Já se contam as horas para ver "Romeu ma Julieta. Uma tragédia crioula"

PorChissana Magalhães,14 abr 2018 16:02

Um dos cenários de "Romeu ma Julieta"
Um dos cenários de "Romeu ma Julieta"(DZE)

Num palco pouco habituado a receber peças de teatro, o elenco de "Romeu ma Julieta" faz na manha de hoje o seu último ensaio geral antes da apresentação ao público praiense marcada para as 21 horas. A meta é ter casa cheia mas, sobretudo entregar um espectáculo de " grande beleza dramatúrgica".

Ontem, na conferência de imprensa no Palácio da Cultura Ildo Lobo, onde foram recepcionados pelo Director Geral das Artes, apesar do notório cansaço de quem acaba de chegar quase que directamente do aeroporto, era também perceptível na equipa de "Romeu ma Julieta" o entusiasmo de quem se prepara para mostrar aos outros algo a que se dedicou intensamente. 

João Branco, o director artístico desta co-produção Mindelact/Grupo Caixa Preta, não poupou palavras elogiosas ao trabalho feito pelo dramaturgo Emanuel Ribeiro: “O que ele fez foi uma obra monumental, naquilo que podemos designar de valorização da língua crioula. Não é um espectáculo que apenas se vê mas que se ouve também, aliás como no tempo de Shakespeare em que o teatro ouvia-se mais do que se via”, avaliou. 

A encenação de Fabiano Muniz e a entrega do elenco que encarna os personagens shakespearianos também mereceram realce por parte de Branco que chamou a atenção para o facto desta ser a quarta apresentação da peça que teve estreia na abertura do Festival Mindelact 2017 e duas reposições durante o Março Mes do Teatro,, sempre com lotação esgotada. 

Sobre a peça em sí, para além do aspecto marcante de ser em língua caboverdeana, tem também a particularidade de os diálogos e monólogos serem todos em verso e, durante as duas horas que dura o espectáculo, os 11 actores nunca saem do palco. 

Patrícia Silva, que interpreta a Sra. Capuleto, mãe da jovem  mas que acaba por condensar no seu personagem todos os conflitos e o ódio entre as duas famílias, diz ter sido esta uma experiência que muito exigiu de si  já que a carga emocional era muito forte e também por a personagem ser muito distante de si.

Sobre a possibilidade desta peça viajar a outros pontos do arquipélago, João Branco  explica as dificuldades que não se ficam apenas pelos recursos para fazer deslocar uma equipa de mais de 15 pessoas mas igualmente pela carência de salas preparadas para receber um espectáculo dessa envergadura. 

Quanto ao auditório da Assembleia Nacional, pelo menos em tamanho e conforto, parece ter agradado à equipa que só no ensaio de hoje iria fazer os testes de luz e som para garantir que tudo estivesse pronto para a apresentação de logo mais. 

Esta apresentação na cidade da Praia tem o patrocínio do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas.

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Autoria:Chissana Magalhães,14 abr 2018 16:02

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  14 nov 2018 3:23

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