Autoridades de saúde garantem que não existe surto de Shigella no país

PorAnilza Rocha,20 mar 2026 18:08

Os resultados preliminares do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), apresentados hoje, indicam ausência de surto activo de Shigella no Sal e na Boa Vista, apesar de casos isolados e de contaminação na cadeia de suprimentos de produtos frescos e na água de rega em hotéis, admitindo-se a possível introdução de uma bactéria proveniente de regiões da Europa.

Esta investigação foi espoletada no âmbito das informações recebidas à margem das actividades do Regulamento Sanitário Internacional (RSI), segundo as quais foram detectados alguns casos de gastroenterites em turistas europeus que recentemente estiveram nas ilhas do Sal e da Boa Vista, conforme garantiu o administrador do INSP, Élio Rocha.

A investigação consistiu na colheita e análise de amostras de água de consumo humano, de alimentos frescos, de superfícies de manipulação e manipuladores, água de rega e amostras clínicas, num total de 156 amostras analisadas.

“Na investigação realizada, apurou-se que a água de consumo humano não apresentava contaminação. No entanto, com relação às amostras da água utilizada na rega de produtos frescos, foi detectada presença da bactéria. As investigações feitas identificaram a espécie de Shigella Sonnei nas amostras”, explicou Élio Rocha.

O administrador do INSP garantiu que as autoridades sanitárias já emitiram um conjunto de recomendações e medidas a serem seguidas pelos operadores.  Dentre eles,   o reforço dos processos de desinfecção dos produtos frescos na cadeia de produção, importação e distribuição, o reforço da vigilância laboratorial da qualidade destes produtos nas ilhas, bem como o reforço da vigilância epidemiológica específica para gastroenterites e da fiscalização junto dos operadores económicos envolvidos na cadeia de produção, armazenamento e distribuição de alimentos.

“Os resultados da investigação mostram que existe a presença dessa Shigella e que poderá, eventualmente, ter algum turista que foi contaminado aqui em Cabo Verde. Não precisamos fazer uma investigação específica, mas com a análise genómica das tirpes já isoladas conseguimos saber de qual parte é proveniente essa bactéria”, assegurou. Élio Rocha avançou que já estão em curso, nos laboratórios nacionais, análises de genoma completo, que poderão elucidar de melhor forma a origem da Shigella.

“Mas não é uma doença que tenha uma taxa de letalidade tão elevada. É, portanto, uma infecção bacteriana e trata-se com antibióticos”, afirmou Élio Rocha.

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Autoria:Anilza Rocha,20 mar 2026 18:08

Editado porAndre Amaral  em  20 mar 2026 23:22

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