​Amnistia rejeita "política de repressão" do Governo da Venezuela

PorExpresso das Ilhas, Lusa,24 jan 2019 14:57

A Amnistia Internacional (AI) defendeu hoje que o Governo da Venezuela deve parar com a "política de repressão" contra os cidadãos e "abrir espaços" para ouvir as vozes dos que protestam.

"Em vez de procurar soluções e abrir espaços para responder às solicitações, as autoridades sob o comando de Nicolás Maduro levam para as ruas autoridades militares e policiais, aplicando a sua política de repressão", denunciou a organização não-governamental (ONG) de defesa dos direitos humanos, em comunicado.

Para Erika Guevara-Rosas, directora para as Américas da AI, os protestos contra o Governo na Venezuela - que provocaram pelo menos 14 mortos - explodem "em protesto pela grave crise institucional e de direitos humanos que o país atravessa".

A Amnistia Internacional recebeu queixas da participação da Força de Ações Especiais da Polícia Nacional Bolivariana, denunciada "em outras ocasiões pelo uso abusivo e excessivo de força intencionalmente letal".

"Outra queixa muito grave foi a participação de grupos armados pró-governo que procuraram evitar protestos em várias zonas do país", salientou.

Erika Guevara-Rosas salientou que "protestar não pode ser sinónimo de morte na Venezuela" e acrescentou que "a tentativa de silenciar com balas as pessoas que fazem apenas justas exigências por direitos humanos fecha ainda mais os caminhos para uma solução pacífica" do problema.

Por esse motivo, Guevara-Rosas instou o regime de Nicolás Maduro a "parar a repressão" e garantir "a vida e a integridade" do povo.

Catorze pessoas morreram em dois dias de protestos contra o Governo venezuelano, segundo dados divulgados por duas organizações não-governamentais.

Num comunicado conjunto, as ONG Programa Venezuela de Educação, Ação em direitos Humanos (Provea) e Observatório Venezuelano de Conflituosidade Social (OVCS) dizem que os assassínios ocorreram "no contexto de manifestações em Caracas e noutras cidades do país, entre os dias 22 e 23 de Janeiro".

O dirigente máximo da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, autoproclamou-se na quarta-feira Presidente interino da Venezuela, perante milhares de pessoas concentradas em Caracas.

O engenheiro mecânico de 35 anos tornou-se rapidamente o rosto da oposição venezuelana ao assumir, a 03 de Janeiro, a presidência da Assembleia Nacional, única instituição à margem do regime vigente no país.

Nicolás Maduro iniciou a 10 de Janeiro o seu segundo mandato de seis anos como Presidente da Venezuela, após uma vitória eleitoral cuja legitimidade não foi reconhecida nem pela oposição, nem pela maior parte da comunidade internacional.

Os Estados Unidos, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e quase toda a América Latina, já reconheceram Juan Guaidó como Presidente interino da Venezuela.

O México, a Bolívia, Cuba, a Rússia, a China e a Turquia mantêm-se ao lado de Maduro, que consideram ser o Presidente democraticamente eleito da Venezuela.

Por seu lado, a União Europeia defendeu a legitimidade democrática do parlamento venezuelano, sublinhando que "os direitos civis, a liberdade e a segurança de todos os membros da Assembleia Nacional, incluindo do seu Presidente, Juan Guaidó, devem ser plenamente respeitados" e instando à "abertura imediata de um processo político que conduza a eleições livres e credíveis, em conformidade com a ordem constitucional".

Na quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, afirmou o seu pleno respeito "à vontade inequívoca" mostrada pelo povo da Venezuela e disse esperar que Nicolas Maduro "compreenda que o seu tempo acabou".

A Venezuela, país onde residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes, enfrenta uma grave crise política e económica que levou 2,3 milhões de pessoas a fugir do país desde 2015, segundo dados da ONU.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,24 jan 2019 14:57

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  15 out 2019 23:22

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