Sonho dos Tubarões Azuis “tropeça” nas grandes penalidades

PorSimão Rodrigues,7 fev 2024 13:58

A selecção nacional de futebol de Cabo Verde ficou às portas das meias-finais da 34ª edição do Campeonato Africano das Nações, CAN’2023, que decorre na Costa do Marfim, ao ser eliminada, no sábado, 03, pela África do Sul no desempate do jogo dos quartos-de-final (2-1), depois de um nulo a zero bolas durante os 90 minutos regulamentares + os 30 do prolongamento.

Certo é que ao longo dos 120 minutos de jogo contra a África do Sul, o combinado cabo-verdiano foi a melhor equipa nas quatro linhas do relvado do Estádio Charles Konan Banny, em Yamoussoukro, dado ao nível do futebol praticado, fruto de uma estratégia bem delineada pelo mister Bubista, que atrapalhou a táctica implementada pelo técnico dos sul-africanos.

Cabo Verde, contudo, tem a lamentar as inúmeras oportunidades de golo desperdiçadas, sendo a mais arrepiante a protagonizada pelo jovem dianteiro Gilson Benchimol ao rematar aos 90+2 minutos para o golo, valendo à África do Sul, uma monumental defesa do guarda-redes contrário, William, que deixou os adeptos cabo-verdianos boquiabertos e a torcida contrária eufórica.

Cabo Verde, já com os seus potenciais marcadores de grandes penalidades fora do relvado por opção técnica, teve ainda grandes esperanças quando o guardião Vozinha defendeu uma penalidade dos sul-africanos que ainda mandaram uma bola às nuvens, mas o desacerto da nossa selecção que apenas converteu um castigo máximo por Bryan Teixeira, foi fatal para a eliminação atlântica.

No total, a selecção cabo-verdiana falhou quatro penalties, já que Bebé, Willy Semedo, Leroy Duarte e Patrick Andrade viram o guarda-redes William travar as suas tentativas. Daí que o bom futebol patenteado pelos Tubarões Azuis ao longo deste CAN e que surpreendeu o mundo do futebol acabou, entretanto, por se esbarrar no guarda-redes William, herói da África do Sul nesse jogo, ao defender quatro penalties de uma assentada. Coisa rara!

Assim a África do Sul segue às meias-finais para disputar nesta quarta-feira com a Nigéria, sendo que a outra partida coloca frente-a-frente os anfitriões da Costa do Marfim e a República Democrática do Congo.

Certo é que Cabo Verde deixa o CAN de forma imbatível, isto é, sem uma única derrota ao longo dos cinco jogos (tempo regulamentar), com um saldo de três vitórias alcançadas ante o Gana (2-1), Moçambique (3-0) ambas na fase de Grupos, Mauritânia (1-0, nas oitavas-de-final), e dois empates (2-2 na fase de Grupos frente ao Egipto) e neste (0-0) com a África do Sul nos quartos-de-final.

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Gilson Benchimol: “Era possível fazer mais história”

O jovem avançado da selecção nacional tornou-se numa das figuras de destaque de Cabo Verde e já conta com uma legião de fãs, dada à sua boa performance nesta edição do CAN’2023, tendo deixado a sua marca na Costa do Marfim, muito pela força de um golo, duas assistências e uma grande penalidade assinalada sobre ele.

À chegada ao Aeroporto Internacional Nelson Mandela, onde foi muito aclamado pelos fãs, manifestou-se “bastante orgulhoso pelo que nós fizemos, claramente nós queríamos continuar na prova e dar mais orgulho à nossa nação, mas não foi possível. Sentimos tudo isto na pele”.

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O avançado do Benfica B, de Portugal, 22 anos, disse que era possível fazer mais história, “mas não conseguimos e ficamos num clima de muita tristeza depois do jogo, porque era algo que tínhamos ambicionado desde o início da prova e sonhamos mais”.

O atleta, para quem o golo que daria a qualificação cabo-verdiana, entretanto travado pelo guarda-redes Wiliam, que levou o esférico ao poste, “vai ficar por muito tempo” na sua memória, mostrou-se esperançado que dentro em breve a selecção de futebol de Cabo Verde vai “conseguir dar mais orgulho ao nosso povo”. 

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O povo cabo-verdiano deve ficar orgulhoso pelo que demonstramos

O seleccionador cabo-verdiano de futebol, Pedro Brito, traçou um balanço positivo da participação de Cabo Verde na 34ª edição do CAN, que já vai na sua fase final, alegando que os “Tubarões Azuis” mostraram carácter. Disse que Cabo Verde tem uma grande equipa, mas que não soube “matar o jogo” diante de uma outra grande selecção como a África do Sul.

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“Orgulho da minha equipa. Acho que fizemos uma caminhada excelente. Demonstramos durante todo o torneio um jogo positivo, sempre voltado para o ataque, organizado quando não tínhamos a bola e demonstramos que, apesar da nossa pequenez, temos as nossas possibilidades, O povo cabo-verdiano deve ficar orgulhoso que demonstramos aquilo pelo mundo fora”, realçou.

Lamentou o facto de Cabo Verde ter ficado pelos quartos-de-final num jogo que, disse, o combinado crioulo pagou caro por ter desperdiçado grandes oportunidades de ganhar o jogo, mas considera que Cabo Verde merecia estar nas meias-finais.

A selecção, reafirmou, teve uma grande margem de melhoria e que conta com um naipe de jogadores bastante jovem, que requer alguma paciência, pelo que doravante coloca o foco na qualificação para o Mundial de 2026 e no próximo CAN, já em 2025 em Marrocos.

“A nossa selecção já demonstrou ter capacidade para enfrentar qualquer equipa do nosso continente. O grande objectivo dos cabo-verdianos é ver a nossa selecção no mundial, e vamos fazer de tudo, porque queremos estar no mundial, e voltar, também, ao CAN”.

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Vozinha na primeira pessoa

“Ganhar um CAN por Cabo Verde era o maior e mais ambicioso sonho da minha carreira”

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“Um sonho que nasceu com este grupo fantástico que fez tudo para honrar a bandeira e a nação. Infelizmente não ganhei, mas colocar o nome do nosso país no patamar mais alto da África era o meu maior sonho. Lutei muito por esse sonho. Nas quatro presenças que marquei no CAN ao longo de 13 anos, sempre ao lado de grandes jogadores e apoiado por milhares de cabo-verdianos, dei tudo de mim. Deixei tudo em campo. Nunca virei a cara à luta e nunca desisti desse sonho. Infelizmente, ontem (sábado) o sonho acabou… ou foi adiado. Quero apenas que todos saibam que muito se disse, muito se escreveu, muito se especulou, mas a minha dedicação a Cabo Verde não mudou nem por um instante. Fui sempre mais um a lutar pelo objectivo de todos e jamais viraria as costas aos meus companheiros e ao meu país.

Por agora, não há muito mais a dizer. Obrigado, CABO VERDE. Obrigado, Costa do Marfim. O sonho foi bonito enquanto durou... Agora, é esperar que o tempo seja bom conselheiro e permita que cada um tire as suas conclusões”.

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Mário Semedo – acontecimento de maior promoção de Cabo Verde no mundo

O presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF), Mário Semedo, fez um balanço muito positivo da prestação dos “Tubarões Azuis” na presente edição do CAN, tendo considerado que a selecção nacional superou a África do Sul no jogo de acesso às meias-finais, pelo que lamentou a eliminação.

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Semedo enalteceu os resultados conseguidos e a exibição patenteada nos cinco jogos que Cabo Verde realizou nesta edição, e considera que a participação de Cabo Verde no CAN “possivelmente terá sido o acontecimento de maior promoção de Cabo Verde no mundo e em África e constitui um elemento muito forte da unidade nacional. Todos os cabo-verdianos, no país e na diáspora, estavam à volta da selecção”.

Para Semedo, doravante a responsabilidade e as ambições à volta da selecção nacional aumentaram, pelo que a bitola está voltada para a presença na próxima edição do CAN, prova a ser disputada em 2025 nos Marrocos, e atingir a fase final do Campeonato do Mundo tripartido por Estados Unidos da América, Canadá e México.

“Estivemos perto da final do CAN, agora o importante é mostrar às pessoas que pudemos lá chegar e trabalhar para isto. Conseguimos atingir um grande patamar”.

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De volta à terra

Cabo Verde recebe selecção em clima de grande euforia

A selecção cabo-verdiana foi recebida em clima de grande euforia desde a sua chegada, na noite de segunda-feira, ao Aeroporto Internacional Nelson Mandela, na Cidade da Praia, ainda que o grosso dos atletas deixou a comitiva em Portugal, pois seguiram viagens para os seus respectivos clubes espalhados pela Europa, América e Ásia.

O dianteiro Gilson Benchimol e o defesa Yanick Stopira foram os únicos jogadores da selecção cabo-verdiana que desembarcaram na capital cabo-verdiana juntamente com o “staff” e técnicos, no aeroporto da Praia onde foram recebidos por uma grande e entusiasmada moldura humana, representando a homenagem de toda a população cabo-verdiana.

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Do Aeroporto Praia, seguiu-se um cortejo com largas dezenas de motorizadas e viaturas que, apinhadas de fãs, das mais diversas faixas etárias, devidamente traçadas a rigor, empunhando cachecóis, com a bandeira de Cabo Verde no centro das atenções até ao largo do mítico Estádio da Várzea, onde a comitiva foi “honrada” com um espectáculo musical organizado pela marca patrocinadora Alou Cabo Verde.

O grupo Ferro Gaita juntou-se aos artista SOS Mucci e Tikay e ao Dj Straga nesse momento de reconhecimento pelo feito alcançado na 34ª edição do Campeonato Africano das Nações, que o presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol, Mário Semedo, considerou tratar-se do acontecimento de maior promoção e união do país no mundo.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1158 de 7 de Fevereiro de 2024. 

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Autoria:Simão Rodrigues,7 fev 2024 13:58

Editado porClaudia Sofia Mota  em  24 fev 2024 18:20

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