O evento realiza-se este sábado, dia 29, no Polivalente da Chanzinha, na Vila da Ribeira Brava, ilha de São Nicolau, e contará com as actuações de Leontina Fortes, Djinhe, Eliane Monteiro, Luís Mariano, Lizandra Gomes, Toi Vieira, Albertino Évora, Arlindo Rodrigues e Mário Marta.
No dia 6 de Dezembro, será a vez do município de São Filipe, na ilha do Fogo, acolher o Morna Fest, com um cartaz que integra Natalino Gomes, Bertânia Almeida, Solange Cesarovna, Calú Bana, Toi Vieira, Albertino Évora, Arlindo Rodrigues e Mário Marta.
O Morna Fest chega à Cidade da Praia no dia 12 de Dezembro, reunindo nomes como Mariana Ramos, Bertânia Almeida, Solange Cesarovna, Calú Bana, Toi Vieira, Mirri Lobo, Arlindo Rodrigues e Mário Marta.
No dia 13 de Dezembro, o evento encerra em Mindelo, com as actuações de Mariana Ramos, Lizandra Gomes, Carla Lima, Calú Bana, Toi Vieira, Mirri Lobo, Arlindo Rodrigues e Mário Marta.
O sócio-gerente da Boa Música, Júlio do Rosário, garantiu ao Expresso das Ilhas que está tudo a postos para o arranque do evento musical e que todos os artistas já se encontram no país. “Praticamente, a programação está toda confirmada; os cartazes divulgados são definitivos, com os artistas confirmados para cada ilha”, assegura.
Em cada ilha haverá actuação de oito artistas, com excepção de São Nicolau, que contará com nove. A banda que acompanhará os artistas é composta por Toy Vieira, Palin Vieira, Jacinto Pereira, Ivan Moreira e Ericsson Fonseca.
“Estes músicos de renome farão parte das grandes emoções que preparamos para esta edição do Morna Fest”, destacou Júlio do Rosário.
Dificuldades financeiras
No ano passado, o festival chegou à ilha do Sal. Este ano, porém, houve contratempos de última hora. Também estava previsto levar o evento às ilhas da Boa Vista, Maio e Brava, bem como a alguns municípios do interior de Santiago, mas não será possível.
“Infelizmente, por razões logísticas e financeiras, não conseguimos ir à ilha do Sal. A Boa Vista também foi um pedido da Câmara Municipal para adiarmos essa edição na ilha”, explicou.
Na ilha Brava, sublinhou que, por questões de transporte, o plano de operações da CV Interilhas dificultou a deslocação. Contudo, Júlio do Rosário espera que, no próximo ano, o festival possa chegar a todos esses municípios e ilhas.
Segundo o promotor, esta edição enfrenta muitas dificuldades financeiras, uma vez que alguns parceiros deixaram de apoiar e outros reduziram os apoios habituais.
“Os parceiros sempre manifestaram vontade de continuar, mas este ano tiveram de apoiar a ilha de São Vicente, o que reduziu significativamente os apoios ao festival. Isso levou-me a pedir aos músicos e artistas que participassem, mesmo com as dificuldades que enfrentamos”, frisou.
Por essa razão, há artistas que gostariam de participar, mas não será possível, já que a organização não tem condições para pagar os cachês exigidos por alguns. “O que pagamos não é um cachê, mas uma gratificação simbólica. Mesmo assim, não temos possibilidade de pagar todos”, esclareceu.
Apesar das limitações, Júlio do Rosário garante que o cartaz é de qualidade e representa bem o espírito do festival.
Em relação ao balanço de mais de dez anos de Morna Fest, salientou que a equipa está satisfeita com o percurso, sobretudo com a capacidade de levar o festival a outras ilhas e com a adesão dos artistas.
“Há músicos que participam todos os anos e fazem questão de estar no Morna Fest. Querem ajudar a promover a nossa cultura e têm esse compromisso”, sublinha.
O produtor adiantou ainda que há pedidos para levar o festival ao mercado internacional. “Já tinha prometido isso no ano passado; infelizmente, não conseguimos concretizar este ano, mas continuamos a trabalhar. Esperamos que 2026 seja o ano da viragem, o ano em que conseguiremos levar o Morna Fest para o palco internacional.”
Júlio do Rosário acredita que o projecto tem condições para avançar, sobretudo com o novo Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, “uma pessoa com experiência empresarial e ligação à música, que compreende as dificuldades e tem outra sensibilidade para apoiar e ser parceiro na valorização da cultura cabo-verdiana”.
O responsável reafirma o objectivo de continuar a trabalhar com o Ministério da Cultura e o Ministério do Turismo para promover ainda mais a morna e projectá-la internacionalmente como um produto cultural de excelência.
Ajudar São Vicente
O sócio-gerente da Boa Música sublinha que o projecto mantém uma componente social e que pretendem ajudar as pessoas que perderam bens na ilha de São Vicente, ainda que a percentagem de apoio a destinar não esteja definida.
“Tendo em conta todas as dificuldades que estamos a enfrentar para colocar de pé este festival, ainda não temos uma decisão definitiva sobre a percentagem da verba que será destinada a essa causa”, enfatizou.
Morna Fest 2025 reafirma-se, assim, como um dos mais importantes eventos de celebração da morna e da identidade cabo-verdiana, um festival que resiste às dificuldades, une gerações e mantém viva a canção que é alma do país.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1252 de 26 de Novembro de 2025.
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