Ramos Delgado
O cabo-verdiano que foi capitão da Argentina e colega de Pelé
José Manuel Ramos Delgado nasceu em Quilmes, Buenos Aires, a 26 de Agosto de 1935, filho de um emigrante de São Vicente. Depois de se destacar no Lanús, transferiu-se para o River Plate, onde se afirmou como um dos melhores defesas da Argentina, distinguindo-se pela elegância, inteligência tática e capacidade de liderança. Estreou-se pela selecção argentina no dia 20 de Abril de 1958 frente ao Paraguai. Como era típico nos países latino-americanos, a alcunha de Ramos Delgado era “El Negro”, visto que era claramente um indivíduo mulato.
O pai, Faustino (oriundo de São Vicente) cresceu no Bairro La Colonia, em Quilmes, cidade que fica localizada a 16 km a Sul de Buenos Aires. Ali, ficou entregue aos cuidados de uma conceituada e enraizada família do bairro que dava pelo nome de Feo e foi aí que também conheceu e casou com uma jovem siciliana.
José Manuel recebeu do pai o sobrenome Ramos, e Delgado da mãe, Maura Scialabba Delgado, nascida na Sicília, em Itália.
Conhecido no seu bairro por “Tatún”, Ramos Delgado começou a jogar futebol aos 6 anos com outros miúdos do bairro, mas a sua grande e verdadeira paixão era o basquetebol.
Ramos Delgado poderia ter começado a carreira no River Plate, mas não foi aprovado pelos responsáveis técnicos nos testes que lá fez, porque recusou ser colocado a defesa esquerdo visto que nessa altura considerava que a posição onde melhor poderia dar nas vistas era no meio-campo.
Dado que no River Plate dos anos 40 já havia brilhado um médio (ou volante), chamado José Ramos, também ele curiosamente nascido em Quilmes, Ramos Delgado talvez para se diferenciar dele, usou os dois sobrenomes – algo não muito comum no futebol argentino.
Em 1956, quando finalmente se estreou na equipa principal do “granate”, estava a prestar o serviço militar.

Ramos Delgado é o segundo de pé da esquerda para a direita da foto.
Internacional em 25 ocasiões, participou nos Campeonatos do Mundo de 1958 e 1962 e tornou-se o primeiro jogador negro a capitanear oficialmente a selecção argentina e o River Plate. Entre 1964 e 1965, “El Negro” tornou-se titular absoluto da “Albiceleste” e foi o capitão da equipa que ganhou a Copa das Nações de 1964 disputada no Brasil, superando Portugal, Brasil e Inglaterra.

Ramos Delgado é o segundo de pé da direita para a esquerda.
Em 1967 iniciou uma nova etapa no Santos para substituir Mauro Ramos. Recomendado por Pelé, Gilmar e Carlos Alberto Torres, rapidamente conquistou o seu lugar numa das maiores equipas da história do futebol. Entre 1967 e 1972 disputou mais de trezentos jogos, conquistou três Campeonatos Paulistas, o Campeonato Brasileiro de 1968, a Recopa Sul-Americana e a Recopa Mundial, sendo também capitão da equipa durante vários anos.

A amizade com Pelé ultrapassou os relvados: o "Rei" do futebol chegou a ser padrinho de uma das suas filhas.

Depois de terminar a carreira como jogador, Ramos Delgado dedicou-se ao treino e à formação de jovens atletas. Faleceu em 2010, deixando um legado que o coloca entre os maiores defesas da história do futebol sul-americano e como um dos primeiros grandes nomes da diáspora cabo-verdiana no desporto mundial.
Alberto Britos
O filho de emigrantes cabo-verdianos que se tornou ídolo do Independiente
Alberto Arcángel Britos Ramos nasceu em Avellaneda, Buenos Aires, a 25 de Março de 1931. Filho de Joaquim Britos e Rosa Ramos, emigrantes cabo-verdianos, cresceu numa comunidade fortemente ligada ao associativismo da diáspora, da qual o pai foi um dos dinamizadores.
A emigração cabo-verdiana para esse país sul-americano aumentou drasticamente a partir dos anos 20 do século passado e prosseguiu até à Segunda Guerra Mundial, sendo que os períodos de maior actividade foram entre 1927 e 1933, e depois em 1946.
Alberto foi o oitavo dos dez filhos do casal, formado por seis rapazes e quatro raparigas. Alberto Britos é um filho típico da diáspora cabo-verdiana.
Alberto Britos, como passou a ser conhecido no mundo do futebol, é considerado um dos grandes ídolos do Independiente mesmo sem ter ganho qualquer título no clube de Avellaneda.
Depois de passar pelas camadas jovens do Racing, ingressou no Independiente, onde se estreou como profissional em 1952. Defesa versátil, capaz de actuar no centro ou na lateral direita, rapidamente conquistou a titularidade e tornou-se uma das figuras da equipa durante toda a década de 1950.

Alberto Britos é o terceiro de pé da direita para a esquerda.
Entre 1952 e 1959 realizou 156 jogos oficiais pelos "Diablos Rojos", integrando equipas que disputaram os primeiros lugares do campeonato argentino e partilhando o balneário com algumas das maiores figuras do futebol do país, como Rodolfo Michelli, Ernesto Grillo, Carlos Cecconato e os irmãos Emilio e José Varacka.
Em 1960 transferiu-se para o América de Cali, por indicação do lendário Adolfo Pedernera. Na Colômbia ajudou o clube a alcançar, pela primeira vez, o segundo lugar no campeonato nacional. Regressou depois à Argentina para representar o Estudiantes de La Plata, encerrando aí a carreira.
Embora menos conhecido internacionalmente do que Ramos Delgado, Alberto Britos foi igualmente um pioneiro. A sua carreira confirma a importante presença dos descendentes de cabo-verdianos no futebol argentino e faz dele um dos primeiros embaixadores de Cabo Verde nos relvados da América do Sul.
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