Surto de paludismo, seca e TACV marcam ano em Cabo Verde

PorLusa,14 dez 2017 12:45

Um surto de paludismo sem precedentes em 26 anos, o mau ano agrícola devido à seca e o arranque da reestruturação da TACV marcaram 2017 em Cabo Verde, num ano de reforço das relações com Portugal.

Cabo Verde termina 2017 praticamente sem novos registos de paludismo, mas o país atingiu este ano um número recorde de 430 casos, o maior desde 1991, sobretudo concentrados na cidade da Praia, onde chegou a ser declarada epidemia.

Em Janeiro, Cabo Verde foi distinguido pela Aliança de Líderes Africanos contra a Malária (ALMA) com o prémio Excelência 2017, pelos resultados no combate à doença.

A partir de Junho o número de casos começou a aumentar, tendo atingido o pico em Outubro, em plena época das chuvas, apesar de este ano praticamente não se ter registado precipitação.

Ano de seca

A falta de chuva comprometeu o ano agrícola e forçou os criadores de gado a venderem os animais a menos de metade do preço habitual.

Com os produtos agrícolas a atingirem preços recordes, o Governo anunciou um plano de emergência para salvar o gado e apoio a mais de 70 mil pessoas directamente afectadas pela seca.

O plano foi inicialmente estimado em cerca de 7 milhões de euros, mas uma nova estimativa aponta para que sejam necessários cerca de 10 milhões, que o país já mobilizou junto dos parceiros internacionais.

Restruturação da TACV

O ano de 2017 ficou ainda marcado pelo arranque do processo de reestruturação da companhia área pública Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV), com a entrega à Binter CV da exclusividade dos voos domésticos em troca de 49% do capital social da empresa.

Paralelamente, o Governo assinou com o grupo islandês Icelandair um contrato de gestão para a operação internacional da companhia com vista a prepará-la para a privatização.

A reestruturação da empresa implica o despedimento de cerca de 260 trabalhadores, num processo que já está em curso e deverá estar concluído até final do ano.

Erros em manuais escolares

Os manuais escolares com erros foram outro assunto que marcou o ano, tendo levado à demissão da directora Nacional da Educação e à retirada dos livros do mercado.

Cabo Verde introduziu este ano um novo plano de ensino, que prevê o reforço do português, das ciências e da matemática, mas o livro de matemática do 1.º e 2.º anos do 1.º ciclo tinha vários erros classificados por especialistas em educação como "gravíssimos" e "grosseiros".

Depois de semanas a desvalorizar o assunto, o Governo foi forçado pela pressão da sociedade, professores e pais, que chegaram a marcar uma manifestação, a anunciar a substituição dos manuais.

Cooperação

Este ano foi também de reforço das relações entre Portugal e Cabo Verde com a realização na Praia, em Fevereiro, da cimeira entre os dois países, durante a qual foi assinado o programa de cooperação até 2021, estimado em 120 milhões de euros.

Em Abril, o Presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa, esteve em Cabo Verde e, a fechar o ano, em Novembro, o chefe de Estado cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, visitou oficialmente Portugal.

A mobilidade no espaço da comunidade de países de língua portuguesa (CPLP) e a facilitação de vistos entre os dois países marcaram as duas visitas oficiais, num ano em que aumentou consideravelmente o número de pedidos de vistos de cabo-verdianos para estudarem em Portugal e em que as recusas motivaram forte contestação.

A questão da mobilidade foi também um dos principais assuntos em cima da mesa na parceria entre Cabo Verde e a União Europeia, que em 2017 cumpriu 10 anos, com Cabo Verde a anunciar a isenção de vistos para cidadãos europeus a partir de 01 de Janeiro de 2018.

Cultura

Na cultura, o país realizou a primeira festa do livro Morabeza, que juntou em Cabo Verde alguns dos mais emblemáticos escritores lusófonos, como Eduardo Agualusa, Germano Almeida ou Valter Hugo Mãe.

Desporto

No desporto, 2017 ficou marcado pelo falhanço da selecção nacional no apuramento para o Mundial da Rússia de 2018, num ano em que Mário Semedo voltou à presidência da Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF), órgão que já tinha dirigido durante 16 anos, até 2015.

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Autoria:Lusa,14 dez 2017 12:45

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  24 set 2018 3:22

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