1.567 reclusos nas cadeias nacionais que estão (quase todas) sobrelotadas

PorExpresso das Ilhas, Inforpress,17 jan 2019 16:05

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A população prisional no país era, em 2018, de 1.567, sendo que apenas 46 eram mulheres. A grande maioria dos presos, 1112, estavam concentrados na Cadeia Central da Praia, revelou hoje o INE.

Os dados são referentes a 2018, altura em que foi realizado o primeiro recenseamento prisional do país. A directora de estatísticas do Instituto Nacional de Estatística (INE), Naomi Ramos, fez hoje a apresentação pública dos resultados do censo e da socialização do Plano Nacional de Reinserção Social, organizado pelo Ministério da Justiça e Trabalho.

Os mesmos dados revelam uma sobrelotação das cadeias, com excepção do Sal com apenas 50% da sua capacidade ocupada.

O estabelecimento prisional da Praia tem uma capacidade para 602 presos e no momento do censo estava com 1112 presos, quase o dobro. A Cadeia Central de São Vicente tinha na altura 250 reclusos, quando o limite máximo é de 200. Em sentido contrário, a ilha do Sal consegue albergar 250 presos, mas à data do censo possuía 165.

Relativamente à idade, a maioria dos presos do sexo masculino têm idade compreendida entre 25 e 29 anos, sendo que as mulheres estão entre os 30 e 40 anos.

O senso prisional revela que a maioria dos crimes cometidos são roubos, com uma taxa de 43%, seguido de homicídio, com 28%.

Os mesmos dados dão conta de “uma percentagem significativa” de presos que começaram a cometer os primeiros crimes a partir dos 15 e 21 anos, e mesmo que não tenham sido presos numa cadeia foram presos numa esquadra policial.

Cerca de 92,8% dos reclusos são cabo-verdianos, o que equivale a 1454 presos. Uma pequena percentagem, 4,5% (70), têm dupla nacionalidade e 2,4% (38) são estrangeiros.

Em relação ao Estado civil, 786 vivem em união de facto, 700 reclusos são solteiros, 66 são casados e 15 são divorciados.

A maioria dos presos, 50,2%, têm o ensino básico e no momento da detenção apenas 7,4% estavam a frequentar o ensino.

Em relação ao contexto familiar antes da detenção, 41% dos reclusos viviam com os pais, 33,3% com família constituída, 13,8% moravam sozinhos.

O censo, realizado em Março de 2018, baseou-se no perfil demográfico, isto é, visava saber a idade dos presos, a educação, a convivência familiar, com quem viviam quando pequenos, os crimes cometidos, o uso de drogas e outras substâncias, a motivação, entre outros.

“O objectivo é fazer o levantamento desses indicadores que vão permitir ver qual a motivação para esses crimes cometidos por esses infractores e dar ao país indicadores que permitem traçar melhores políticas, quer na área de segurança, e, quer na questão de ressocialização dos presos quando saírem das cadeias”, afirmou a directora do INE.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Inforpress,17 jan 2019 16:05

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  8 out 2019 23:22

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