João de Deus fez este pedido ao ministro do Mar, Jorge Santos, durante a apresentação do projecto do novo mercado de peixe de São Vicente orçado em cerca de 300 mil contos, cujo concurso para execução das obras deverá ser lançado em meados do mês de Março, com financiamento do Banco Mundial.
O ex-presidente da Associação dos Armadores de Pesca (Apesc) começou por parabenizar o ministro por “ter a coragem de dizer que nunca houve projecto para o mercado de peixe” e manifestou o seu descontentamento com a “forma como o povo de São Vicente foi enganado” com a reabilitação do mercado peixe.
Segundo João de Deus, o povo de São Vicente e a comunidade pesqueira não vão permitir ser enganados outra vez, pelo que, segundo o antigo responsável, “dão tolerância zero” ao Governo para executar projecto do mercado de peixe e “exigem uma fiscalização trimestral”, com a presença dos representantes dos armadores de pesca e da Associação das Peixeiras do Mindelo.
“Nós não vamos permitir isso, pelo que o senhor ministro, depois tem que nos explicar onde é que foram parar os valores, se saíramdo Fundo do Turismo e do nosso Fundo Autónomo de Pesca”, questionou.
O armador de pesca disse que nunca irá perdoar o facto de terem “arrancado com a obra com o financiamento do dinheiro das pescas para reabilitação e a obra nunca ter sido concluída, apesar de todo o sofrimento das colegas peixeiras e dos pescadores desde o dia que a obra de mentira foi lançado com um prazo de execução de três meses”.
Para João de Deus, as pessoas devem apoiar o ministro do Mar pela sua coragem em dizer que não havia projecto porque, de facto, ele, como presidente da Apesc, fez todas as pesquisas e viu que havia apenas reabilitações e a obra não chegou à fase final e ela será derrubada novamente.
“Foi investido o nosso dinheiro sem terminar a obra e queremos saber onde é que o dinheiro está para podermos responsabilizar quem foi o responsável pela derrapagem da obra”, afirmou João de Deus, para quem não se vai permitir este tipo de coisas em São Vicente porque há um Governo que diz ser sério, pelo que quer explicações.
“Eu como presidente da Apesc estive envolvido neste projecto, dei entrevistas, fiz declarações e não vou permitir que o nosso Fundo Autónomo das Pescas (FAP) saia lesado e queremos explicações com auditoria. Se o dinheiro saiu do FAP, para onde foi e como foi gasto. Se saiu do Fundo do Turismo tem que ser explicado”, pediu.
Sobre o projecto apresentado hoje, João de Deus disse que “é uma proposta séria, com todas as valências para a ilha de São Vicente” e que vem trazer exactamente o que discutiu com Suzano Vicente, actual presidente da Apesc, há muito tempo, junto com o Banco Mundial.
“Eu desafio o presidente da Associação das Peixeiras, e o meu colega Suzano Vicente para que façamos parte da auditoria trimestral desta obra. Gostaríamos que a Apesc, as peixeiras estejam representadas na equipa de fiscalização presente nas reuniões e a acompanhar as obras”, exigiu.
Sobre este pedido, o coordenador da Unidade de Gestão de Projectos do Ministério das Finanças, Nuno Gomes, explicou que por ser uma obra financiada pelo Banco Mundial, há que haver uma auditoria ao pormenor, pelo que todo o valor a ser pago pela obra será usado na mesma.
Por sua vez, o ministro do Mar corroborou com as afirmações de Nono Gomes, lembrando que o empreiteiro é obrigado a fornecer as informações sobre a obra e o nível de execução, entre outros aspectos.
Sobre a possibilidade de uma auditoria, a mesma fonte disse que sefor feito poderá esclarecermelhor porque o projetco eramais de três mil e tal contos com financiamento de três instituições.
“O Fundo Autónomo de Pesca entrou com um valor, o Fundo de Turismo entrou com outro e era um projecto dividido em três e a câmara municipal fez trabalhos aqui nos pisos e na zona de tratamento do pescado. Isso foi há três anos e neste momento o mercado será demolido, à excepção da fachada principal, e vai nascer um novo mercado, voltado para o mar, totalmente modernizado”, arrematou.