"Há um elemento tranquilizador na decisão de ontem [sexta-feira] do Supremo Tribunal. A separação de poderes nos EUA parece continuar a funcionar e isso é uma boa notícia", disse Friedrich Merz, à margem do congresso do seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), em Estugarda, numa entrevista à televisão pública.
O chanceler alemão adiantou que pretende discutir com os aliados europeus uma resposta comum às novas tarifas alfandegárias globais de 15% anunciadas por Trump, na sequência da decisão do tribunal.
"Teremos uma posição europeia muito clara sobre este assunto, porque a política aduaneira é da competência da UE e não dos Estados-membros individualmente", afirmou Merz, que visita Washington para se reunir com Trump, marcada para 02 de março.
Inicialmente, o presidente norte-americano afirmou, em conferência de imprensa, que as novas tarifas seriam de 10%.
Merz não quis comentar a política interna dos Estados Unidos, mas disse que, durante a viagem a Washington, vai tentar "deixar claro" à administração Trump que as tarifas prejudicam todos.
"Elas não beneficiam uns e prejudicam outros. Acima de tudo, prejudicam o país que impõe as tarifas, porque são os consumidores que as pagam", alertou o chanceler.
Também o vice-chanceler e ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, afirmou que, apesar da decisão da justiça norte-americana, a incerteza vai se manter a médio prazo.
"Apesar da sentença, continuam a existir tarifas específicas em setores centrais como o automóvel e o aço. E Trump já anunciou novas tarifas. Por isso, a incerteza continua a ser grande", disse o ministro numa entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung.
"A nossa resposta vai continuar a ser construir novas relações comerciais a nível global, assinar acordos de comércio livre, proteger a nossa indústria e fortalecer a independência e a soberania da Europa", disse o político social-democrata.
O presidente republicano viu a estratégia de política externa ancorada em tarifas ser considerada ilegal por parte do Supremo Tribunal.
Na sexta-feira, Trump criticou a decisão e os juízes do Supremo, anunciando que ia aplicar tarifas globais de 10%. Esta manhã (hora local), numa mensagem difundida sua rede social Truth Social, aumentou o valor daquelas taxas para 15%.
Os direitos aduaneiros cobrados pelas autoridades norte-americanas e visados pela decisão do Supremo Tribunal ultrapassaram os 130 mil milhões de dólares em 2025 (cerca de 110 mil milhões de euros ao câmbio atual), de acordo com analistas.
A 09 de abril de 2025 foram implementadas tarifas recíprocas específicas, nas quais as taxas para determinados países (como uma taxa de 104% sobre a China) foram aumentadas para corresponder aos impostos que esses países cobram sobre os produtos norte-americanos.
Desde então, o governo Trump tem vindo a negociar acordos com os principais parceiros comerciais, muitas vezes reduzindo as tarifas em contrapartida de aumento das compras de produtos norte-americanos e investimentos industriais no país.
Trump tem usado as tarifas alfandegárias como um instrumento de política económica, para diminuir o défice comercial norte-americano, mas também para coação política, mais recentemente ameaçando com sobretaxas os países europeus que apoiaram a Dinamarca na crise em torno da Gronelândia.
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