São Vicente: Especialistas sugerem terminal de transbordo na zona Morro Branco – Lazareto

PorFretson Rocha, Rádio Morabeza,10 jun 2024 14:50

Toda a actividade de mercadorias do Porto Grande do Mindelo pode, a longo prazo, ser deslocalizada para um terminal construído de raiz na zona do Morro Branco – Lazareto, por forma a aumentar o movimento portuário e a competitividade da economia. No actual porto ficaria apenas o tráfego de cabotagem. Posição defendida, hoje, por especialistas ligados a construções portuárias, dinâmica costeira e gestão portuária.

Durante o 3º Seminário do ciclo de conferências “Mindelo: Zonamento, Ordenamento e Requalificação da Orla Marítima”, Luís Nataniel Silva, especialista em construções portuárias e dinâmica costeira, disse que a curto prazo é possível fazer obras de expansão para duplicar a capacidade do porto, mas que a solução futura passa por um novo terminal.

“Para o longo prazo, o ideal era transformar o porto actual em uma zona de passageiros, de viaturas ligeiras e cruzeiros e devolver os terraplenos para zonas de lazer e turismo. E transformar tudo o que é pesca, estaleiros naval, cabotagem e terminal de contentores para um novo porto na zona Sul”, defende.

O seminário, com enfoque na orla marítima do Mindelo, teve como moderador o gestor portuário e antigo PCA da Enapor. Em entrevista à Rádio Morabeza, Franklin Spencer defende que para horizonte 2035/2040, tudo o que são mercadorias devem ser deslocalizadas para um terminal de transbordo com localização na zona de Morro Branco – Lazareto, numa parceria público-privada.

Spencer afirma que a última versão do projecto, apresentado há menos de uma década por uma empresa chinesa, custava 250 milhões de euros.

“Se nós conseguirmos ter um terminal de contentores e termos companhias interessadas em investir e que, por exemplo, introduzem na linha navios de dois mil a três mil contentores, o custo de transporte marítimo baixará, de certeza, de mil para 600 euros. Nós teremos uma redução de cerca de 30 a 40% no transporte marítimo, que vai reflectir no produto final de 5% a 10%. Se continuarmos a crescer só com o consumo interno, mais o turismo com base no nosso desenvolvimento endógeno económico, para podermos reduzir esse custo de transporte, precisamos de 40 a 50 anos”, diz.

Na sessão, José Fortes representou a Enapor. O responsável realça que a empresa está a apostar “fortemente” no projecto de Expansão do Porto Grande, num valor de 80,5 milhões de Euros, para poder duplicar o tráfego de mercadorias de um milhão para 2,5 milhões em 2047.

“A expansão é a continuação do actual porto para o exterior, em direcção ao ilhéu. Vamos abrir o último cais para uma largura de 120 metros, profundidade de não menos de 12 metros e depois contruir-se-á um quebra-mar com um cais interior que terá capacidade de receber navios de granéis líquidos e de granéis sólidos. Poderemos assim disponibilizar o actual terminal de contentores para o tráfego pesqueiro e o cais 9 para os navios da Guarda Costeira e para os navios dos serviços portuários”, refere.

José Fortes diz que caso se consiga o financiamento até o final do ano, o projecto poderá estar concluído em 2027. A mesma fonte garante que o actual projecto de expansão do Porto Grande não impede uma eventual deslocalização do terminal de transbordo.

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Autoria:Fretson Rocha, Rádio Morabeza,10 jun 2024 14:50

Editado porAndre Amaral  em  23 jun 2024 23:29

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