Crise provocada pela COVID-19 marca último debate do estado da Nação

PorExpresso das Ilhas, Lusa,28 jul 2020 10:14

O primeiro-ministro vai sexta-feira ao parlamento para o último debate sobre o estado da Nação da actual legislatura.

O anual debate sobre o estado da Nação encerra, sempre no final de Julho, o ano parlamentar, mas contrariamente à mensagem de 2019, que segundo o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, foi então de "optimismo e confiança", com sucessivos crescimentos económicos anuais acima dos 5%, a de 2020 será substancialmente diferente.

Em plena pandemia, Ulisses Correia e Silva já admitiu há algumas semanas que proteger a população da covid-19 é a prioridade: “Prefiro perder todas as eleições do que perder esta guerra contra o combate ao covid-19”.

“Não são as eleições que estão em causa, não é uma actividade político-partidária que está em causa, é o país e a saúde de Cabo Verde”, afirmou anteriormente Ulisses Correia e Silva.

A quebra no turismo, que representa 25% do Produto Interno Bruto de Cabo Verde, é a consequência económica mais visível da pandemia. O país está fechado a voos internacionais desde 19 de Março e estima perder mais de meio milhão de turistas até final do ano, face ao recorde de 819.000 visitantes em 2019.

Este debate do estado da Nação, que é aberto pelo primeiro-ministro, acontece na mesma semana em que o parlamento é chamado à votação final da proposta de Orçamento do Estado Rectificativo para 2020, que ascende a 75 milhões de contos, entre despesas e receitas, incluindo endividamento, o que representa um aumento de 2,6% na dotação inscrita no Orçamento ainda em vigor.

Prevê o recurso ao endividamento público, com o Governo a estimar ‘stock’ equivalente a 150% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2021.

O Orçamento do Estado em vigor previa um crescimento económico de 4,8 a 5,8% do PIB em 2020, na linha dos anos anteriores, uma inflação de 1,3%, um défice orçamental de 1,7% e uma taxa de desemprego de 11,4%, além de um nível de endividamento equivalente a 118,5% do PIB.

Estas previsões são drasticamente afectadas pela crise económica e sanitária, reflectidas nesta nova proposta orçamental para 2020: uma recessão económica que poderá oscilar entre os 6,8% e os 8,5%, uma taxa de desemprego de quase 20% até final do ano e um défice orçamental a disparar para 11,4% do PIB.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,28 jul 2020 10:14

Editado porAndre Amaral  em  3 ago 2020 19:19

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