Futuro do sector pesqueiro nacional passa pela sua industrialização

PorExpresso das Ilhas, Inforpress,15 nov 2019 8:37

O secretário de Estado para Economia a Marítima, Paulo Veiga, disse esta quinta-feira que os estudos apontam que a pesca costeira em Cabo Verde está a ir além do que se deveria e defendeu a necessidade de se apostar na apanha industrial.

O governante falava à Inforpress, à margem da academia “O futuro do trabalho e os empregos do futuro”, promovida pelo Governo de Cabo Verde no quadro do programa de Apoio ao Emprego, Empregabilidade e Inserção- Jov@Emprego, na qual participou no painel “Os empregos do futuro no sector da Economia Azul”.

“Com é que podemos transformar isto? Podemos ir mais para a pesca semi-industrial ou industrial, permitindo que os nossos pescadores possam ir pescar mais longe da costa e capturar outros tipos de peixes”, indicou.

Conforme garantiu, isso vai permitir a reposição do estoque dos peixes que são consumidos em Cabo Verde.

“Estamos a desenvolver um projecto para criarmos reservas para proteger os ecossistemas, que vai permitir esta reposição dos recursos”, salientou.

Sobre as críticas referentes aos acordos de pesca, Paulo Veiga explicou que a razão da existência desses acordos é porque Cabo Verde “não consegue explorar” os recursos que passam a mais de 18 milhas da costa.

“Ainda não temos a capacidade de os explorar e muito menos chegar ao limite que é permitido”, justificou, reforçando, que, por esta razão, a convecção internacional diz que o país deve permitir fazer acordos de pesca com outros países.

O governante acrescentou ainda que existem peixes migratórios que, segundo ele, se não forem capturados em Cabo Verde, podem ser apanhados em outros sítios.

“Portanto, aqui o país tem que tirar proveito dos recursos económicos que tem”, afirmou, lembrando que é preciso criar valências na fiscalização, tendo em vista a eliminação da pesca ilegal e não controlada.

Entretanto, o secretário de Estado assegurou que o Governo está a trabalhar junto da comunidade sub-regional das pescas para que haja uma fiscalização conjunta.

“Às vezes um barco pode estar a fazer uma pesca ilegal nas nossas águas, mas depois pode ir para Senegal e, neste caso, não conseguimos o controlar. Sabemos que temos parcos recursos”, demonstrou.

No mesmo evento, Paulo Veiga abordou igualmente o tema da economia azul defendendo que o seu fortalecimento passa por tirar proveito do que a natureza oferece, mas “sempre salvaguardando, de forma sustentável,” os ecossistemas marinhos.

Conforme garantiu, o executivo está a desenvolver as políticas para o sector, nomeadamente o Plano Nacional, assim como de Investimento e o da Promoção da Economia Azul.

“O plano de investimento identifica os nichos e os potenciais que podemos desenvolver a nível das pescas, do turismo, ecoturismo, assim como das outras áreas relacionadas com os oceanos. Também, cria mecanismos para este efeito”, explicou.

Posteriormente, adiantou o governante, a aposta passa pela promoção e dar a conhecer aos cidadãos e às comunidades, a fim de poderem investir no sector, tendo como base o plano nacional que dá “as orientações gerais”.

Segundo Paulo Veiga, todos os investimentos que têm em consideração o conceito da Economia Azul devem ter um “forte pendor” na conservação dos ecossistemas dos oceanos, mas também no envolvimento das comunidades e população em geral.

A título de exemplo, o secretário de Estado apontou a aposta numa indústria, que, no seu entender, deve apresentar um projecto completo no qual vai explicar como é que se vai aproveitar os desperdícios e gerar outras formas de negócios, envolvendo outras pessoas.

Por outro lado, complementou, o projecto deve demonstrar como é que se vai preservar os ecossistemas que podem ser afectados pela indústria.

“Aqui o conceito tem que ser integral e global”, resumiu, reforçando que além do turismo, sector portuário e das pescas, vários nichos de mercado relacionados com a Economia Azul podem ser aproveitados no país.

“Temos que desenvolver a aquacultura, que ainda estamos numa fase muito embrionária e podemos, também, apostar na biotecnologia azul, que ainda nem tocamos”, reconheceu.

Sobre a biotecnologia azul, disse que são necessários investimentos na exploração dos recursos marinhos a fim de se criar produtos para as farmácias e indústrias.

“Cabo Verde tem um grande potencial nisso e pode produzir e exportar produtos, tirando o máximo proveito”, enfatizou, elencando ainda o nicho dos desportos náuticos.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Inforpress,15 nov 2019 8:37

Editado porSara Almeida  em  5 dez 2019 23:21

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