Candidatos a Reitor da Uni-CV defendem sustentabilidade financeira da Universidade

PorAnilza Rocha,28 jan 2026 15:07

Os sete candidatos ao cargo de Reitor da Uni-CV querem melhorar a sustentabilidade financeira desta academia, apresentando propostas que possam colmatar os desafios existentes neste sector. Os concorrentes subiram ao palco do Centro de Convenções, esta sexta-feira, dia 23, para responder a estas e a outras questões colocadas pelos moderadores.

A sessão, transmitida em directo, teve a duração de três horas, contando com a presença de todos os candidatos. São eles: Maria de Lourdes Gonçalves, Odair Varela, João Cardoso, Crisanto Barros, Jorge Tavares, Felisberto Mendes e Astrigilda Silveira.

Durante o debate, para além da sustentabilidade financeira, os candidatos abordaram a estratégia de gestão, a promoção de um ensino de qualidade, a modernização das infra-estruturas, o bem-estar emocional e psicológico dos estudantes, bem como as estratégias de internacionalização da Uni-CV.

Astrigilda Silveira

Astrigilda Silveira defendeu uma gestão mais participativa e descentralizada do poder do reitor. A candidata salientou que não faz sentido que algumas unidades estejam subordinadas à Reitoria e anunciou a criação de um gabinete de apoio à investigação, com técnicos especializados na captação de fundos nacionais e internacionais, garantindo um financiamento estável para a investigação.

Referiu, ainda, a necessidade de negociação com o Governo para a criação de um Fundo Nacional de Investigação, de onde emergirá o Estatuto do Investigador. Astrigilda comprometeu-se também com a transição energética, destacando que a Universidade de Cabo Verde deve liderar esforços para apoiar o Governo nessa área. Além disso, prometeu criar, até 2030, dez empregos sustentáveis na Uni-CV.

Crisanto Barros

Crisanto Barros criticou o modelo de financiamento adoptado pelo Estado, considerando-o insustentável, uma vez que o Governo contribui apenas parcialmente, enquanto os estudantes recebem bolsas precárias.

“Não existe, em lugar nenhum, uma Universidade Pública que não tenha assegurado pelo Estado o financiamento das despesas com pessoal, infra-estruturas e equipamentos. Essa negociação é imprescindível”, afirmou.

Defendeu que a qualidade do ensino depende do financiamento e da instalação de unidades orgânicas com capacidade científica e pedagógica, sublinhando a ligação directa entre a gestão institucional e a excelência académica.

Jorge Tavares

Jorge Tavares salientou que a Universidade precisa de resolver os seus problemas internos, melhorando os serviços de atendimento para motivar e reter os estudantes. Destacou a importância de reduzir filas de espera, através de sistemas informáticos inteligentes, especialmente na emissão e no licenciamento de documentos.

“Todos nós somos responsáveis pela sustentabilidade da Universidade. Quando um professor lecciona com qualidade, um aluno permanece na sala, paga as propinas e atrai novos estudantes”, observou.

Odair Varela

Odair Varela alertou que os recursos actuais da Universidade são insuficientes e que esta questão deve ser solucionada. Ressaltou a necessidade de modernizar os serviços da instituição e enfatizou que o planeamento e a gestão devem priorizar a captação activa de financiamentos, criando um ecossistema interno capaz de assegurar serviços de qualidade.

João Cardoso

João Cardoso destacou que a governança ocupa um papel central na administração da Universidade e que a sustentabilidade constitui um desafio fundamental, reflectido, inclusive, no nome da sua candidatura.

Salientou a importância de integrar eficiência, práticas institucionais sólidas e valorização dos recursos humanos para promover uma gestão equilibrada e duradoura.

Maria de Lourdes

Maria de Lourdes explicou que o financiamento da Universidade provém de três fontes: subvenção do Estado, receita das propinas e prestação de serviços, sendo esta última actualmente carente de organização.

Para a candidata, é necessário estabelecer um diálogo profundo com o Governo, garantindo a cobertura das despesas e assegurando a sustentabilidade económica da instituição.

Propôs, ainda, um modelo de gestão que descentralize processos, agilize decisões e fortaleça a vivência universitária como experiência central para os alunos.

Felisberto Mendes

Felisberto Mendes enfatizou que a sustentabilidade financeira, económica e ambiental deve ser assegurada com os recursos actuais da Universidade, sem adiar negociações com o Governo, sob pena de comprometer actividades essenciais, como o ensino, a extensão e a investigação. Destacou que a estabilidade financeira depende da consolidação do corpo docente, mas os recursos não devem provir apenas do ensino.

“A Universidade de Cabo Verde pode também obter recursos a partir da investigação e da extensão. No entanto, nesta área, temos avançado muito pouco”, concluiu.

Eleição

No dia 28 de Janeiro, esta quarta-feira, os docentes e os não docentes são convocados a participar em mais um pleito, com vista à escolha do novo reitor da Universidade Pública para um mandato de quatro anos.

O reitor será eleito por um colégio eleitoral composto por: docentes doutorados com, pelo menos, dois anos de serviço prestado a tempo inteiro na Uni-CV; outros docentes com, pelo menos, dois anos de serviço prestado a tempo inteiro na Uni-CV; funcionários com, pelo menos, dois anos de serviço prestado a tempo inteiro na Uni-CV, com contrato válido no ano lectivo em que se realizam as eleições; e estudantes com mais de um ano de frequência académica e situação académica regularizada.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1261 de 28 de Janeiro de 2026.

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Autoria:Anilza Rocha,28 jan 2026 15:07

Editado porClaudia Sofia Mota  em  1 fev 2026 12:19

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