O prazer está a ‘sair do armário’ - Parte II

PorSara Almeida, Lourdes Fortes,22 ago 2021 7:34

Cynthia Ramos, influencer e sex coach - Prazer como empoderamento

Leia também:

Parte I

Parte III

Cynthia Ramos é, neste momento, revendedora da Sex Shop Sim - Na ponta da Língua em São Vicente. Mas é também mais do que isso. É sex coach, a primeira de Cabo Verde. Na sua página do Instagram “_Imperatriz_”, que já conta com mais de 22 mil seguidores, expõe conteúdos que quebram tabus e promovem o empoderamento feminino.

Tudo começou precisamente na sua página. Cada vez que Cynthia falava sobre esses temas, as pessoas pediam mais, enviavam sugestões, pediam que abordasse determinados assuntos. Havia essa carência, falhava a educação sexual, faltava falar sobre isso.

É uma área que precisa “de ser falada, desmistificada. Tentar quebrar o máximo de tabus possível, porque querendo ou não a sexualidade influencia a nossa vida em geral. Existem muitos tabus e sermos sexualmente resolvidas, falando especificamente de mulheres, tem consequências físicas, psicológicas e emocionais positivas”, refere.

Outro ponto forte, nos seus conteúdos, é a questão da auto-aceitação. “Muitas mulheres têm vergonha do corpo, e o que eu tento é fazê-las terem a consciência de que uma mulher boa de cama, ou uma mulher sexy é muito mais do que apenas corpo”.

Assim, a sua página é, agora, acima de tudo um veículo para falar da sexualidade, de uma forma positiva.

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A venda

Quando começou a falar de mais sexo na sua página, Cynthia pensou: “se já falo sobre o benefício, por exemplo, de um vibrador, porque não trazer o vibrador para vender”.

Assim, fez. O sucesso foi imediato. “A adesão tem sido melhor do que eu esperava, muito boa”, confessa.

Apesar de já existirem sex shops no Mindelo, “existem pelo menos duas lojas físicas, que eu conheça”, talvez porque já conheciam os conteúdos das suas páginas, as pessoas sentem-se à vontade de a contactar e colocar-lhe questões. E comprar. Tudo é feito virtualmente e no maior sigilo e discrição.

Hoje, Cynthia tem já “muitos clientes em várias ilhas, tanto homens como mulheres.”

“O cliente pode vir aqui fazer o levantamento pessoalmente ou pode pedir o serviço delivery e eu faço questão de enviar tudo numa embalagem muito discreta para que ninguém saiba o que vai la dentro”, conta.

Quanto ao que lhe é comprado… há de tudo, para todos os gostos. “São muitos produtos, porque a gama é variada. Mas para as mulheres, os produtos mais procurados são produtos para sexo anal, sensibilizantes, principalmente, e lubrificantes. E também vibradores. Para os homens são produtos para retardar a ejaculação e para aumentar a líbido. Estimulantes e lubrificantes também”, enumera.

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Falar sem receio

Apesar do conservadorismo da sociedade, Cynthia não sente qualquer preconceito contra si, ou resistência ao seu trabalho. “Muito pelo contrário. A adesão e a receptividade foram muito positivas”.

“Falando de mulheres, o meu foco são sempre mulheres, existem muitas que sentem vergonha, receio de falar com os seus companheiros abertamente sobre os seus fetiches, fantasias, desejos… Mas em relação a mim, quando as pessoas sabem que eu trabalho com isso, ficam muito animadas, e curiosas. Pedem o contacto, a página, perguntam como podem aceder, e até agora não tive nenhuma resistência”, diz.

Para Cynthia há em Cabo Verde, ao contrário de outros países, uma grande falha que é a ausência de Educação Sexual.

“Educação sexual é extremamente importante. Ao contrário do que as pessoas pensam, não é ensinar a fazer sexo, mas é tudo o que engloba esse mundo, desde prevenir violações, assédios, DST, à auto-aceitação, auto-conhecimento, auto-estima”, aponta, reforçando que para si, “o principal ponto [da sua página] é mesmo a educação sexual”.

Ao mesmo tempo, em particular em relação às mulheres, a sex coach pretende desmontar tabus e fortalecer vontades.

“Muitas mulheres têm a ideia de que têm de fazer tudo o que o homem quer, tudo o que o homem deseja, principalmente sendo namorado, e não têm a consciência de que o sexo forçado, mesmo sendo entre casal é estupro. Então, a minha luta é levar essa consciência do que realmente é, o que não é, o que pode ser, de que pode ser sempre melhor e bom e não tem de ser algo por obrigação”.

Estudando…

Cynthia não é sexóloga. Mas a partir do momento em que assumiu o sex coaching como área de trabalho. “Tento ao máximo ganhar experiência e informação, para tirar as dúvidas de outras pessoas. Ao contrário do que a maioria pensa, não é chegar e falar sobre sexo. Existe muita pesquisa, muito estudo”.

E uma vontade de contribuir para o bem-estar e auto-estima das mulheres, através da sexualidade. Mulheres, e sociedade em geral.

“Espero que as pessoas abram a mente, tenham consciência que cuidar da sexualidade também é cuidar da saúde”, resume. 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1029 de 18 de Agosto de 2021. 

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Autoria:Sara Almeida, Lourdes Fortes,22 ago 2021 7:34

Editado porSara Almeida  em  24 ago 2021 9:24

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