O ozono é eficaz no combate à covid-19?

PorNuno Andrade Ferreira,27 ago 2020 12:45

Nesta edição do Teste Rápido, um estudo sobre um medicamento chamado Remdevisir, uma pesquisa sobre o uso de ozono no combate à covid-19 e uma conversa com profissionais de comunicação.

Remdesivir

Um novo estudo aleatório, em 584 pacientes, revelou que o medicamento Remdesivir mostrou ser mais eficaz que o tratamento-padrão em doentes hospitalizados com covid-19 e sintomas moderados. A eficácia foi comprovada para tratamentos de cinco dias, não se verificando diferenças significativas no tratamento por 10 dias. Conforme a pesquisa, este dado poderá ser explicado com o facto de o tempo de recuperação média ser de 7 dias. Apenas 38% dos doentes completou um ciclo de 10 dias.

Os autores do estudo, investigadores da Universidade de Pittsburgh, admitem que, face aos resultados, o Remdesivir pode ser importante na recuperação de doentes com covid-19 em todo o mundo. Contudo, alertam que é necessário demonstrar se pode ter melhores resultados que os corticosteróides, fármacos muito mais baratos e amplamente disponíveis.

Remdesivir mostrou benefícios em casos de doença moderada. Mas compensará os custos?

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa contribui para que esta informação, essencial para o esclarecimento público, seja de leitura aberta e gratuita para todos Santa Casa Misericórdia de Lisboa O medicamento remdesivir mostrou-se mais eficaz que o tratamento-padrão em doentes hospitalizados com Covid-19, quando apresentavam sintomas moderados e o tratamento foi feito ao longo de cinco dias.

O Remdesivir é um antiviral patenteado pela farmacêutica Gilead, que saltou para as primeiras páginas dos jornais em Abril, depois de um pequeno estudo, publicado no New England Journal of Medicine, sugerir que ele reduziria o tempo de internamento de pacientes em estado mais grave.

O medicamento foi desenvolvido na década passada, pensado para o tratamento da hepatite C. Mais recentemente, chegou a ser usado, a título experimental, como resposta ao Ébola.

Ozono

Nos últimos meses, muito se discutiu sobre a utilidade do gás de ozono como forma de inactivação do vírus causador da covid-19.

Em baixas concentrações, o ozono é tolerado pelos humanos, não representando perigo. Desconhecia-se, até agora, se seria eficaz como resposta ao coronavírus. Uma equipa de investigadores japoneses revelou esta quarta-feira que pequenas concentrações de ozono têm a capacidade de neutralizar as partículas do novo coronavírus.

Com recurso a um gerador de ozono, em concentrações de 0,05 a 0,1 partes por milhão, os cientistas da Universidade Fujita Health conseguiram provar que a potência do SARS-CoV-2 baixou mais de 90% depois de sujeito a baixas concentrações durante dez horas.

Ozono é eficaz a neutralizar coronavírus, mostram investigadores japoneses

Uma equipa de investigadores japoneses afirmou nesta quarta-feira que pequenas concentrações de ozono podem neutralizar as partículas do novo coronavírus, o que pode vir a ser útil em hospitais na desinfecção de consultórios médicos e de salas de espera.

Um outro estudo recente do Instituto de Tecnologia da Georgia demonstrava a utilidade do ozono para a desinfecção de batas, óculos e demais equipamentos de protecção individual.

Estas descobertas abrem a possibilidade de recurso ao ozono em zonas de maior risco de contágio, como hospitais ou salas de espera.

Máquina de desinfecção por ozono
Máquina de desinfecção por ozono

Como conta a Reuters, o Hospital da Universidade Fujita, em Aichi, no Japão, já instalou geradores de ozono nos quartos dos pacientes e nas zonas de espera.

Comunicação

A pandemia de covid-19 alterou as nossas vidas. Em maior ou menor grau, todos fomos afectados. Obrigados a mudar rotinas, tivemos que alterar hábitos, aumentar o distanciamento e aprender a viver de outra forma.

O acesso à informação tem sido fundamental para que a população esteja esclarecida sobre o estado da crise sanitária e possa adoptar comportamentos preventivos adequados. Contudo, os profissionais de comunicação também viram as suas rotinas alteradas e foram obrigados a repensar e reformular práticas de trabalho e produção de conteúdos há muito enraizadas. É o caso de Cristina Morais, coordenadora editorial do Sapo Cabo Verde.

"Grande parte do nosso trabalho é feito online, mas estando em casa a tempo integral foi preciso organizar uma determinada logística que, por exemplo, ao nível da Internet, permitisse que conseguíssemos trabalhar da mesma forma e com a mesma eficácia, como se estivéssemos na redacção. A nível editorial, o desafio que nos foi colocado, penso que isto é transversal para todos os media, é que quase todas as pautas acabam por dar sempre ao mesmo ou por estarem de alguma forma relacionadas com a covid-19. Sendo um portal agregador, coloca-se ainda mais esse desafio, de tentar diversificar os temas, porque não podemos negligenciar que há outras coisas a acontecer", comenta.

"Há outro desafio, que é a questão das fake news, que já estavam muito massificadas. Houve muito esta necessidade de 'separar o trigo do joio', de tentar entender onde é que estava a informação fidedigna, a informação que o público precisava de saber ou de ter acesso", acrescenta.

Em Washington, o jornalista Álvaro Ludgero Andrade, ao serviço da VOA, também se mudou para casa.

"Tudo ficou limitado ao computador e ao telefone. Embora esteja acostumado a novas tecnologias, tive de agilizar os processos, porque toda a redacção trabalha de casa e há que preparar as peças e fazer continuidade dos programas bem mais cedo, porque o produtor vai ter que colocar tudo no programa de emissão de forma remota", destaca.

"Deixei de ter o ambiente da redacção, que é muito enriquecedor, não só do ponto de vista das relações humanas, como do cruzamento de informações, de ideias, de fontes e até de complementaridade", observa.

Consultora de comunicação, Cláudia Fernandes de Brito encontrou e construiu a sua própria ‘nova normalidade’.

"De repente, tudo mudou. Passei a online e a minha ferramenta da trabalho passou a ser o computador. Rapidamente tive que reinventar. Acho que nisso a pandemia foi uma oportunidade para aprender e refrescar ideias", analisa. 

A importância da informação e da comunicação na pandemia de coronavírus: estratégias da promoção da saúde | comunica.ufu.br

O ano de 2020 começou de forma diferente em todo o mundo. Especialmente no que diz respeito à pandemia do novo coronavírus, causador da Covid-19. Vários lugares passaram a vivenciar cenários preocupantes, particularmente com os impactos negativos, em diferentes escalas, na saúde e na economia das pessoas e das empresas, frutos de outros problemas estruturais e conjunturais em relação à gestão da Saúde Coletiva.

Não se sabe por quanto tempo as nossas vidas serão condicionadas pela pandemia, mas é provável que, no final, alguns dos hábitos que agora ganhámos se tornem permanentes. 

A indústria da comunicação e produção de conteúdos vinha em ritmo acelerado de transformação, mesmo antes da covid-19. A pandemia serviu para apressar mudanças em curso, no caminho da digitalização dos processos de produção, distribuição e consumo de conteúdos mediáticos. 

Para Cristina Morais, a Internet tem um potencial por explorar por parte dos meios de comunicação cabo-verdianos.

"Este é um sector que está em crescimento em Cabo Verde. Precisamos de uma maior literacia digital e de preparação para o online, quer a nível dos profissionais que trabalham na comunicação social, quer a nível dos utilizadores, quer a nível dos players do mercado. As pessoas precisam de entender que o digital vai muito além das redes sociais, que fazem parte, mas existe um enorme potencial de ferramentas e aplicações", recorda. 

Álvaro Ludgero Andrade considera que, ao longo dos últimos meses, o jornalismo mostrou ser capaz de ultrapassar qualquer desafio.

"Creio que o jornalismo mostrou que pode superar qualquer obstáculo e adaptar-se a qualquer momento ou a qualquer situação . Esta crise revelou também a importância das novas tecnologias, que não são um fim em si, mas um meio fundamental para qualquer órgão", acredita.

"O acesso à informação é muito mais rápido, muito mais instantâneo, isto coloca-nos desafios. Como é que se pode ser relevante num meio em que todos têm acesso a tudo ao mesmo tempo?", questiona. 

A consultora de comunicação, Cláudia Fernandes de Brito, destaca a importância de se ser flexível e rápido na adaptação a novos contextos.

"Temos que ser muito flexíveis em alguns aspectos que, antes da pandemia, eram impensáveis. Por exemplo, a questão do seguimento é hoje muito importante. Temos que fazer, errar, ajustar, mudar, corrigir e fazer de novo", estabelece.

Sobre o Teste Rápido

O Teste Rápidoé um projecto da Rádio Morabeza e do Expresso das Ilhas. Todas as informações usadas neste programa estão disponíveis na Internet. Pode ouvir-nos na rádio (quinta-feira, depois das 11h00), recuperar-nos em formato podcast ou ler-nos aqui, no site do jornal.

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Autoria:Nuno Andrade Ferreira,27 ago 2020 12:45

Editado porSara Almeida  em  29 out 2020 23:20

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