Grupo de cidadãos lança petição pública pelo não regresso à “normalidade”

PorLourdes Fortes, Rádio Morabeza,1 jun 2020 13:56

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​A deterioração do tecido social nacional, agora agravada com a crise provocada pela covid-19, leva um grupo de cidadãos a lançar uma petição pública para uma reflexão sobre a trajectória do desenvolvimento do país e o caminho a seguir. A subscrição será lançada hoje e depois da recolha das assinaturas será entregue, nomeadamente, ao parlamento e ao Presidente da República.

A ideia é que, através da petição, os poderes públicos sejam obrigados a abrir o debate sobre o desenvolvimento actual de Cabo Verde e as suas fragilidades.

Quem o diz é José António dos Reis, um dos mentores da iniciativa.

“Sobretudo temos de reflectir sobre os caminhos que percorremos e chegamos até aqui, os erros, a ausência nos momentos críticos de determinados agentes, e em função dessa análise deveremos perspectivar um novo futuro, que será com maior solidariedade, em que haja participação da sociedade de forma mais efectiva, uma maior equidade, que a economia, a política e toda a acção dos agentes da sociedade seja para beneficiar a sociedade”, afirma.

O texto, dirigido aos poderes públicos de Cabo Verde, e que deverá começar a circular esta segunda-feira, pede um não regresso à “normalidade”.

José António dos Reis explica que a ideia é colocar um fim a um conjunto de práticas que ao longo dos tempos impediu a distribuição equitativa da riqueza produzida no país.

“Até antes da eclosão da crise vivíamos uma certa normalidade que permitia que alguns usufruíssem dos bens sociais e outros tantos pudessem viver à margem dos bens que a sociedade produzia (...) É essa normalidade que nos trouxe até aqui”, refere.

Segundo o grupo, o actual contexto “impõe, como uma necessidade imperiosa, repensar e redefinir o papel do Estado, numa sociedade que se quer mais humana e fraterna, mais cooperativa e solidária”.

“Numa sociedade solidária não se admite que haja um grupo que vive em palacetes e um outro em barracas. Deve haver uma política que permita que haja um mínimo social aceitável. Nesse sentido que se pede e apela para uma discussão que conduza a um novo contrato social, em que não haja um desenvolvimento que empurra uma fatia substancial dos cidadãos para a marginalidade social e haja uma percentagem minoritária a usufruir do maior quinhão daquilo que a sociedade produz”, assegura.

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Autoria:Lourdes Fortes, Rádio Morabeza,1 jun 2020 13:56

Editado porDulcina Mendes  em  8 ago 2020 23:21

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