Enapor apresenta projecto para protecção da enseada de corais. Ambientalistas pedem estudos de impacto ambiental

PorLourdes Fortes, Rádio Morabeza,24 set 2019 12:31

A Enapor apresentou, esta segunda-feira, por indicação do Ministério da Economia Marítima, uma proposta de projecto para a protecção da enseada de corais, na Laginha. O projecto consiste no desvio do ponto de saída das águas pluviais que actualmente desaguam na enseada de corais.

A ideia surge como resposta aos ambientalistas que têm alertado para o risco da enseada de corais se transformar numa lixeira lamacenta, devido ao desvio para esta zona da enxurrada das chuvas, proveniente de Chã de Alecrim.

De acordo com o engenheiro James Ramos, que apresentou o projecto, a solução encontrada é um “meio-termo” que protege os corais e salvaguarda a área balnear.

Em termos práticos, “serão feitas intervenções no esporão para a construção de uma galeria de betão armado coberta, que intercepta a linha de drenagem, que será entubada, e o ponto de saída dar-se-à no extremo do exporão”, explicou o engenheiro.

Com a execução do projecto, o pontão da Laginha passa a ter uma extensão de cerca de 80 metros, uma vez que com as obras agora projectadas deverá ganhar um prolongamento entre 45 a 50 metros.

O projecto está estimado em cerca de 50 mil contos. Não foram avançados prazos para execução, nem a data para o eventual início das obras.

De acordo com a ENAPOR, a solução encontrada foi socializada com o grupo de protecção da enseada de corais.

Os ambientalistas afirmam não serem contra o projecto, mas chamam a atenção para a necessidade de realização de estudos de impacto ambiental, para evitar a repetição de erros.

“Eu não sou contra esta solução, embora ache que esta solução é uma distracção. Não sabemos quando é que este projecto será implementado. Se vão gastar tanto dinheiro, podemos discutir outras alternativas, como a deslocalização do esporão, que consequentemente devolveria a prática do surf nesta praia e a zona de enseada teria também a zona de expansão para o desenvolvimento dos corais”, afirmou Guilherme Mascarenhas, um dos rostos do grupo.

Segundo Mascarenhas, há uma proposta, ainda que provisória, para a resolução imediata do problema. A ideia passa por “redireccionar a enxurrada directamente para a zona balnear”, tal como acontecia antes das obras.

Presente no encontro, o Secretário de Estado Adjunto para Economia Marítima, Paulo Veiga, garantiu a abertura do Governo para a resolução da questão, com “uma solução que satisfaça ambas as partes”.

“Temos que ter este consenso, havemos de fazer mais encontros do género para encontrar uma solução. Estávamos a procura de uma solução para esta questão, com as discussões ficou claro que não é assim tão rápido, porque carece realmente de estudos de impacto ambiental, para não se cometer o mesmo erro”, afirmou.

“Não vamos eliminar nenhuma ideia a principio mas temos que estudar para onde o vamos deslocar, qual o efeito que vai ter, qual o custo e como será financiado”, concluiu.

As obras de drenagem de águas pluviais na Laginha foram realizadas em 2018, numa parceria entre a Câmara Municipal de São Vicente e a ENAPOR. O projecto custou cerca de 20 milhões de escudos.

Desde então, os ambientalistas têm chamado a atenção para o impacto das obras na biodiversidade da Laginha.

Para esta sexta-feira está agendada uma nova manifestação, pedindo a protecção da enseada.

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Autoria:Lourdes Fortes, Rádio Morabeza,24 set 2019 12:31

Editado pormaria Fortes  em  11 jun 2020 23:21

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