Tudo num click : Empreendedores nacionais apostam na venda online

PorSheilla Ribeiro,16 fev 2020 8:43

Os hábitos de consumo interno dos cabo-verdianos começam a mudar. Isso, graças ao aparecimento de serviços que estão hoje ao alcance dos dedos, quer através das redes sociais, sites ou aplicativos (App). Na Cidade da Praia e na ilha do Sal, por exemplo, já se pode comprar bilhetes de festas e outros eventos culturais através do App Passafree.

Passafree é uma marca que existe há quase quatro anos e que, entretanto, enquanto aplicativo tem dois anos de vida. Actualmente é uma plataforma de gestão e venda de bilhetes, além de ser um canal de publicidade de eventos, conforme relata a dona do App, Helga Freire.

“Antes eu vendia na rua, as pessoas ligavam, pediam bilhetes e eu levava. Agora, as pessoas instalam o aplicativo, compram e levantam o bilhete na porta do evento”, acrescenta a empreendedora.

Após comprar um bilhete no App, no dia do evento, o usuário encontra uma equipa de Passafree na porta devidamente identificada, com um leitor que faz a ligação do QR Code para que possam entrar.

As vendas

As vendas dos bilhetes, conforme Helga Freire, dependem da época. “Os meses de Janeiro, Fevereiro até Março, que é a época mais tranquila, as pessoas decidem sair em cima da hora. Então normalmente há pouco fluxo de vendas antecipadas. Mas, Dezembro, que é uma época em que há muitos emigrantes, há muita procura. E, as pessoas já têm uma ideia de que vão sair, então vendemos muito mais antecipadamente”, relata.

Espectáculos culturais e apresentações de standup commedy são os eventos que mais vendem antecipadamente, de acordo com a empreendedora. Derivado do sucesso do aplicativo, agora disponibilizam bilhetes para workshops pagos. “Brevemente, será possível comprar formações”, anunciou.

“Há algumas formações pagas, em que é necessário fazer uma inscrição prévia, só que pedem para fazer depósito no banco, mas agora, a partir do Passafree a pessoa pode registar-se e pagar no aplicativo”, explica.

Mini-mercado online

O minimercado Leonel e Domingas existe há 4 anos. Em Fevereiro de 2017 começou a fornecer aos clientes o serviço de entrega domiciliar, após compras presenciais. Mas, depois de perceber que muitos clientes eram limitados por questões de tempo para ir às compras, ampliaram a oferta de serviços, conforme explica o sócio Leonel Barbosa Gonçalves.

“Percebemos que havia funcionários que não tinham tempo de vir aqui, então resolvemos criar um sistema de pedido via Viber, ou pelo telefone fixo e as pessoas ligam a pedir. Também temos uma página no Facebook onde as pessoas podem fazer o seu pedido, daí que entramos nesse ramo de e-commerce”, descreve.

No Facebook, esclarece Leonel Gonçalves, basta o cliente clicar no “Comprar Agora”, aparece um conjunto de produtos disponíveis no minimercado e efectuar o pagamento, enquanto que no App Viber, a pessoa deve adicionar o número do minimercado, enviar a sua lista de compra. O pagamento é feito na entrega com o cartão Vinti4 ou em dinheiro.

Taxi online

Victor Pinto, mentor do aplicativo CVTaxi expende que o App é uma plataforma de requisição de Taxis, onde os clientes fazem o pedido, escolhendo onde querem que o taxista os apanhe e onde levá-los.

“O Taxi disponível que estiver mais próximo, recebe uma notificação e dirige-se ao local onde o cliente estiver”, afirma.

Os Taxis disponíveis no App resultam de uma parceria entre o CVTaxi e a Associação de Taxi e outros taxistas independentes. Actualmente, Victor Pinto diz que há 15 taxistas registrados. Criado em Novembro de 2019, até agora foram realizadas 80 viagens na cidade da Praia e em São Vicente, através do aplicativo.

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Como funciona o CVTaxi

Segundo Victor Pinto, o taxista recebe uma notificação no seu aplicativo. Na notificação aparece a foto do cliente, o lugar onde se encontra e ao aceitar o pedido poderá ver a indicação do caminho que deve percorrer para chegar ao cliente.

O cliente, por sua vez, recebe uma notificação com a matrícula do Taxi, foto e nome do taxista. Quando o carro chegar à localização do usuário, o mesmo recebe uma notificação que o Taxi chegou.

A questão do endereço, consoante Victor Pinto, foi um desafio e acredita que com o tempo será totalmente ultrapassado.

“Criamos pontos de interesse em todos os bairros, permitimos ainda aos clientes, através do mapa, criar os seus próprios pontos de interesse e guardar nos favoritos”, menciona o empreendedor que informa que actualmente há uma central instalada que permite às pessoas pedirem Taxi também através do telefone. Actualmente o uso da plataforma é totalmente grátis.

Desafios e perspectivas do futuro

Para Helga Freire há futuro para as vendas online no mercado nacional devido à facilidade em procurar o produto sem sair de casa.

“Perto ou longe, nós arranjamos um fornecedor. No meu caso, os promotores de eventos são os meus fornecedores, fornecem-me bilhetes e eu vendo-os. É prático e de qualquer maneira estou ajudando outras pessoas a desenvolver o seu negócio”, pondera.

Helga Freire sublinha ainda que um produtor de evento realiza sua festa e precisa que as pessoas a frequentem. E, por essa razão, prossegue, a função do Passafree é “levar” as pessoas às festas. Avança ainda que, até o momento, o aplicativo foi instalado em mais de 200 mil aparelhos smatphones e android e em cerca de 300 aparelhos do IOS.

“Mas, esse número é sazonal porque os emigrantes baixam o aplicativo e quando as férias terminam desinstalam e voltam a instalar quando regressam a Cabo Verde”, frisa.

Helga Freire revela ainda que na ilha de Santiago o Passafree já trabalhou no interior e que, devido à experiência, considera ser necessário trabalhar na sensibilização das pessoas no que se refere a compras online.

“Ainda não têm confiança para comprar on-line. Então, para conseguirmos trabalhar bem no interior da ilha temos de trabalhar antes na sensibilização das pessoas. O público ainda é resistente a compras online”, afirma.

Num evento como o Kriol Jazz, por exemplo, diz esta jovem empreendedora, conseguem vender mais porque este tipo de acontecimento desperta o interesse de pessoas mais velhas e que têm maior poder de compra.

“E os eventos mais caros vendem mais que os baratos. Notei que o público de SunSet, por exemplo, que acontece todos os domingos, não é um público que eu possa dizer que tem um cartão Vinti4, ou muito dinheiro para comprar. Mas com o Sigui Sabura, muitas pessoas emprestam o cartão de amigos ou familiares para comprar”, acrescenta.

Outras opiniões

Leonel Gonçalves declara que apenas 10% do total das vendas do minimercado são feitas online, quer seja através do aplicativo Viber ou na rede social Facebook. Refere ainda que tem um projecto de aplicativo do minimercado, de forma a introduzir um novo cenário no mercado nacional.

“Queríamos colocar esse produto no mercado ainda este ano, só que a tendência no mercado é algo que nos limita muito”, lamenta Leonel Gonçalves apontando que o facto de os fornecedores venderem a retalho dificulta o negócio, uma vez que não poderá vender também a retalho no mesmo preço.

“Podemos dizer que estamos ainda no início, e por causa do cenário que descrevi ainda não queremos muito investir. Essa é uma das barreiras que temos. Temos tentado ultrapassar essa barreira mas é um pouco complicado”, especifica.

Victor Pinto, por sua vez, diz que há pouca resistência do público ao App CVTaxi. Mas, acredita que por ser uma plataforma recente, principalmente para os taxistas, estes ainda não aceitaram totalmente a sua existência.

“Por isso, temos feito um trabalho de sensibilização junto aos taxistas que têm mostrado alguma resistência. Os taxistas mais jovens têm mais facilidade em aceitar a parceria. Mas acreditamos que com o tempo as grandes vantagens que a plataforma oferece vão falar mais alto”, pressupõe.

Para o dono do CVTaxi, entre outras vantagens que o aplicativo oferece constam a segurança do taxista e do cliente, tendo em conta que o taxista vai saber quem vai buscar e o cliente vai saber quem é o taxista e o registo da viagem feita, o que facilita a recuperação de objectos que possam ser perdidos na viatura.

“Sem falar que é mais cómodo para os clientes que mesmo dentro de casa podem pedir um Taxi e sair apenas quando o mesmo chegar”, mostra.

Porquê a resistência?

Numa entrevista concedida ao Expresso das Ilhas, em Março de 2018, o manager da loja online do Benfica, Marco Bento afirmou que as elevadas taxas alfandegárias e a falta de conhecimento das pessoas têm condicionado o crescimento do e-commerce em Cabo Verde.

“É um processo pedagógico que tem que ser feito, mas para o fazer têm que ser sites em Cabo Verde a fazer esse trabalho”, realçou Marco Bento. Além disso, alegou que há que informar o público sobre a segurança do pagamento online.   

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 950 de 12 de Fevereiro de 2020. 

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Autoria:Sheilla Ribeiro,16 fev 2020 8:43

Editado porFretson Rocha  em  11 nov 2020 23:21

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