O orçamento da Uni-CV sobe de 1,1 milhões de contos para 1,5 milhões, um aumento de cerca de 400 mil contos. O ministro, que presidiu à cerimónia, disse que são “medidas concretas que devem traduzir-se em melhorias efectivas para a universidade e para toda a comunidade académica”.
O discurso não detalhou o custo da gratuitidade das propinas, que o Estado assume este ano na Uni-CV e na Universidade Técnica do Atlântico (UTA), nem em que medida o reforço orçamental a cobre.
A gratuitidade, uma promessa de campanha agora concretizada, foi justificada como “um investimento no capital humano”, mas também uma forma de contribuir “para dar maior previsibilidade às receitas” das duas universidades públicas e "inverter a tendência de redução do número de alunos que se vinha verificando”.
Este reforço orçamental destina-se, acima de tudo, a permitir que “a universidade crie melhores condições”.
"Não queremos apenas mais estudantes matriculados. Queremos mais estudantes a aprender, a concluir os seus cursos e a entrar na vida profissional com competências sólidas para servir o país”, afirmou.
O Governo, acrescentou, vai trabalhar com a Uni-CV, a UTA e as demais instituições “para reforçar capacidades, mobilizar recursos e estabelecer objectivos claros” e, segundo o ministro, compromete-se a colocar a educação e o ensino superior no centro da estratégia de desenvolvimento nacional.
Desafios
Na sua intervenção, Arnaldo Brito enquadrou os desafios do ensino superior na preparação de uma nova etapa de desenvolvimento de Cabo Verde, 50 anos depois da independência. Reconhecendo os avanços alcançados na expansão do acesso à educação, apontou a persistência de dificuldades sociais, a capacidade produtiva limitada e a dependência do exterior como sinais de que o país precisa de fazer mais.
Para o ministro, a educação deve contribuir para transformar o potencial dos jovens em competências, inovação, oportunidades e prosperidade. E a Uni-CV tem um papel central nesse processo: não basta formar diplomados, é necessário produzir conhecimento capaz de responder às necessidades nacionais.
“Cabo Verde não pode limitar-se a consumir conhecimentos produzidos no exterior. Precisamos também de produzir conhecimentos próprios, enraizados na nossa realidade e capazes de responder às nossas necessidades”, declarou.
Brito defendeu, assim, mais investigação aplicada, inovação, transferência de conhecimento e cooperação entre a universidade, o Estado, as empresas, as autarquias, a sociedade civil e as comunidades. Quer também uma articulação mais efectiva entre as unidades orgânicas da Uni-CV e os sectores em que podem intervir, da administração pública à agricultura, do ambiente à educação, cultura, justiça e desporto.
Transformação
A mudança das práticas pedagógicas foi outra das linhas centrais do discurso. Arnaldo Brito considera que o ensino superior precisa de acompanhar a evolução do conhecimento, das tecnologias e das profissões, dando aos estudantes um papel mais activo na aprendizagem.
“Não podemos continuar a organizar todo o processo educativo em torno da exposição do professor, da transmissão de conteúdos, da memorização e da reprodução de conhecimentos nas provas”, afirmou.
O ministro apelou a uma docência que desenvolva autonomia, pensamento crítico, criatividade, investigação e capacidade de resolução de problemas. Para isso, propôs aos professores para trabalharem de forma colaborativa e aproximarem a universidade da vida real, levando os estudantes aos laboratórios, às empresas, às instituições públicas e às comunidades.
Aos estudantes, disse que “o país acredita em vocês” e pediu que “estudem, estudem muito, questionem, debatam, investiguem”. O desenvolvimento do país, defendeu, exige responsabilidades partilhadas entre Governo, universidade, docentes, estudantes, famílias e empresas.
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Reitora quer uma universidade de Cabo Verde “inteiro”
Na sua primeira abertura do ano académico como reitora, Astrigilda Silveira destacou o contributo das diferentes gerações para a construção da Uni-CV e defendeu a partilha do conhecimento, de dentro e fora do campus, para resolver problemas reais. "A Uni-CV tem de ser de Cabo Verde inteiro, não apenas de quem consegue chegar a um campus", afirmou ainda, sublinhando que as distâncias entre as ilhas não devem limitar as oportunidades de aprendizagem.
“A universidade não pertence a uma só geração. Constrói-se com muitas gerações e está sempre por concluir”, destacou, evocando também os 20 anos da instituição e o trabalho de todos os que contribuíram para a sua construção.
Astrigilda Silveira centrou a sua intervenção nas pessoas e no compromisso de construir uma Uni-CV aberta e plural, sublinhando que a universidade pública não pode limitar-se a produzir conhecimento para o guardar nas salas, nos laboratórios ou nos relatórios. A investigação deve ter consequências na vida das pessoas, seja através de respostas para os desafios do mar, da saúde, da água, da energia ou da educação.
“A universidade não chega a todas as pessoas por via de uma matrícula, mas o conhecimento que produz tem o dever de chegar a todas”, declarou. Para isso, defendeu uma maior aproximação às escolas, aos municípios, às empresas, às organizações sociais e à diáspora, em linha com a posição do ministro da Educação.
A reitora assumiu ainda o compromisso de valorizar docentes, investigadores e pessoal não docente, apoiar os estudantes, fortalecer a investigação e a qualidade e conduzir a universidade com transparência e participação. Aos novos alunos, pediu participação activa na vida académica e envolvimento nos problemas das comunidades.
"Não se limitem a frequentar a universidade. Construam-na. Perguntem. Participem", exortou. "Façam da Uni-CV a vossa casa, a nossa casa comum."
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1298 de 14 de Outubro de 2026.
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