União Europeia e AJOC ressaltam importância de uma imprensa livre para a democracia

PorChissana Magalhães,4 mai 2018 12:38

Presidente da AJOC e Embaixadora da União Europeia
Presidente da AJOC e Embaixadora da União Europeia(INFORPRESS)

O Dia Internacional da Liberdade de Imprensa foi ontem, 03 de Maio, assinalado pela Associação dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC) em parceria com a União Europeia (EU) num evento que debateu os desafios da classe face ao fenómeno das fake e fast news. Na ocasião, as representantes dos dois organismos reconheceram a existência de liberdade de imprensa em Cabo Verde, não sem apontar que as condições dos jornalistas “podem e devem ser melhoradas”.

A partir do centro cultural da Cidade Velha, que acolheu a conversa aberta á volta do tema “Novas Tecnologias de Informação e Comunicação. Fast and Fake News: desafios para a classe jornalística”, introduzido pelas convidadas – a jornalista Margarida Fontes e a comentarista Rosário da Luz - e moderada pelo jornalista Carlos Santos, a Embaixadora da EU em Cabo Verde, Sofia de Sousa, respondeu aos jornalistas sobre a importância que para a sua instituição tem a data, considerando que “mais do que nunca, neste inicio de século XXI é necessário apregoar o valor e a importância de um imprensa livre e independente, no mundo inteiro”.

“Os dados dizem que apenas 14% da população mundial vive em países onde a imprensa é livre. Isso alerta-nos e leva-nos a pensar que temos que reagir e estar sempre conscientes de que o facto de podermos estar em países onde há liberdade de imprensa não é dado adquirido que as situações não podem mudar”, considerou a diplomata.

Sofia de Sousa reconheceu ainda o contexto global onde Cabo Verde goza de liberdade de imprensa mas, “como na Europa, as condições dos jornalistas podem e devem ser trabalhadas e melhoradas”.

Na mesma linha segue a presidente da AJOC, Carla Lima, para quem “de uma forma global, existe liberdade de imprensa em Cabo Verde”. “Isto é inegável, mas no ano passado Cabo Verde não esteve bem em termos de liberdade de imprensa. Houve tentativas de manipulação, houve tentativas de condicionamento - e isto está espelhado nos relatórios internacionais - e é preciso reconhecer isso para podermos trabalhar e melhorar”.

Carla Lima lembrou a propósito que a informação e a liberdade estão também ligadas a outros aspectos como a dificuldade de acesso à informação. “É facto que muitas instituições públicas não respondem em tempo aos jornalistas, não disponibilizam as informações necessárias para se fazer informações credíveis. A liberdade de imprensa não é um bem dos jornalistas, é um bem de todos. É um pilar fundamental da democracia”, vincou.

A embaixadora da União Europeia faz a mesma relação, ao considerar que a data assinalada “é um dia muito importante, um dia para todos pensarmos no valor crucial dos jornalistas e profissionais da comunicação para assegurar o oxigénio das democracias”.

Sobre o tema escolhido para assinalar a comemoração, Carla Lima diz que “tem a ver com um dos principais desafios que se colocam aos jornalistas hoje em dia; com os avanços da tecnologia, os novos meios tecnológicos que vão estando à disposição dos jornalistas e também do público, surgem novos questionamentos, novos desafios e novas formas de fazer jornalismo. Nessa questão há duas nuances que consideramos relevantes: uma delas é o fast news, em que há sempre a preocupação de ser o primeiro a dar a notícia, muitas vez usando as redes, os blogues, todo material que está em linha, o que coloca desafios quanto à credibilidade. Por outro lado, as fake news. Temos visto, um pouco por todo o mundo, o impacto que isso tem nas sociedades, em processos eleitorais, o impacto que tem e o potencial de manipulação que abre”.

No caso concreto de Cabo Verde, a AJOC diz-se preocupada sim com a possibilidade do jornalismo nacional enveredar pela disseminação de rumores e de informações não confirmadas como notícia, “também estamos preocupados com a utilização desse termo, que está muito em voga, para descredibilizar a informação quando ela não agrada a determinados poderes. Temos visto que em algumas situações, sempre que a informação não é do agrado de certas pessoas, instituições, ou poderes políticos, é classificada de fake news”. E sublinha a necessidade de se clarificar e “desmistificar” estes conceitos.

Por outro lado a AJOC, que reconhece a necessidade de um jornalismo cada vez mais desenvolvido e de profissionais melhor preparados – sendo que para tal tem promovido várias formações e apoiado outras – defende que “a qualidade do jornalismo tem que estar de mãos dadas com a liberdade de imprensa. Não se pode usar isto [ a necessidade de melhorias] como pretexto para limitar a liberdade dos jornalistas ou descredibilizar a informação que os jornalistas cabo-verdianos produzem”.

Sobre a necessidade de promover no seio da sociedade a literacia mediática, a presidente da AJOC admite ser uma questão “muito importante” já que “percebemos que as pessoas precisam mesmo conhecer melhor como trabalha a Comunicação Social, qual é o papel da Comunicação Social, qual o papel dos jornalistas”

E avançando que, sendo uma preocupação da AJOC, a actual direcção pretende encontrar parceiros para trabalhar a questão, aponta também que as criticas a que muitas vezes os jornalistas estão sujeitos não resultam de iliteracia mediática e sim de “tentativa de condicionamento e manipulação”.

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Autoria:Chissana Magalhães,4 mai 2018 12:38

Editado porFretson Rocha  em  20 nov 2018 3:22

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