“Corrida contra o tempo” para reabrir réplica da Torre de Belém antes do Ocean Race

PorExpresso das Ilhas, Lusa,19 dez 2022 8:21

​Cabo Verde está numa “corrida contra o tempo” para reabrir as portas da réplica da Torre de Belém, em São Vicente, antes da passagem em Janeiro do Ocean Race, a maior regata à vela do mundo.

A previsão foi feita à Lusa pelo presidente do Instituto do Património Cultural (IPC), Jair Fernandes, indicando que as obras de reabilitação da réplica da Torre de Belém, construída há cem anos, e a casa do Museu do Mar, estão na sua fase final, prevendo a conclusão ainda este mês.

As obras incluem correcções das anomalias patológicas do edifício, como a reparação das fissuras dos elementos decorativos das fachadas ou substituição dos elementos fracturados.

Também está a ser feita a manutenção das estruturas de madeira da cobertura, manutenção de portas e janelas, pintura de toda a superfície interior e exterior da torre, revestimento da telha germânica, manutenção de soalho, substituição de todos os equipamentos sanitários, pintura dos metais existentes na torre, substituição e instalação eléctrica na torre.

“Houve ali uma intervenção muito profunda, numa primeira fase para restituição de alguns elementos que, em intervenções anteriores, acabaram por desaparecer ou secundarizados, mas nesta actuação houve um trabalho não só a nível da estrutura, que já estava um pouco comprometida, mas também a nível artístico”, indicou.

A segunda fase dos trabalhos vai ser realizada no próximo ano, com a musealização e introdução de elementos de interpretação no interior do edifício, “dotando a cidade de mais um equipamento cultural num momento muito oportuno do relançamento de São Vicente nas grandes rotas transatlânticas”.

Além dos muitos navios de cruzeiro, Jair Fernandes fazia referência à passagem, pela primeira vez por Cabo Verde, da 14.ª edição do Ocean Race, considerada a maior e mais antiga regata à vela de volta ao mundo.

Com partida prevista para 15 de Janeiro de 2023 de Alicante, Espanha, essa primeira etapa, de 1.900 milhas náuticas (3.520 quilómetros) termina na Baía do Mindelo, e a segunda, com destino à Cidade do Cabo, África do Sul, deverá iniciar-se em 25 de Janeiro, depois da paragem de cinco dias em São Vicente.

A competição - que chegou a estar planeada para o período de 2021/2022, mas foi adiada para 2023 devido à pandemia de covid-19 - deverá percorrer ao longo dos seis meses de competição de volta ao mundo, por cerca de 32.000 milhas náuticas (59.296 quilómetros), em categorias separadas, até terminar no verão em Génova, Itália, quando se comemoram os 50 anos desta prova, segundo a organização.

“Daí esta corrida contra o tempo de dotar a ilha de um monumento cultural, como é o caso do Museu do Mar, que irá interpretar a ilha, que irá oferecer à ilha mais um espaço de visitação, mais um espaço de contemplação, completamente reabilitado e para uso e usufruto dos mindelenses e todos os que visitam a cidade do Mindelo”, disse Jair Fernandes.

A réplica da torre de Belém é o segundo monumento que o IPC requalifica em São Vicente recentemente, depois do Poss, um obelisco na forma de pássaro, construído há cerca de 40 anos para recordar a travessia aérea do Atlântico em 1922, dos aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral na sua travessia do Atlântico Sul.

O presidente do IPC disse que a reabilitação dos monumentos históricos tem sido prática desde 2017, após um inventário nacional que apontou para a necessidade de se fazer intervenção em determinados edifícios um pouco por todas as ilhas.

Numa primeira fase, disse que foi dado realce às estruturas religiosas que precisaram de maior cuidado, e agora nesta segunda fase os trabalhos vão incidir sobre os monumentos de arte decorativa e museus, entre eles a réplica da Torre de Belém.

“Há uma preocupação não só de dotar as ilhas mais turísticas, no caso do Sal, Boa Vista, Santiago e São Vicente de equipamentos cultuais e de interpretação, mas também as demais as ilhas do arquipélago”, salientou o dirigente cabo-verdiano à Lusa.

Localizado entre o Mercado de Peixe e a Praia dos Botes, em plena Avenida Marginal e defronte para o Porto Grande e para o Monte Cara, o monumento centenário foi construído em 1920 pelos portugueses, para ser uma réplica da fortificação original, edificada entre 1514 e 1519, em Lisboa.

O monumento alberga actualmente o Museu do Mar, mas quer aumentar a simbologia, explorando mais a história da cidade do Mindelo.

O edifício recebeu a última intervenção em 2010 e estas novas obras são financiadas pelo Fundo Autónomo das Pescas, projeto Mergulhar e pelo Orçamento do Estado de Cabo Verde.

Em 16 de maio, foi assinado um protocolo entre a Direcção-Geral das Pescas e Aquacultura, o Fundo Autónomo das Pescas e o IPC para concretizar a empreitada, avaliada em 8,5 milhões de escudos (77 mil euros).

Para o Ministério da Cultura, o foco da reabilitação é que o edifício agregue valor enquanto produto turístico e contribua na dinamização do sector, “de olhos postos no desenvolvimento local através da diversificação e promoção das ofertas”.

Está prevista uma segunda fase, em que as intervenções serão a nível museográfico e requalificação da área em torno, previu ainda a mesma fonte.

Aquele edifício funcionou na década de 1980 como sede da empresa pública Scapa, criada precisamente para apoiar a pesca artesanal, teve um período praticamente sem uso, até ser recuperado em 1997, no âmbito da cooperação entre Portugal e Cabo Verde.

Em 2010, no âmbito das comemorações dos 35 anos da independência de Cabo Verde, foi inaugurada no edifício uma exposição que retratava a questão dos descobrimentos, e a partir de 2014 passou a albergar a exposição permanente do Museu do Mar.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,19 dez 2022 8:21

Editado porSara Almeida  em  6 fev 2023 23:30

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