Investir no conhecimento do clima é estratégico para Cabo Verde - INMG

Investir no conhecimento do clima e no reforço dos sistemas de observação meteorológica é uma prioridade estratégica para o desenvolvimento sustentável de Cabo Verde. A afirmação foi feita hoje, na cidade da Praia, por Ester Brito, presidente do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG).

A responsável falava durante a abertura do workshop de engajamento de parceiros e da sociedade civil sobre questões do tempo e do clima. Segundo Ester Brito, a elevada vulnerabilidade de Cabo Verde às alterações climáticas torna essencial o investimento na observação meteorológica e na recolha de dados fiáveis.

“Para um pequeno estado insular em desenvolvimento com cabo verde, altamente vulnerável à variabilidade climática e aos eventos extremos, estes desafios exigem respostas cada vez mais sustentadas no conhecimento científico e em sistemas eficazes de monitorização e alerta. Por isso, investir no conhecimento do clima e no reforço dos sistemas de observação meteorológica não é apenas uma necessidade técnica, é uma prioridade estratégica para o desenvolvimento sustentável do país. Com efeito, nenhuma previsão meteorológica, nenhum sistema de alerta precoce e nenhuma política climática eficaz podem existir sem dados de observação fiáveis e de qualidade”, realça.

Ester Brito destaca ainda que a implementação da Facilidade de Financiamento para Observações Sistemáticas está a reforçar a capacidade do país nesta área, através da formação de técnicos, da instalação de novas estações e da melhoria da transmissão regular de dados para a rede meteorológica global.

“São os progressos alcançados ao longo deste primeiro ano de implementação que demonstram que estamos a transformar esta visão em resultados concretos. Para além de documentos estratégicos produzidos durante a primeira fase, foi possível capacitar cerca de 30 observadores meteorológicos, reforçando significativamente as competências nacionais na recolha e gestão de dados de observação. Registam-se, igualmente, avanços importantes na implementação da nossa rede de observação. Neste momento, das quatro estações meteorológicas identificadas para integrar esta rede global, duas encontram-se já preparadas e, desde junho de 2026, passaram a transmitir observações meteorológicas de hora a hora para a rede da Organização Meteorológica Mundial”, destaca.

Por sua vez, a coordenadora residente das Nações Unidas em Cabo Verde, Patrícia Portela, afirma que a informação climática é essencial para proteger vidas e apoiar o desenvolvimento, sobretudo num país que já sente, de forma direta, os impactos das alterações climáticas.

“Para Cabo Verde, essa realidade assume uma relevância ainda maior, como pequeno Estado insular em desenvolvimento, Cabo Verde encontra-se na linha da frente dos impactos das alterações climáticas. O país enfrenta uma combinação de vulnerabilidades estruturais, como todos nós sabemos. aqui me refiro a recursos naturais limitados, elevada dependência de fatores externos, exposição crescente a fenómenos meteorológicos extremos e fortes pressões sobre os ecossistemas. Essas vulnerabilidades deixam de ser projeções futuras, Já são uma realidade que vivemos em várias partes do mundo”, afirma.

O workshop pretende reforçar a cooperação entre instituições públicas, parceiros internacionais, municípios, universidades, setor privado e organizações da sociedade civil, com o objetivo de aumentar a capacidade de Cabo Verde para enfrentar os impactos das alterações climáticas e promover um desenvolvimento mais resiliente.

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Autoria:Selton Monteiro (Estagiário), Rádio Morabeza,26 jun 2026 14:00

Editado porAndre Amaral  em  26 jun 2026 16:19

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