ZEEMSV vai transformar o norte do país

PorAndre Amaral,28 nov 2021 7:31

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A Zona Económica Especial Marítima de São Vicente (ZEEMCV) é vista tanto pelo governo como pelo seu PCA, Júlio Almeida, como sendo uma das melhores formas de avançar com a diversificação da economia cabo-verdiana.

“Com a ZEEMSV, o Governo espera concorrer para a transformação de Cabo Verde numa plataforma marítima e logística no Atlântico Médio, visando um país desenvolvido e inserido competitivamente na economia regional e mundial, e a ilha de São Vicente numa ilha moderna, internacional e ao serviço da economia do mar”, apontou, esta terça-feira, Júlio Almeida na comunicação que fez durante a Cabo Verde Ocean Week que decorre em São Vicente.

A nível mundial as ZEEM são “entidades especiais dentro de um território, governados por leis e regras especiais, diferentes das do resto do País”. Ao todo, em todo o mundo, existem mais de seis mil destas entidades distribuídas por mais de 150 países. “A China tem grande parte delas”, explica Júlio Almeida que defende que Cabo Verde não parte atrasado para este projecto que, quando estiver a funcionar em pleno, vai transformar Cabo Verde “numa plataforma marítima e logística no Atlântico Médio, visando um país desenvolvido e inserido competitivamente na economia regional e mundial, e a ilha de São Vicente numa ilha moderna, internacional e ao serviço da economia do mar”.

O desenvolvimento dos portos, das pescas, do turismo, da indústria de reparação e construção naval e de energias renováveis que constituem os sectores estratégicos vão ser os pilares da ZEEMSV. “As áreas que com elas se relacionam como a melhoria das infraestruturas, designadamente de energia, de água, de comunicações e de transportes, bem como o ambiente, a educação, a saúde e o sector financeiro, considerados necessários para o bom funcionamento e o sucesso dos projectos constituem os sectores complementares”, acrescenta o PCA da ZEEMSV.

Os pilares da ZEEMSV

Segundo Júlio Almeida o desenvolvimento portuário será um dos pilares essenciais para a implementação de Cabo Verde, mas especialmente de São Vicente.

A ZEEMSV, explica Júlio Almeida, propõe “um ousado plano que transfere para a Zona de Saragaça as funções de um porto especializado de cargas, de um terminal de contentores, de um terminal de combustíveis, de indústrias relacionadas com as pescas, entre outras”.

Com esta especialização da zona de Saragaça desobstrui-se a cidade do Mindelo “dessas disfunções, que atrapalham o normal crescimento da cidade, fazendo do Porto Grande um porto especializado de passageiros, e a sua bela baía num destino turístico privilegiado com a construção de um terminal de cruzeiros, de terminais para iates, de desportos náuticos, entre outros”.

Segue-se o desenvolvimento do sector pesqueiro que se aproveitará da localização de Cabo Verde “numa das maiores zonas mundiais de pescas” e que faz surgir uma “oportunidade para o desenvolvimento de um entreposto de comércio e distribuição de pescados que pode ir desde Marrocos até ao Gana” e que cria igualmente a oportunidade “para o desenvolvimento de uma frota nacional de pescas de alto mar”.

“Estatísticas demonstram que nos últimos anos o número de embarcações de pescas no Atlântico, na linha que compreende as 500 milhas náuticas desde Marrocos, incluindo Cabo Verde, até ao Golfo da Guiné passou de cerca de 1.325 para cerca de 2.413, representando um crescimento de cerca 82%”, acrescenta Júlio Almeida.

No que respeita à indústria de construção e reparação naval o PCA da ZEEMSV destaca que se trata de dar aproveitamento ao que já existe apostando, no entanto, na modernização.

“S. Vicente já alberga neste momento os estaleiros navais da Cabnave que tem dado um incomensurável contributo à reparação de frotas pesqueiras e da frota mercante nacional. Contudo, já se encontra velhinha e obsoleta e requer investimentos avultados para se adaptar as novas exigências”, explica Júlio Almeida.

“Como já referido, a frota pesqueira nesta zona quase que duplicou nos últimos tempos” e as estatísticas pré-pandemia indicam que “o número médio anual de navios que navegam dentro das águas supramencionadas passou de pouco menos de 5 mil para pouco mais de 40 mil nos últimos anos”. Isto gera uma “pressão para o potencial dos nossos oceanos para o qual temos que estar vigilantes, que não deixa de constituir uma oportunidade para uma indústria nacional moderna, melhor capacitada e com funções acrescentadas de reparação naval”.

“É por isso que a ZEEMSV também irá fomentar um novo estaleiro de reparação e construção naval na zona de Saragaça, com base em tecnologia moderna, que para além de melhor preparada para a reparação também tenha capacidade para a construção de barcos de pequena dimensão e, seja capaz de receber ainda barcos maiores para reparação, como por exemplo de até 10 mil toneladas”.

Por fim o turismo. As três ilhas habitadas do norte do arquipélago “possuem um potencial de turismo de valor acrescentado, variado e de muito valor”, aponta Júlio Almeida.

São Nicolau, destaca, “já está a preparar um plano de desenvolvimento que visa tirar partido desta situação e potenciar, entre outros, a economia marítima, o turismo, a agricultura e a rica cultura que possui” e, por isso, Santo Antão e São Vicente “devem também realizar os seus planos o mais breve possível”. Para Júlio Almeida com a oferta conjunta dada por estas ilhas “as oportunidades certamente se multiplicam. As infra-estruturas conexas ao turismo, desde o transporte interno dos turistas, passando pelo alojamento, entre outros são factores de crescimento que potenciarão o desenvolvimento de todos”.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1043 de 24 de Novembro de 2021. 

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Autoria:Andre Amaral,28 nov 2021 7:31

Editado porFretson Rocha  em  21 jan 2022 18:19

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