Os novos palcos: música, conceito e paixão

PorPaulo Lobo Linhares,31 ago 2020 7:08

​Não é novidade que estamos agora em outros tempos, de outros palcos, que espero virem a ser o complemento dos físicos, que, com certeza, voltarão.

São inúmeras as mais-valias que poderia estar aqui a citar, mas apenas saúdo uma – o público – seus aplausos e a sua energia que alimenta qualquer músico ou profissional de palco.

Contudo, o mundo mudou, mas…a música não parou. Nem podia, pois é demasiado bela e artisticamente vital para que isso acontecesse. O mundo não poderia perder a sua banda sonora…seria um tipo de ensurdecer, sem se ser surdo.

Assim, os músicos e profissionais da música mantiveram-se sempre de pé, porque a música é a nossa missão. É profissão, mas mais do que isso: para a maioria – paixão.

Reinventamo-nos, recriamos, fomos buscar a ajuda de outras tecnologias e…saímos mais fortes, pois temos agora o digital como prolongamento do físico. Passamos a ter disponíveis duas realidades. Optimismo? – com certeza que não. Realismo? Sim, definitivamente – o de uma classe que se soube fazer.

Pegando nestes “novos palcos”, quando são carregados de conceito, com estórias anexadas que vão ao encontro do repertório escolhido, quando a técnica de captação é cuidada, o cenário apelativo e os músicos apaixonados pelo momento, temos, sim, momentos de altíssima qualidade.

Tenho seguido muitos fora do nosso país, mas também em Cabo Verde.

Confesso preferir os mais intimistas e “moldados à imagem do músico”.

Nesta linha, há duas semanas assisti ao “live” da cantora Sandra Horta – o seu “Live with Love”.

Pois é, tudo andou um pouco pelas linhas que acima escrevi sobre os concertos intimistas, os mais pequenos, mas maiores.

Acima de tudo foi original. E é tão bom quando as coisas se destacam pela diferença! Acredito que a diferença, para que aconteça, é sempre fruto de uma mistura essencial na música: planificação, mais paixão. Foi certamente a fórmula de Sandra Horta para este “Live with Love”. Deu claramente sequência ao nome do evento, pois esp(a)elhou amor pelo que foi feito.

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Não vou falar da voz de Sandra, por ser desnecessário. Já tantas vezes o fiz. Ouvi de um dos apaixonados e sabedores da nossa música chamar-lhe a nossa Flora Purim… é Sandra, o horizonte é esse.

O espetáculo também era de Jorge Almeida que, para mim, situa-se num grupo muito restrito de instrumentista da nossa música, onde unicamente cabem ...não só os melhores, mas acima de tudo os apaixonados e dedicados pela nossa arte maior – a música. Jorge tem lugar marcado neste grupo.

O cénico e o conceito andaram de mãos dadas…e traduzir a palavra AMOR, como Sandra se propôs, não é tarefa fácil..., mas Sandra e equipa conseguiram, talvez por não se terem preocupado muito em passá-lo. Foi um fluir natural e próprio.

Homenageou num lindo tom de azul, agradeceu aos colegas de outrora, não se esqueceu dos nossos Ildo Lobo e Manel d’Novas.

Não poderia deixar de elogiar o último agradecimento no cartaz que Sandra fez, nos créditos ... foi o resumo de tudo.

Para proposta desta semana: o “Live with Love” de Sandra Horta!

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 978 de 26 de Agosto de 2020. 

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Autoria:Paulo Lobo Linhares,31 ago 2020 7:08

Editado porSara Almeida  em  18 set 2020 7:19

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