“Se há um aeroporto capaz de receber um ATR72 nós iremos lá”

PorAndre Amaral,22 mai 2021 8:27

Nuno Pereira, CEO da BestFly Angola esteve em Cabo Verde para assinar o contrato de concessão emergencial com o governo por causa da possível saída da TICV do mercado. “No chamado de um povo irmão, nós, enquanto angolanos, tivemos de vir porque Cabo Verde, em anteriores ocasiões, não nos deixou ficar mal”, diz.

A BestFly chegou, começou a operar em Cabo Verde mas, pelas informações vindas a público, já estão no país há mais tempo.

Foi em 2015 que iniciámos o nosso projecto em Cabo Verde. Na altura não entrámos porque vimos que o mercado não daria para mais uma empresa. No momento em que nós chegamos, quero dizer que acima de tudo a nossa obrigação perante o governo de Cabo Verde e o povo cabo-verdiano, foi de não deixar um vazio. Não me compete entrar em detalhes sobre o que aconteceu. No entanto, no chamado de um povo irmão, nós enquanto angolanos, tivemos de vir porque Cabo Verde, em anteriores ocasiões, não nos deixou ficar mal. Portanto, enquanto empresa do sector do secto aéreo, fizemos aquilo que nos competia, que era ouvir o chamamento de alguém que precisava de um auxílio num momento de emergência e cumprir. Foi isso que fizemos.

Cabo Verde é um mercado atractivo para duas companhias aéreas, mas mais do que isso já não?

Correcto. Mas isso é natural. Estamos a falar de um país que é insular e que precisa deste tipo de serviço mas tem uma população residente muito pequena. Com muitas empresas o que aconteceria era uma fragmentação do mercado e qualquer investidor precisa de retorno. Com certeza que a Binter não esteve aqui por favor e, se calhar, o que está a acontecer tem outros contornos que não me compete a mim falar.

A BestFly começou por ser uma empresa de handling. O governo quer privatizar a CVHandling é um negócio que vos interessa? Já começaram as negociações?

É um negócio que nos interessa. Porque na nossa génese somos uma empresa de handling, de ground support. No entanto, o que nos trouxe nesta altura foi atender a um chamado e foi nisso que nos concentramos. Agora, o que vai acontecer, estamos abertos. Agora nós, enquanto empresa que está aberta para o negócio e que tem a sua política de internacionalização, temos interesse nesse negócio do handling e estaremos abertos a explorar. Mas ainda não temos nada iniciado.

Qual é a frota da BestFly?

Neste momento operamos com vinte aeronaves, maioritariamente jactos executivos, temos dois ATR 72-600. Assinamos com o advento de Cabo Verde mais um ATR 72 que é a aeronave que vamos trazer a muito curto prazo e que está na África do Sul a fazer a sua manutenção. Porque nós acreditamos que para fazermos um serviço de qualidade não podemos trazer uma aeronave que ainda tenha a manutenção por fazer. Daí a demora, o lapso de tempo, entre o avião que chegou e o outro que chegará para assegurar a segunda aeronave local. Mas como disse o ministro [Carlos Santos] nós garantimos que temos um back-up para qualquer eventualidade com a nossa aeronave que está cá em Cabo Verde.

O mercado nacional tem ilhas bastante concorridas mas tem outras que não são assim tão interessantes do ponto de vista do negócio. A BestFly vai assegurar a ligação a todas as ilhas?

A BestFly vai cumprir aquilo que é a obrigação de serviço público, que é garantir a conectividade para todo e qualquer cidadão cabo-verdiano independentemente da ilha onde esteja. Se há um aeroporto capaz de receber um ATR72 nós iremos lá.

A nível da estrutura da empresa, quando começam a abrir as lojas?

Nós temos uma política ligeiramente diferente das companhias aéreas tradicionais. Nós somos uma empresa que, para que este negócio tenha sucesso e para que esta operação tenha sucesso, de forma a não onerar o Estado cabo-verdiano, porque o nosso interesse não é receber subsídios do Estado mas sim garantir que temos uma operação sustentável. A nossa intenção é ficarmos no mercado para além dos seis meses do contrato emergencial. Portanto, temos de garantir que a nossa operação, por si, sem contar com subsídios do Estado, é sustentável. Então vamos aplicar uma metodologia que é muito comum na Europa e que é similar às low-cost em que não temos uma estrutura muito grande, mas sim eficiente e capaz de oferecer um serviço de qualidade e excelência. Porque a BestFly orgulha-se nisso. Na pergunta que me fez em relação à frota, nós operamos em Angola e somos uma empresa de referência no país para um nicho muito exigente, que é o mercado petrolífero. Nós é que somos uma das principais provedoras de serviços para o mercado petrolífero e queremos replicar este nível de serviço na nossa actividade em Cabo Verde.

A vossa frota inclui helicópteros. Cabo Verde há anos que procura helicópteros para eventuais evacuações médicas...

We are open for business. É um dos principais serviços que prestamos em Angola. Nós temos helicópteros equipados e preparados para garantir a assistência médica. Nós identificamos isso no mercado cabo-verdiano como uma falta que existe. Faz parte da nossa estratégia de poder começar a oferecer outros serviços que não só o tradicional transporte aéreo. A aviação não é só a operação regular como as pessoas conhecem.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1016 de 19 de Maio de 2021. 

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Autoria:Andre Amaral,22 mai 2021 8:27

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  3 dez 2021 23:20

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