Entre os principais feitos, destacou a graduação de Cabo Verde como país de Rendimento Médio-Alto, bem como a sua classificação como o segundo país mais estável de África e a histórica presença de Cabo Verde na Copa do Mundo de Futebol, pela primeira vez.
Ulisses Correia e Silva salientou ainda a “recuperação económica robusta” do arquipélago, com a taxa de desemprego a atingir o nível mais baixo de sempre e a redução da pobreza, colocando o país no “caminho certo” para eliminar a pobreza extrema até 2026.
Destacou igualmente como projectos do Governo a expansão do acesso ao ensino superior, da formação profissional e do empreendedorismo para os jovens, bem como a conclusão de infra-estruturas essenciais, como estradas, centros de saúde e sistemas de abastecimento de água.
O governante propôs atingir a meta de 35% de produção de electricidade a partir de energias renováveis, bem como investimentos estratégicos nos portos e aeroportos, com melhorias previstas nos transportes aéreos e marítimos.
Ulisses Correia e Silva reconheceu que “ainda há muito a construir”. Por isso, apelou à união de todas as famílias, dos jovens, dos empresários e da diáspora, para que Cabo Verde consiga duplicar o seu potencial de crescimento económico e atingir o patamar de país de Rendimento Alto.
O primeiro-ministro terminou a sua mensagem com um apelo à inspiração colectiva, evocando o exemplo dos Tubarões Azuis, a selecção nacional de futebol, e desejando um próspero 2026 a todos os cabo-verdianos.
Reacção dos partidos
UCID
O presidente da UCID caracterizou a mensagem de Natal do primeiro-ministro como “propaganda enganosa” em período pré-eleitoral, anunciada à custa do erário público.
João Santos Luís criticou ainda, em conferência de imprensa em Mindelo, o anúncio do aumento do salário mínimo de 19 mil para 25 mil escudos apenas em 2027, lembrando que o Governo rejeitou uma proposta do seu partido para elevar o valor para 23 mil escudos já em 2026.
Quanto à economia, rejeitou a ideia da “recuperação robusta” defendida por Ulisses Correia e Silva, o que, sustentou, “não corresponde à verdade”. O líder da UCID assegurou que o crescimento registado nos últimos anos assenta, essencialmente, no consumo e não se reflecte na melhoria das condições de vida, apontando ainda o elevado custo de vida e o aumento dos preços como prova disso.
Relativamente ao desporto, a UCID congratulou-se com a histórica qualificação de Cabo Verde para o Mundial de futebol, mas afirmou que o feito resulta, sobretudo, do esforço dos atletas e do apoio popular, e não das políticas governamentais para o sector.
No plano social, criticou o aumento da pensão social de seis para sete mil escudos, considerado aquém do limiar de pobreza e propôs um valor mínimo de oito mil escudos para aproximar Cabo Verde dos parâmetros exigidos a países de rendimento médio-alto.
João Santos Luís concluiu que o país vive um contraste entre indicadores macroeconómicos positivos e dificuldades reais da população e reiterou a necessidade de mudanças políticas após as eleições legislativas de 2026.
MpD
O Grupo Parlamentar do MpD considerou a mensagem de Natal do Primeiro-Ministro uma mensagem de positividade e de confiança no país que, no meio das crises, fez crescer a economia, reduzir o desemprego e a pobreza e que, em 2026, promete baixar a pobreza extrema e almejar o patamar de rendimento médio-alto nos próximos anos.
A deputada Isa Miranda, em declaração concedida à Televisão de Cabo Verde (TCV), considerou o país estável e afirmou que, cada vez mais, é necessário proteger a democracia, as instituições e a própria estabilidade, porque é a partir disso que Cabo Verde se torna mais relevante no contexto internacional.
Sustentou que as promessas do Governo são claras, exequíveis e estão de acordo com as capacidades actuais do país. Apontou investimentos em cursos que ainda vão ser melhorados e que irão produzir novos investimentos.
Isa Miranda apelou a uma maior aproximação dos cabo-verdianos, caminhando numa única direcção de crescimento, de redução do desemprego, da redução da pobreza e da melhoria das condições de vida de todos os cidadãos.
“Nós verificamos a implementação do PCFR, que ainda não terminou, mas vai certamente melhorar. Há programas concretos para os jovens, além de habitações sociais, bonificações e um conjunto de medidas que nos fazem, de facto, acreditar e rever-nos nessa positividade do Governo”, finalizou a deputada Isa Miranda.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1257 de 31 de Dezembro de 2025.
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