mundial Da Liberdade de Imprensa 2018", a Repórteres Sem Fronteiras adverte que, a nível mundial, assiste-se à "expansão de um sentimento de ódio dirigido aos jornalistas". A organização alerta que a crescente hostilidade, encorajada por alguns líderes políticos mundiais, e a imposição de uma visão do jornalismo por regimes autoritários, ameaçam as democracias.

O documento, que avalia anualmente as condições para o exercício do jornalismo em 180 países, denuncia que a hostilidade em relação aos jornalistas já não é um exclusivo do líderes de Estados autoritários.

"Cada vez mais chefes de Estado democraticamente eleitos consideram a imprensa não como um fundamento essencial da democracia, mas como um adversário contra o qual demonstram abertamente aversão", regista a RSF, dando o exemplo dos Estados Unidos e de Donald Trump.

"Os dirigentes políticos que alimentam a repulsa contra o jornalismo têm uma pesada responsabilidade, pois colocam em questão a visão de um debate público baseado na apreciação plural dos factos e favorecem o desenvolvimento de uma sociedade de propaganda", afirma a Reporters Without Borders.

Em termos continentais, África apresenta um índice global caracterizado por uma "ligeira melhoria" em relação a 2017, mas as situações são muito contrastantes no continente, onde jornalistas ainda são alvos frequentes de intimidações, agressões ou prisão.

Nos lusófonos, Portugal é o melhor classificado, no 14º lugar, seguido de Cabo Verde (29), Guiné-Bissau (83), Timor (95), Moçambique (99), Brasil (102) e Angola (121). São Tomé e Príncipe não foi avaliado. 

O Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa é publicado anualmente, desde 2002, pela Repórteres Sem Fronteiras.

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Autoria:Nuno Andrade Ferreira,25 abr 2018 10:15

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  15 nov 2018 3:23

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