Projecções sobre a Covid-19 em Cabo Verde : Sem máscaras o número de mortes pode duplicar até final do ano

PorAndre Amaral,13 set 2020 8:41

Dados recolhidos em tempo real servem de base às projecções elaboradas pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), um centro de investigação sobre saúde mundial da Universidade de Washington. Modelo prevê que, no pior cenário, o número de mortes em Cabo Verde possa duplicar até ao final deste ano.

Actualmente Cabo Verde conta com 42 óbitos por COVID-19. Um número que poderá duplicar até Janeiro se as piores previsões, elaboradas pelo Institute for Health Metrics and Evaluation, se verificarem.

Já o melhor cenário prevê que no mesmo período Cabo Verde registe apenas mais dois óbitos, totalizando 44 mortes até dia 1 de Janeiro do próximo ano.

A diferença de cenários tem relação directa com a utilização de máscaras de protecção individual.

Se a utilização das máscaras se tornar um hábito entre os cabo-verdianos o estudo prevê que o número de mortes estabilize de agora até Janeiro do próximo ano. No caso contrário, em que não há alteração na utilização de máscaras e as medidas de restrição são aliviadas, o IHME prevê que a partir de meados de Novembro o número de óbitos comece a aumentar atingindo o máximo de 84 óbitos em Janeiro de 2021 (ver gráfico 1).

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O mesmo acontece com o número diário de mortes.

Tendo em consideração que as medidas restritivas se mantêm e que o uso de máscaras na via pública deixa de ser um dever cívico para se tornar uma obrigatoriedade para todos o período entre Outubro e Janeiro será de relativa calma no que respeita ao número de mortes diárias com o rácio de óbitos por dia a manter-se perto de zero.

No entanto, se o cenário se inverter havendo um relaxamento das medidas restritivas e a diminuição da utilização das máscaras o número de óbitos por dia vai aumentar entre Outubro e Dezembro registando-se uma ligeira diminuição no final do último mês deste ano (ver gráfico 2).

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Mas, para que estes resultados positivos se venham a verificar, o estudo defende que o uso de máscaras deve ser massificado.

Os dados recolhidos pelo IHME apontam que, actualmente, 41% da população cabo-verdiana usa máscara sempre que sai de casa. No entanto, o melhor dos cenários tanto no que respeita ao número de mortes como de óbitos diários só será conseguido se esse número subir para 95%.

Outras medidas passam pelo distanciamento social e a redução do contacto humano que, defendem os autores deste estudo “pode provocar uma diminuição do número de infecções para que a utilização de máscaras, testes, isolamento e rastreio de contactos possam funcionar para conter o vírus”.

 Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 980 de 9 de Setembro de 2020. 

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Autoria:Andre Amaral,13 set 2020 8:41

Editado porSheilla Ribeiro  em  22 set 2020 23:20

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