Mas, se a Espanha foi a grande vencedora do torneio disputado nos Estados Unidos, México e Canadá, houve outra selecção que conquistou a admiração do mundo: Cabo Verde.
Na sua estreia absoluta numa fase final do Mundial, os Tubarões Azuis escreveram uma das mais belas páginas da história do desporto nacional. A selecção nacional de futebol não se limitou a participar. Competiu de igual para igual com algumas das maiores potências do futebol mundial, qualificou-se para os 16 avos-de-final e só foi eliminada pela vice-campeã Argentina, por 3-2, depois de obrigar os sul-americanos a sofrerem até ao apito final.
A campanha ficará para sempre gravada na memória dos cabo-verdianos.
Cabo Verde surpreendeu o mundo ao empatar com a futura campeã Espanha, empatou a dois golos com o Uruguai e terminou a fase de grupos com mais um empate frente à Arábia Saudita garantindo um histórico apuramento para a fase a eliminar.
Nos 16 avos-de-final, frente à Argentina de Lionel Messi, voltou a mostrar personalidade e qualidade, caindo apenas pela margem mínima.
Mais do que os resultados, foi a forma como competiu que colocou Cabo Verde entre as grandes histórias deste Campeonato do Mundo.
O golo de Sidny Lopes Cabral entrou para a galeria do Mundial
Entre os momentos mais marcantes da competição, poucos tiveram tanto impacto como o golo de Sidny Lopes Cabral frente à Espanha.
O remate que valeu o empate diante dos argentinos rapidamente correu o planeta e é apontado por vários analistas e órgãos de comunicação internacionais como um dos mais fortes candidatos ao prémio de melhor golo do torneio.
Independentemente do resultado final que decorre no site da FIFA, o lance já ocupa um lugar especial na história do futebol nacional e simboliza a capacidade dos Tubarões Azuis para desafiar as maiores selecções do mundo.
Espanha dominou também os prémios individuais
O título mundial foi acompanhado por uma autêntica chuva de distinções para a selecção espanhola.
Rodri recebeu a Bola de Ouro, atribuída ao melhor jogador da competição, depois de liderar uma equipa que combinou qualidade técnica, inteligência táctica e enorme consistência ao longo de todo o torneio. O guarda-redes Unai Simón conquistou a Luva de Ouro, enquanto o defesa Pau Cubarsí foi eleito o Melhor Jovem do Mundial.
A única grande distinção individual que escapou aos campeões do mundo foi a Bota de Ouro.
Mbappé, o rei dos goleadores
O francês Kylian Mbappé terminou o Campeonato do Mundo como melhor marcador, com dez golos, conquistando pela segunda vez consecutiva a Bota de Ouro e reforçando o estatuto de um dos maiores goleadores da história da competição. Apesar de a França não ter conseguido chegar à final, o avançado voltou a protagonizar uma campanha individual de enorme nível.
Cabo Verde foi a grande sensação
Todas as edições do Mundial produzem uma selecção surpresa. Em 2026, esse papel pertenceu a Cabo Verde.
Num torneio onde participaram 48 selecções, poucos esperavam que os Tubarões Azuis ultrapassassem a fase de grupos. Muito menos que discutissem de igual para igual com Espanha e Argentina.
A organização defensiva, a personalidade demonstrada nos momentos decisivos, a qualidade colectiva e o espírito competitivo fizeram da equipa orientada por Bubista uma das grandes revelações da prova, recebendo elogios da imprensa internacional e conquistando milhares de novos adeptos em todo o mundo.
Brasil foi a maior desilusão
Se Cabo Verde excedeu todas as expectativas, o Brasil protagonizou o percurso mais decepcionante entre os favoritos.
A selecção brasileira, apontada antes do torneio como uma das principais candidatas ao título, foi eliminada logo nos oitavos de final pela Noruega, falhando claramente os objectivos traçados. Também Alemanha e Países Baixos ficaram aquém do esperado, mas nenhuma eliminação teve o impacto da queda precoce da selecção canarinha.
Um Mundial que abriu uma nova era
O primeiro Campeonato do Mundo disputado por 48 seleções ficará para a história por diversos motivos. Espanha confirmou o regresso ao topo do futebol mundial, Mbappé voltou a dominar a lista de goleadores e Rodri afirmou-se como o melhor jogador da competição.
Para Cabo Verde, porém, o legado vai muito além dos números.
A estreia dos Tubarões Azuis mostrou que a selecção nacional pertence ao mais alto nível competitivo e pode enfrentar qualquer adversário sem complexos. A campanha deixou uma marca profunda no país e alterou a forma como o futebol cabo-verdiano é visto além-fronteiras.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1286 de 22 de Julho de 2026.
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