E os nossos estudantes pelo mundo afora, como é que estão?

PorSheilla Ribeiro,16 abr 2020 11:29

Numa altura em que o mundo todo gira a volta do seu mais recente inimigo - a COVID-19, com o Director-Nacional da Saúde a frisar que as autoridades sanitárias do País estão preocupadas com os conterrâneos na diáspora, mas que as concentrações se cingem ao território nacional - , estudantes cabo-verdianos no estrangeiro dizem estar tranquilos e entendem que o Estado deve centrar os apoios nos cidadãos que vivem no território nacional.

Nadine de Pina, de 19 anos, estuda em Changchun, China. Esta estudante, que contrariamente a muitos que regressaram a Cabo Verde quando a doença atingira o seu pico na China, resolveu ficar, e conta que as coisas naquele país andam bem e tranquilas.

A estudante de engenharia de computação e informação considera que as autoridades nacionais têm feito “um bom trabalho” junto à comunidade estudantil na China. “Por acaso na China temos tido todo o apoio do Estado de Cabo Verde, estamos sempre em contacto com a embaixadora”, revela.

Por seu turno, Eliany de Brito, estudante em Léon, Espanha, descreve que perante o estado de alarme naquele país, tem feito um pouco de tudo para não “desanimar”.

“Por aqui eu tento fazer inúmeras coisas de modo a gerar produtividade como estudar, ler, treinar, fazer ioga, assistir Netflix, ver documentários, rezar (que para mim é muito importante), cozinhar e manter a casa higienizada, além de cuidar da minha saúde e higiene pessoal”, retrata.

A estudante de Línguas para Relações Internacionais indica que para não entrar em pânico, tenta sempre controlar o espírito sendo positiva, pensando no lado bom desta situação e nos amigos e família.

Para Eliany de Brito não faz falta um apoio das autoridades cabo-verdianas.

“Pelo menos na minha perspectiva, para mim, as autoridades cabo-verdianas devem preocupar-se com os nossos camaradas e familiares que estão no país, eles merecem melhor atenção porque nós que estamos no estrangeiro estamos sendo apoiados directa e indirectamente pelo Estado receptor e pelas mais diversas instituições”, enfatiza.

Keiva Fernandes, estudante em Brockton, também é da opinião que as autoridades nacionais devem fazer mais no país do que lá fora, uma vez que os EUA têm “mais condições”. A cabo-verdiana de 24 anos conta que, actualmente, viver no país mais afectado pela COVID-19 (EUA), com mais de 337 mil infectados e perto de 10 mil mortes, fez com que a sua vida se resumisse a casa e trabalho.

“Eu estava mesmo mal e muito preocupada, mas agora estou mais tranquila porque orei muito e Deus acalmou a minha alma. Tudo vai dar certo, é apenas uma fase que estamos vivendo e não é a primeira vez, apenas temos que cuidar uns dos outros e ficar em casa”, narra.

Em Peterboroug, na Inglaterra, Patrick Lopes de 24 anos, estudante em Engenharia Informática conta que sua a rotina tem sido ficar em casa, fazer as compras uma vez por semana, para não ter de usar o stock feito para se, no caso, as coisas piorarem.

O estudante afirma estar tranquilo e tomando o máximo de cuidados possíveis, apesar dos números de infectados e de mortos aumentarem diariamente.

Patrick Lopes declara ainda que considera não se justificar uma ajuda do governo do seu país de origem, primeiro porque há “um número reduzido” de cabo-verdianos naquela cidade e segundo porque “mais vale apoiar os cabo-verdianos em Cabo Verde”.

Estudantes em Portugal

O estudante de Engenharia de Energias Renováveis, em Bragança, Hélder Santos confessa que tem ficado em casa e saído apenas para fazer compras. “Às vezes sinto-me muito stressado, mas logo sou acalmado pela minha namorada”, profere.

Por enquanto, Hélder Santos diz que não sente a necessidade de uma ajuda por parte do governo cabo-verdiano, porém, avisa, que se o estado de emergência continuar, o poder executivo “deve tomar medidas” para que os estudantes "possam comer.

Também estudante em Bragança, Dórlise Maurício, conta que durante o estado de emergência nada mais tem feito a não ser “comer, assistir aulas online, realizar trabalhos, arrumar a casa, cozinhar, conversar com familiares e amigos através da internet, ver novelas, filmes e séries e dormir novamente”.

Dórlise Maurício desvela que ora se sente optimista, ora “nem tanto”. Esta jovem fez saber que considera importante o apoio do governo cabo-verdiano.

“No meu caso não preciso de ajuda mas acredito que uma palavra para confortar seria bem-vinda, e tenho a certeza de que há pessoas que precisam de ajuda a nível financeiro”, sugere.

AMP acompanha estudantes em Portugal por via telefónica.

O presidente da Associação Maense em Portugal (AMP), Frederico (Lito) Spencer, garante que a associação tem oferecido apoio moral aos estudantes, chamando a atenção para cumprirem as directrizes das autoridades competentes daquele país.

Os estudantes, de acordo com o presidente da AMP, têm acompanhado as aulas a distância e algumas escolas têm tomado medidas preventivas e de acompanhamento.

“Estamos a viver um momento complicado. Não podemos circular entre as cidades. Temos acompanhado os estudantes a distância, através das redes sociais e telefone. Pelas informações que temos tido estão todos bem, porém apreensivos. Não temos conhecimento de nenhuma situação crítica”, assegura.

AMP é uma associação dos naturais da ilha do Maio em Portugal. Graças a recuperações com várias instituições de ensino tem colocado muitos alunos. Cabo-verdianos nas universidades portuguesas.

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Autoria:Sheilla Ribeiro,16 abr 2020 11:29

Editado porSara Almeida  em  25 mai 2020 17:19

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