Os resultados definitivos, publicados pela Uni-CV, apontam 15,59% dos votos dos docentes doutorados para Astrigilda Silveira, contra 12,65% para Crisanto Barros. Na categoria de “Outros Docentes”, Silveira conseguiu 15% dos votos, enquanto o adversário obteve 14,72%.
Entre os não docentes, foram apurados 11,24% dos votos para Astrigilda Silveira e 8,57% para Crisanto Barros. Por último, a nova reitora conseguiu 8,82% dos votos dos estudantes, sendo que Crisanto Barros a superou nesta categoria, com 10,69% dos votos dos discentes.
As eleições decorreram nos quatro círculos eleitorais: Praia, Mindelo, Santa Catarina de Santiago e São Filipe.
O processo eleitoral envolveu toda a comunidade académica, de acordo com os estatutos da instituição, que atribuem 60% do peso dos votos aos professores, 20% aos colaboradores e 20% aos estudantes a partir do segundo ano do curso.

Na rede social da sua candidatura, Astrigilda Silveira congratulou-se com a vitória, não como uma conquista individual, mas como uma vitória colectiva da Uni-CV, uma confiança depositada em si por cada membro desta comunidade académica.
“Esta vitória é de todos. É fruto do trabalho incansável de cada docente e investigador, técnico, administrativo e estudante que, diariamente, vai definindo a essência desta instituição”, destacou a nova reitora.
Astrigilda Silveira reafirmou os compromissos assumidos durante a campanha, nomeadamente:
- Reafirmar a autonomia com responsabilidade, garantindo que a Uni-CV cumpra o seu papel de referência nacional, sem perder de vista as necessidades do país;
- Transformar a transparência em prática efectiva, restaurando a confiança na gestão institucional e nos processos decisórios;
- Devolver à comunidade académica a dignidade que sustenta qualquer universidade pública, assegurando que cada voz seja ouvida e respeitada.
Para a nova reitora, “Humanizar, Colaborar, Transformar” não são apenas palavras, mas princípios que guiarão cada passo do seu mandato.
“Sabemos que uma universidade pública só cumpre a sua missão quando o seu conhecimento informa, influencia e transforma as políticas que moldam o nosso futuro. É nesse espírito que, juntos, reconstruiremos a Uni-CV como uma instituição que cuida, escuta e ajuda a avançar”, frisou.
Em declarações à Inforpress, após o apuramento dos resultados, a docente começou por felicitar o colega Crisanto Barros pelo trabalho desenvolvido no âmbito deste processo e afirmou que a vitória é colectiva, pertencente à Universidade de Cabo Verde.
Por sua vez, Crisanto Barros felicitou a professora Astrigilda Silveira pela vitória, desejando-lhe votos de um mandato bem-sucedido.
“Que este novo ciclo contribua para o reforço da Uni-CV enquanto universidade pública de referência, ao serviço do desenvolvimento de Cabo Verde”, ressaltou.
O processo eleitoral
Foram, no total, sete docentes a concorrer ao cargo de reitor da Universidade de Cabo Verde para o mandato 2026-2030. As candidaturas foram abertas desde Dezembro do ano transacto.
Após a apreciação da conformidade formal e material dos processos apresentados, a Comissão Eleitoral para a Eleição do Reitor admitiu todas as candidaturas submetidas, por se encontrarem em plena conformidade com os requisitos legais, regulamentares e estatutários exigidos.
A primeira volta das eleições realizou-se a 28 de Janeiro. Nesta fase, Astrigilda Silveira obteve 19,34%, enquanto Crisanto Barros alcançou 20,74% dos votos válidos, garantindo ambos a passagem à segunda volta.
Os restantes votos ficaram distribuídos pelos demais candidatos, nos seguintes termos:
- Odair Bartolomeu Barros Lopes Varela: 7,79%
- Maria de Lourdes Silva Gonçalves: 17,95%
- João Gomes Cardoso: 13,35%
- Jorge Mendes Tavares: 11,37%
- Felisberto da Silva Mendes: 8,46%
De acordo com o regulamento eleitoral, o reitor é eleito por um colégio eleitoral específico, nos termos do artigo 6.º do Regulamento para Eleição do Reitor, para um mandato de quatro anos, renovável apenas uma vez de forma consecutiva.
Biografia
Astrigilda Silveira desempenhava, antes de ser eleita reitora, a função de professora auxiliar da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).
Iniciou funções no ensino superior em 2000, no então Instituto Superior de Educação (ISE), tendo posteriormente acompanhado o processo da sua integração na Universidade de Cabo Verde. Conta, assim, com mais de duas décadas de experiência no ensino superior cabo-verdiano.
Ao longo da sua carreira, desempenhou diversos cargos de gestão na Uni-CV, nomeadamente na Direcção dos Serviços Académicos, como coordenadora dos Serviços Técnicos e como membro do Núcleo de Apoio ao Ensino à Distância. Exerceu ainda funções como directora de Formação e Qualificação de Quadros no Ministério da Educação.
No plano da gestão universitária, foi vice-reitora no Polo 2, em São Vicente, e no Polo 3, em Cruz Grande, tendo igualmente substituído a reitora no Polo 1, na Praia. Desde 2017, é directora do Instituto de Álgebra, estrutura que tem contribuído para o reforço da internacionalização da Universidade de Cabo Verde.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1264 de 18 de Fevereiro de 2026.
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