BestFly passa a operar através da TICV “dentro de dias”

PorNuno Andrade Ferreira,17 jul 2021 8:28

Salvaguarda dos postos de trabalho da TICV é objectivo, mas despedimentos não estão excluídos. São Vicente e Sal voltam a ter voo directo. CVHandling interessa. CVA nem por isso.

Dias após o anúncio do negócio entre a BestFly World Wide (BFWW) e a Binter, para a compra da operação da empresa espanhola em Cabo Verde, Nuno Pereira, que passa agora a deter 70% da TICV (os outros 30% são do Estado), revela mais detalhes sobre o futuro da companhia.

Ao Panorama 3.0, da Rádio Morabeza, Pereira admite que, com a mudança na estrutura accionista, é natural que aconteça uma reestruturação da transportadora aérea e que o processo possa implicar redução do quadro de pessoal. O accionista único da BFWW recorda que a pandemia condicionou o sector da aviação civil.

“Como em todos os negócios, tem que haver reestruturação, mas ainda é prematuro estarmos a falar sobre isso, porque temos que fazer uma análise das valências técnicas e operacionais. O que posso garantir é que vai haver continuidade de postos de trabalho, se são todos, ou não, isso não consigo dizer agora, porque ainda estamos numa fase de transição e de criação de sinergias”, avança.

“Se estivéssemos a voar a níveis de 2019, eu garantir-lhe-ia que não haveria qualquer tipo de mudança, mas estamos limitados, temos menos passageiros do que seria normal nesta altura. Estamos a fazer esta análise e muito em breve teremos notícias em relação a esse aspecto”, acrescenta.

O também CEO da BestFly (a companhia angolana com a qual o governo assinou um contrato de seis meses para assegurar os voos inter-ilhas) espera transferir a operação para a TICV com a maior brevidade possível.

“Não faria sentido que tivéssemos feito esse investimento e demorássemos uma eternidade a reactivar a actividade da empresa. Quando digo muito brevemente, é dentro dos próximos dias”, comenta.

A data concreta, explica, depende do cumprimento de pressupostos legais que permitirão passar da actual situação emergencial, via BestFly, para outra, a título definitivo, com a TICV.

Nessa altura, será possível voltar a comprar bilhetes online, no site da companhia (TICV), e não apenas nas agências de viagem, como acontece agora.

Antes disso, um novo horário permite reforçar, no imediato, a oferta de voos e assegurar ligações à terça-feira. Nuno Pereira antecipa, portanto, “um reforço da actividade imediata, que vai diminuir um pouco a pressão que existe”.

Para breve está prevista a abertura de novas rotas, nomeadamente a ligação São Vicente-Sal, que desde Maio deixou de ser opção para os passageiros.

Os planos para a frota mantêm-se como anunciados, com duas aeronaves ATR 72-600. Ponderação é a palavra de ordem.

“Todos os investimentos têm que ser feitos com muita cautela, porque não estamos ainda em situação normal de viagens e se formos demasiados apressados nos investimentos que fazemos, podemos colocar em causa todo o projecto”, recorda à Rádio Morabeza.

Outros negócios

Sobre a consolidação da posição em Cabo Verde, Nuno Pereira volta a ser peremptório e confirma o interesse na CVHandling. A empresa pública de assistência em terra, que integra o plano de privatizações do governo, interessa ao empresário angolano, que acredita que o negócio do handling no arquipélago pode ser “muito interessante”.

“Se um dia o governo decidir fazer um concurso público para privatizar a CVHandling, pode ter a certeza que a BestFly estará presente e fará uma proposta, porque a nossa génese é de empresa de handling”, reforça.

Sobre a Cabo Verde Airlines (CVA, marca comercial da TACV), poucas certezas. “Eu preferia não falar sobre isso”, responde.

“A CVA é uma empresa que toca muito no coração dos cabo-verdianos, porque como bons africanos que somos temos muito orgulho nas nossas companhias de bandeira, então, eu preferia que esse assunto fosse tratado por quem de direito”, observa.

O novo homem-forte da Transporte Interilhas de Cabo Verde garante estar comprometido com a operadora, que acredita ter um “potencial brutal”.

“Não vejo a necessidade de aquisição de uma outra empresa, seja a CVA ou uma outra operadora no mercado cabo-verdiano”, conclui.

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Lista negra

“A BestFly é a entidade de aviação mais auditada em Angola”

A BestFly Aircraft Managment Angola está proibida de voar para a União Europeia, medida que se estende às outras companhias angolanas, com excepção da TAAG e da Heli Malongo.

Questionado sobre as razões para que isto aconteça, Nuno Pereira esclarece que tudo se deve à situação do Instituto Nacional de Aviação Civil (INAVIC), a autoridade angolana de supervisão do sector, referenciada por Bruxelas por falhas nos protocolos e regulamentos de segurança.

“Devo dizer, para assegurar a toda a população, que a BestFly é a entidade aeronáutica e de aviação mais auditada em Angola. Nós sofremos 12 a 15 auditorias de segurança, em média, por ano, mesmo em período de pandemia”, garante.

“As cinco grandes empresas petrolíferas que operam em Angola, que têm os seus próprios mecanismos de supervisão das operadoras que lhesprestam serviço, fazem auditorias regulares à BestFly e têm a BestFly como empresa de topo”, assegura.

Em Cabo Verde, a supervisão é feita pela Agência de Aviação Civil, com “inspecções constantes e regulares”.

“Até agora, não tivemos qualquer tipo de observações negativas por parte da AAC”, declara. 

com Fretson Rocha

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1024 de 14 de Julho de 2021.

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Autoria:Nuno Andrade Ferreira,17 jul 2021 8:28

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  27 out 2021 23:21

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