Shigella: Imprensa internacional aponta para mais uma morte. Governo reitera que não há surto no país

PorSheilla Ribeiro,1 abr 2026 11:40

A imprensa internacional dá conta de mais uma morte de um turista britânico, alegadamente associada a problemas gastrointestinais após uma estadia na ilha do Sal, enquanto o Ministério do Turismo e Transportes reiterou não haver alterações anormais na situação epidemiológica e admite a hipótese de casos importados da Europa.

Segundo informações avançadas por meios de comunicação estrangeiros, a vítima mais recente é um homem na casa dos 50 anos, que terá estado hospedado num hotel de cinco estrelas, em Santa Maria, na ilha do Sal, onde desenvolveu complicações de saúde que acabaram por levar à sua morte.

Com este caso, sobe para pelo menos sete o número de turistas britânicos que terão morrido nos últimos três anos, após férias no país, em situações associadas a problemas gástricos, de acordo com a mesma fonte.

Face à repercussão internacional, o Ministério do Turismo e Transportes veio a público garantir que o país continua a ser um destino seguro, sublinhando os elevados padrões de qualidade e saúde pública, reconhecidos internacionalmente.

Em comunicado, o Governo afirma estar a acompanhar a situação com total seriedade, através de um sistema de vigilância epidemiológica activo e em articulação com as autoridades de saúde e operadores turísticos.

As investigações técnico-científicas realizadas até ao momento indicam que não há evidência de qualquer surto de gastroenterites nas ilhas do Sal e da Boa Vista, sendo os casos registados considerados esporádicos e dentro dos níveis esperados para este período.

As autoridades sanitárias asseguram ainda que não há registo de óbitos no país associados a doenças de transmissão alimentar, nomeadamente por Shigella. Acrescentam que os dados analisados não apontam para qualquer alteração anormal da situação epidemiológica em Cabo Verde.

Resultados laboratoriais preliminares de algumas amostras recolhidas no âmbito das investigações, conduzidas por especialistas nacionais com o apoio de técnicos da Organização Mundial da Saúde, levantam a hipótese de a bactéria poder ter sido importada de países europeus.

O Ministério recorda que doenças gastrointestinais de origem alimentar são comuns a nível global, incluindo na Europa, onde se registam anualmente milhares de casos associados a agentes como Salmonella, Campylobacter e Shigella.

No caso desta última, refere que não se trata, em regra, de uma doença mortal, podendo agravar-se apenas em indivíduos com outras patologias graves.

Entretanto, têm sido reforçadas as medidas preventivas e de controlo, incluindo acções de inspecção sanitária, monitorização da qualidade alimentar e sensibilização dos operadores turísticos.

“Até ao momento, as autoridades de Cabo Verde não detectaram nem surtos nem casos de mortes por shigellose no país. Cabo Verde é um destino turístico seguro, com as suas praias paradisíacas e montanhas imponentes, que vem atraindo milhares e milhares de turistas de todo o canto do mundo, com os hotéis completamente cheios”, lê-se no comunicado.

De referir que operadores turísticos portugueses garantiram na segunda-feira, 30, que não há necessidade de “alarmismo” com infecções noticiadas pela imprensa britânica e que não registaram quebra nas reservas.

O que é Shigella?

A shigelose, causada por bactérias do género Shigella, é uma infecção intestinal que se transmite sobretudo através da ingestão de água ou alimentos contaminados, ou por contacto directo com pessoas infetadas, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Os sintomas mais comuns incluem diarreia (frequentemente com sangue ou muco), febre, dores abdominais e náuseas, podendo surgir entre um a três dias após a exposição.

Na maioria dos casos, a doença é autolimitada e resolve-se em poucos dias, mas pode tornar-se grave em crianças, idosos ou pessoas com o sistema imunitário debilitado, levando a desidratação severa.

O tratamento baseia-se principalmente na reposição de líquidos e sais minerais, sendo que, em casos mais graves, pode ser necessária a administração de antibióticos, embora a OMS alerte para o aumento da resistência antimicrobiana em algumas estirpes da bactéria.

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Autoria:Sheilla Ribeiro,1 abr 2026 11:40

Editado porSara Almeida  em  1 abr 2026 11:41

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