Dengue: Fogo registou total acumulado de mais de 800 casos suspeitos e perto de 500 confirmados até 01 de Abril

PorExpresso das Ilhas, Inforpress,3 abr 2024 8:22

A ilha do Fogo registou de Novembro de 2023 a 01 de Abril de 2024 um total acumulado de 839 casos suspeitos, dos quais 479 foram casos positivos de dengue.

O município de São Filipe com 556 casos suspeitos e 335 casos confirmados de dengue foi o que registou a maior percentagem, seguido dos Mosteiros com 267 casos suspeitos e 139 confirmados e Santa Catarina do Fogo com 16 casos suspeitos e cinco casos confirmados.

Os dados estatísticos foram apresentados na terça-feira, 02, na reunião da Comissão Municipal da Saúde da Delegacia de Saúde de São Filipe, que contou com a participação de uma equipa multidisciplinar da Direcção Nacional do Ministério da Saúde, integrada pelo coordenador do Programa Nacional de Luta Contra os Vectores, do Instituto Nacional de Saúde Pública e CCS Sida.

A equipa multidisciplinar do Ministério da Saúde chegou à ilha na segunda-feira, 01, para uma visita de uma semana aos três municípios no quadro do programa de combate à dengue.

O coordenador do Programa Nacional de Luta Contra os Vectores, António Moreira, destacou como facto positivo a ausência de óbitos na sequência dos casos registados.

Contudo, explicou, “é importante” eliminar a doença a nível da ilha e evitar que se venha registar mais casos porque o maior número de casos diagnosticados representa maior probabilidade ter casos graves e ocorrência de mortes.

“Programamos uma visita com actividades durante uma semana em diferentes vertentes”, disse António Moreira, destacando a parte comunicativa e proximidade com a população para abordagem da problemática de dengue e a forma de preveni-la e acabar com esta doença na ilha, que segundo o mesmo, já deveria ter sido eliminada.

A visita contempla também a parte de luta antivectorial e, nos primeiros dias da visita, a equipa colocou algumas armadilhas no município de São Filipe para vigilância dos mosquitos adultos e analisar se estão ou não contaminados e proceder ao tratamento correcto.

Ainda no município de São Filipe, a equipa ajudou os agentes de luta antivectorial a se organizar e mobilizar para a realização do trabalho nas comunidades, além de trabalhar com a Delegacia de Saúde de São Filipe.

Depois de São Filipe, a equipa do Ministério da Saúde vai deslocar-se a Santa Catarina do Fogo com mesmo modelo de conduta, e termina a visita no Município dos Mosteiros.

Ali, durante três dias, tem programado sessões de trabalho não só com a estrutura de Saúde, mas com todas as entidades envolvidas, como a câmara, associações, Cruz Vermelha e outros, já que a dengue, sintetizou, é um problema de todos.

“O objectivo é ver se até final de Abril a doença possa estar completamente eliminada na ilha do Fogo”, destacou António Moreira, reconhecendo que não é uma tarefa fácil e exige a colaboração e participação de todos.

A situação tende a normalizar com surgimento de casos suspeitos isolados, quer em São Filipe, que registou na semana passada um caso suspeito, quer nos Mosteiros, que notificou no dia 02 de Abril um caso suspeito.

“O perigo geralmente acontece quando a situação tende a melhorar porque as autoridades têm a tendência de se relaxar e de não se preocupar com todas as actividades”, afirmou a mesma fonte.

O coordenador do Programa Nacional de Luta Contra os Vectores sublinhou que para debelar a situação é necessário continuar juntos, sem relaxamento, e trabalhar durante o ano inteiro para que não haja casos de transmissão vectorial na ilha do Fogo.

A estratégia, explicou, passou sobretudo por um “djunta-mon” porque o problema da dengue é de todos, já que é uma questão transversal com parte ambiental, comportamento da população e construção civil, entre outros.

“Infelizmente onde há água mal conservada teremos viveiro de mosquitos e consequentemente a transmissão da doença”, referiu António Moreira, que destacou a realização de trabalho com as crianças, mostrando-as todo o ciclo de vida e como se desenvolvem os mosquitos, capacitando-as e dando ferramentas que vão transmitir aos pais e aos poucos vai-se melhorar e libertar-se dessa doença.

A existência de um número elevado de casas fechadas e pertencentes a emigrantes e que podem funcionar como viveiros de mosquitos porque não são pulverizadas, os pardieiros, fiscalização das obras de construção civil, das oficinais, a limpeza dos bairros são situações que a equipa chamou atenção e pediu a colaboração da câmara no sentido de sensibilizar os emigrantes para a luta contra a dengue.

Durante o encontro com a Comissão Municipal de Saúde de São Filipe várias estratégias de luta contra a dengue foram analisadas, destacando-se a realização neste mês de uma megacampanha de limpeza nas comunidades, urbanas e rurais, com envolvimento da comunidade educativa, nomeadamente alunos, professores, pais e encarregados de educação, e a própria comunidade onde as escolas estão localizadas.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Inforpress,3 abr 2024 8:22

Editado porSara Almeida  em  23 abr 2024 16:20

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