​Cabo Verde pode ser exemplo para países africanos na vacinação

PorExpresso das Ilhas, Lusa,20 abr 2018 11:46

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Messeret Shibeshi, especialista da Organização Mundial da Saúde (OMS), admitiu hoje que Cabo Verde pode vir a ser usado como mentor para outros países africanos no campo da vacinação.

“Estamos a tentar identificar histórias de sucesso - países que mostraram autofinanciamento e alta cobertura de vacinação - e escolher um para ser mentor para outros países", disse Messeret Shibeshi, do programa de vacinação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para África, que falava no encontro regional da Cimeira Mundial de Saúde, que decorre em Coimbra, Portugal.

Questionada pela agência Lusa, Messeret Shibeshi referiu que Cabo Verde pode ser um dos casos escolhidos para ser mentor, por estar "a financiar a 100% o seu programa de vacinação", considerando o caso do país um exemplo.

"Queremos que os líderes governamentais falem com os seus pares e digam: 'Se eu fiz, tu também consegues'", explicou.

Para a especialista etíope, o maior problema para uma cobertura universal da vacinação em África centra-se na inexistência de sistemas nacionais de saúde.

Para além disso, há falta de recursos humanos, necessidade de compromisso político "traduzido em acção" e a dificuldade em levar os recursos humanos para onde "eles são precisos", nomeadamente nas áreas rurais, notou.

"Toda a gente quer ficar na capital. Ninguém quer ir para as áreas rurais. Poderia haver incentivos, seja um plano de carreira ou benefícios financeiros", sugeriu Messeret Shibeshi.

Para além de tudo isso, há também vários problemas associados com a logística.

"Temos de continuamente canalizar as vacinas e recursos para o local certo, à hora certa. Para além disso, nem todos têm acesso ao centro de saúde e é preciso ir até às comunidades. Mas como é que se viaja para ir vacinar alguém, quando não há motociclo, ou está sem gasolina ou está para reparação? Temos que trabalhar também nesses problemas", vincou.

Segundo Messeret Shibeshi, para resolver todas estas questões, mais do que dificuldades económicas - que existem - falta vontade política que se traduza em ação.

"Precisamos de olhar para os nossos recursos e priorizar, garantir que os recursos vão para onde são necessários e em tempo útil", frisou.

O encontro regional da Cimeira Mundial de Saúde, que começou na quinta-feira, reúne mais de 700 peritos, num evento em que o tema central é a saúde global dos países africanos.

Durante a reunião em Coimbra serão apresentadas comunicações por cerca de 120 oradores de mais de 40 países, distribuídos por mais de 20 sessões de trabalho e quatro sessões plenárias, que vão abordar temas como a mortalidade infantil, cuidados de saúde após conflitos armados, doenças infecciosas, alterações climáticas, medicina digital, reversão da disseminação da malária, migração e saúde e acesso a vacinas.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,20 abr 2018 11:46

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  20 nov 2018 3:22

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