São Vicente prepara-se para acolher a maior e mais mediática regata do mundo

PorNuno Andrade Ferreira*,14 jan 2023 7:12

The Ocean Race fará escala em Cabo Verde a partir de 20 de Janeiro (Enrique Domingo/Flickr)
The Ocean Race fará escala em Cabo Verde a partir de 20 de Janeiro (Enrique Domingo/Flickr)

Investimento total aproxima-se dos 177 mil contos. Organização local espera grande visibilidade do arquipélago e milhares de visitantes, que dinamizarão economia.

Está por dias a chegada da regata The Ocean Race ao Mindelo. A prova faz escala em Cabo Verde de 20 a 25 de Janeiro. No Porto Grande, os trabalhos de montagem da Village decorrem “a bom ritmo”, preparando-se as diferentes infra-estruturas de apoio aos 11 veleiros, respectivos velejadores, equipas técnicas, staff internacional e local, meios de comunicação social de todo o mundo e convidados.

Notoriedade e impacto económico são dois benefícios esperados por Ivan Santos, coordenador logístico do stopover em São Vicente.

“Receber uma prova como esta é acenar ao mundo e dizer que também podemos receber outros eventos náuticos e radicais, por exemplo da Red Bull, que combinam com turismo de negócios e de lazer. Isto também poderá ter impacto num terceiro marco, que é o económico, porque movimenta a economia, a questão das viagens, hotéis, restaurantes, todos os serviços conexos ligados à montagem da Village”, concretiza.

A organização estima receber cinco a seis mil visitantes diários. Dois navios de cruzeiro deverão atracar na ilha durante a escala.

De acordo com o responsável pela logística, o orçamento total do evento aproxima-se, números redondos, dos 177 mil contos, provenientes do Banco Mundial (80 mil contos), ENAPOR (77 mil contos) e Tesouro (20 mil contos).

“Caminho de expansão”

Há muito ligado à promoção dos desportos náuticos em Cabo Verde, o director da revista Blue Wax, Bob Lima, acredita que a Ocean Race será uma oportunidade para promover o país e a ilha no roteiro internacional de diferentes modalidades.

“Cabo verde está num processo evolutivo nos desportos náuticos, desde os anos 90. Estamos num caminho de expansão e acredito que ainda não atingimos a nossa capacidade máxima”, nota.

A localização estratégica do arquipélago é por todos reconhecida como um activo e uma das razões para a atracção cada vez mais regular de regatas que são referência mundial – recentemente, a ARC+ e a Globe 40. Bob Lima não deixa, porém, de lamentar que a grandeza da Ocean Race não esteja a ser acompanha por uma promoção na mesma escala.

“É como se ainda não tenhamos noção da sua grandeza. Serão cinco dias para preencher com aquilo que Cabo Verde pode oferecer”, alerta.

Ver atletas e instituições a beber da experiência da Ocean Race, dando origem a possíveis parcerias, é outra ambição do fundador da primeira revista cabo-verdiana dedicada aos desportos náuticos.

O stopover em Cabo Verde é complementado com uma agenda paralela. Destaque para a Ocean Race Summit, dia 23, durante a manhã, no Centro Oceanográfico. É esperada a presença do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, além do Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva, do homólogo português, António Costa, outros membros do governo cabo-verdiano e personalidades de relevo internacional, como são os casos de Mitu Monteiro e Josh Angulo, campeões mundiais de kitesurf e windsurf, respectivamente.

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Meio ano de superação e resiliência

Ao longo de mais de seis meses, a frota da Ocean Race enfrentará desafios únicos, lidando com o inesperado, num verdadeiro teste à resistência.

A primeira etapa começa em Alicante, Espanha, já no próximo domingo, 15 de Janeiro, com destino ao Mindelo. Um sprint de 1.900 milhas náuticas, que deverão ser percorridas em quatro dias (ou até menos, com condições ideais de vento).

Esta será a primeira vez que a regata fará escala no arquipélago, mas não a primeira em que cruza águas de Cabo Verde, que conhece de anteriores descidas ao Atlântico Sul.

A segunda perna terá início a 25 de Janeiro, voltada para a navegação em mar aberto. A rota levará a frota rumo à cidade do Cabo, na África do Sul.

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A etapa três conduzirá a competição até Itajaí, no Brasil, mas cruzando a extensão de oceano aberto mais selvagem e remota do mundo. As tripulações passarão a sul dos três grandes cabos do mundo – Boa Esperança (sul de África), Leeuwin (extremo meridional da Austrália) e Horn (extremo austral da América do Sul) – numa etapa que durará cerca de 34 dias.

A perna quatro marcará o regresso ao hemisfério norte, com uma tirada de 5.550 milhas náuticas até Newport, Rhode Island, na costa leste dos Estados Unidos.

A quinta etapa verá a frota regressar à Europa, cruzando o norte das ilhas Britânicas, com chegada a Aarhus, segunda maior cidade dinamarquesa.

Na sexta e penúltima perna, a competição fará uma curta travessia até Haia, na Holanda.

Ao cair do pano, os velejadores poderão esperar uma complexa etapa de dez dias, pelo movimentado Canal da Mancha, Baía de Biscaia, norte de Espanha, costa portuguesa e mar Mediterrâneo, até à linha de meta, em Génova, Itália.

*com Fretson Rocha e Lourdes Fortes

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1102 de 11 de Janeiro de 2023. 


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Autoria:Nuno Andrade Ferreira*,14 jan 2023 7:12

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  4 fev 2023 10:20

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