Ulisses Correia e Silva falava aos jornalistas momentos antes da apresentação do livro “Literacia Financeira em Crioulo Cabo-verdiano”.
O governante disse que está a acompanhar as mudanças económicas e políticas nos EUA com muita incerteza, assim como o resto do mundo que acompanha com a mesma preocupação.
“Incertezas, imprevisibilidades, a guerra tarifária, depois vai sobrar sempre para algum outro sítio”, referiu.
O Chefe do executivo reconheceu os desafios económicos globais, recordando que o país já passou por momentos de tensão inflaccionista e deterioração do custo de vida, factores que, apontou, não estão sob o controlo, nem sob o desejo do Governo.
Contudo, garantiu que, no que toca às remessas de emigrantes, fundamentais para a economia do país, não se preveem impactos directos com as tarifas de Trump.
“As tarifas não vão incidir sobre a remessa de imigrantes, seguramente. Isto é mais de relações comerciais, Cabo Verde não tem relações comerciais intensas de importação e exportação com os Estados Unidos”, afirmou.
No entanto, alertou para efeitos indirectos que podem surgir, sublinhando que, até ao momento, não existem motivos concretos de alarme.
“As medidas são medidas tarifárias, não têm implicações sobre o volume de remessas, a não ser que os próprios emigrantes que estão nos EUA fiquem com menos rendimento e fiquem com mais problemas para fazer as remessas, mas não temos, por agora, razões de preocupação”.
“Mas como nós dissemos, nós estamos num contexto de muita imprevisibilidade, mas esperamos que essa imprevisibilidade não atinja aquilo que é a nossa comunidade, que está bem conservada nos EUA e vamos esperar para os próximos tempos”, concluiu.
Ainda sobre as medidas tarifárias anunciadas pelo Trump, o governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, disse ser importante manter a tranquilidade face ao cenário actual.
“Há as de política económica, comercial, monetária e orçamental a serem tomadas todos os dias. Eu queria transmitir uma posição de tranquilidade face àquilo que é o futuro”, afirmou.
O responsável pelo Banco de Portugal enfatizou que a gestão da inflação será essencial para mitigar qualquer impacto negativo dessas medidas.
“Teremos que continuar a fazer aquilo que fizemos até hoje com enorme sucesso, que é controlar a inflação. Os riscos que venham a surgir para os preços destas medidas têm que ser avaliados, têm que se perceber se são temporários ou não. É essa a função dos bancos centrais e vamos continuar a desempenhá-la”, declarou.
Refere-se que Donald Trump anunciou esta quarta-feira que irá aplicar tarifas de importação recíproca para corrigir o que considera ser injustiças nas relações comerciais do país, incluindo de 25% sobre todos os automóveis estrangeiros.
Conforme a referida tabela, a China aplica tarifas de 67% sobre produtos norte-americanos e os seus produtos passam a pagar 34 por cento para entrar nos Estados Unidos; os países da União Europeia (UE) passam a pagar 20 por cento de tarifas, metade de 39% de barreiras comerciais e não comerciais estimadas.