Festa e aparato distinguem campanha do partido no poder em Moçambique

PorExpresso das Ilhas, Lusa,8 out 2019 8:11

​Concertos antecedem as intervenções políticas nas principais acções de campanha do partido no poder, Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no centro do país, as únicas com tal aparato.

Jovens aspirantes a deputados, a maioria universitários ligados à ala juvenil do partido, e diversos músicos agitam os chamados 'showmícios', não raras vezes fortalecidos pela presença de funcionários públicos.

Entre gritos de vitória antecipada, ampliados por vuvuzelas, e o refrão do hino de campanha do partido, interpretado em língua sena por jovens locais, a multidão alinha-se sob o comando de um responsável pela campanha.

O homem convida os demais a abraçar as causas da Frelimo porque assim "tudo dá certo".

As moto-táxi também se juntam à caravana, pois os condutores nem se importam de fazer parte da festa, desde que o partido forneça o combustível.

"Vamos, Frelimo está a trabalhar", gritam jovens em cântico, num outro momento, uma passeata mista - com peões, carros e motorizadas - na aldeia de Muda Serração.

Ali estão a receber a candidata a governadora, que se dirige em língua local à população para apresentar o manifesto do partido para o próximo ciclo de governação.

No comício e na campanha porta-a-porta, a candidata da Frelimo a governadora de Manica, Francisca Tomás, promete paz, unidade nacional e desenvolvimento, com a construção de mais escolas, hospitais, estradas, pontes e fontes de água, além de restaurar a economia das zonas dilaceradas pelo conflito político-militar, entre 2014 e 2016.

"Senti que, de facto, nós devemos trabalhar ainda mais, para fazer chegar os serviços básicos lá onde não pudemos estar na altura dos conflitos armados" disse a candidata à Lusa.

"Senti satisfação da população por causa da paz", acrescentou, depois de fazer campanha em aldeias atingidas pelo conflito nos distritos de Tambara, Macossa, Barué, Vanduzi e Gondola.

A região de Muda Serração (Gondola), que fica próximo de uma base do braço armado da oposição, Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), teve algumas escolas encerradas devido aos confrontos que envolveram o Governo e a antiga guerrilha.

"A Frelimo é pela construção, pelo desenvolvimento, pela unidade nacional, a Frelimo é pela paz", sublinhou a governadora da província do Niassa, que tem agora o seu posto suspenso para atender a campanha para sua eleição ao mesmo cargo em Manica.

"A população [das zonas de guerra] precisa desses serviços básicos para o seu desenvolvimento" sublinhou, ao mesmo tempo que promete erradicar os casamentos prematuros, um fenómeno complexo em Manica.

A candidata da Frelimo reconhece, contudo, que "há muito por fazer" para o equilíbrio social numa província subdesenvolvida, mas garante que "também se fez muito".

No seu trabalho de campanha, a governadora que agora vai tentar liderar outra província, ainda beneficia da ajudante de campo, de um aparato de agentes da força de segurança, escolta, além de o protocolo ser constituído por funcionários estatais, afetos ao gabinete ao governador.

A 15 de outubro, 12,9 milhões de eleitores moçambicanos vão escolher o Presidente da República, dez assembleias provinciais e respetivos governadores, bem como 250 deputados da Assembleia da República. Esta vai ser a primeira vez que os governadores vão ser eleitos - em vez de nomeados pelo Presidente da República -, velha aspiração da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição.

A medida faz parte do acordo alcançado entre o chefe de Estado, Filipe Nyusi, e o histórico líder da Renamo, Afonso Dhlakama.

O líder da oposição morreu a 03 de maio de 2018 e estas vão ser as primeiras eleições sem ele.

Dos acordos que estabeleceu com Nyusi nasceu o acordo de paz assinado entre o Presidente moçambicano e o novo líder da Renamo, Ossufo Momade, a 06 de agosto.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,8 out 2019 8:11

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  22 out 2019 23:23

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