​PAICV denúncia irregularidades, erros e manipulação do Cadastro Social Único

PorExpresso das Ilhas,16 jun 2022 14:46

António Fernandes
António FernandesExpresso das Ilhas

O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV ) denunciou hoje que há quatro municípios da ilha de Santiago onde se confirmam quase 1000 duplas inscrições, bem como a inscrição por parte de técnicos que tinham sido contratados directamente pela própria entidade gestora nacional do Cadastro Social Único (CSU).

A denúncia foi feita em conferência de imprensa, hoje, na Cidade da Praia,pelo membro do Conselho Nacional do PAICV, António Fernandes, que aponta os municípios de São Domingos, Praia, Santa Catarina e São Miguel, com quase 1000 duplas inscrições na base de dados do CSU.

“Pelos documentos que nos foram disponibilizados, notamos, por exemplo, uma anormalidade grosseira em relação ao município de São Lourenço dos Órgãos em que há mais indivíduos registados (6.682), mais indivíduos classificados nos grupos 1 a 4 (6.663) do que a população residente, segundo o Censo 2021 (6328). Aliás, a manipulação do cadastro foi também denunciada por um deputado nacional, por sinal dirigente do MPD , que acusa o sistema da maioria de ter provocado a perda da Eleições Presidenciais do candidato que apoiou por não ter usado o CSU, como fizera nas legislativas”, denunciou.

António Fernandes acusa ainda o Governo de estar “falseando as informações aos cabo-verdianos”, sobre a adulteração do CSU.

“Governo reconhece adulteração do cadastro social único, mas tenta sacudir o capote falseando as informações aos cabo-verdianos. O Ministro do Estado da Família, Inclusão e Desenvolvimento Social falseou a verdade ao dizer que os erros do cadastro se devem às Câmaras Municipais. Essa informação é falsa pois os coordenadores locais do cadastro eram também recrutados e hierarquicamente dependentes do Ministério da Família e Inclusão Social. Estes estavam alojados nas dependências das Câmaras Municipais”, sublinhou.

Segundo António Fernandes, o PAICV, vinha chamando a atenção ao Governo de que as medidas para mitigação da alta dos preços dos produtos básicos de primeira necessidade, produtos alimentares, são manifestamente insuficientes para as famílias na extrema pobreza, que agora “se confirma que estão em insegurança alimentar, para não dizer fome”.

“O Governo promete eliminar a pobreza extrema até 2027, mas está a navegar às escuras perante a manipulação e desactualização dos dados. O Grupo de Apoio Orçamental, reconhecendo a inconsistência das estatísticas da pobreza que o Governo vem utilizando, recomendou a actualização dos dados sobre a pobreza, cujo inquérito foi realizado pela última vez em 2015, assim como o inquérito do género”, disse.

António Fernandes sublinha ainda que “nenhum país consegue desenvolver-se ou ser governado sem indicadores", e lembra que o Banco Mundial reconheceu que Cabo Verde teve uma Jornada de Sucesso no combate à pobreza de 2001 a 2015.

António Fernandes aponta ainda que há elementos que confirmam as preocupações do PAICV, que são baseadas na inspeccção feita pela Comissão Nacional de Proteção de Dados CNPD à base de dados do CSU.

“O PAICV exige uma auditoria rigorosa e independente do CSU, de modo a expurgar todas as irregularidades já detectadas para que este possa ser um instrumento útil para a definição de políticas em direção às camadas mais vulneráveis da nossa sociedade”, exigiu.

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Autoria:Expresso das Ilhas,16 jun 2022 14:46

Editado porA Redacção  em  27 jun 2022 7:20

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