Situação está sob controlo e não há perigo para a população em terra

PorAndré Amaral,6 mai 2026 11:20

O Ministério da Saúde garantiu esta terça-feira que não existe, até ao momento, qualquer risco sanitário para a população cabo-verdiana relacionado com a situação registada a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, ancorado ao largo do Porto da Praia.

Num comunicado oficial divulgado pela Direcção Nacional da Saúde, as autoridades afirmam que “a situação permanece sob controlo”, classificando como “baixo” o risco sanitário para o país, apesar da presença de casos associados a uma síndrome respiratória aguda na embarcação.

Segundo a Directora Nacional de Saúde, Ângela Gomes, que leu o comunicado em conferência de imprensa realizada esta terça-feira ao final da tarde na cidade da Praia, o acompanhamento está a ser realizado no âmbito dos mecanismos nacionais de vigilância epidemiológica e das obrigações previstas no Regulamento Sanitário Internacional.

Governo reforça ausência de risco para a população

O Ministério da Saúde faz questão de sublinhar que, até agora, não existe qualquer indício de transmissão em terra nem ameaça para os cidadãos.

“Até ao momento, não existe qualquer risco para a população em terra, sendo o risco sanitário para o país considerado baixo”, refere o comunicado.

As autoridades explicam que a situação está a ser acompanhada através de uma articulação entre diferentes instituições nacionais e internacionais, permitindo uma resposta considerada “célere, segura e tecnicamente adequada”.

Monitorização permanente

A resposta sanitária envolve a Direcção Nacional da Saúde, o Instituto Nacional de Saúde Pública, estruturas locais de saúde, autoridades marítimas e portuárias, além de parceiros internacionais.

O Governo destaca igualmente o apoio da Organização Mundial da Saúde, dos pontos focais do Regulamento Sanitário Internacional e das autoridades dos Países Baixos e do Reino Unido.

Segundo o Ministério da Saúde, esta coordenação internacional tem permitido assegurar o acompanhamento clínico dos passageiros afectados e a adopção de medidas preventivas consideradas necessárias.

Três pacientes continuam estáveis

O comunicado informa ainda que uma equipa médica esteve a bordo do MV Hondius durante a tarde desta terça-feira para avaliar a situação clínica dos passageiros doentes.

De acordo com a avaliação realizada, os três pacientes identificados mantêm-se clinicamente estáveis e não foram registadas novas ocorrências envolvendo outros ocupantes do navio.

Ângela Gomes anunciou igualmente que a transferência dos doentes “será feita nas próximas horas”, sem, no entanto, precisar se a operação se realizaria ainda esta terça-feira. A evacuação dos casos confirmados será feita através de aviões-ambulância e em articulação com entidades nacionais e internacionais.

Ambos os aparelhos já se encontravam em Cabo Verde esta terça-feira e deverão viajar para os Países Baixos e Inglaterra de onde são naturais os pacientes.

Um médico especialista deverá igualmente deslocar-se a Cabo Verde para prestar assistência aos ocupantes da embarcação.

Navio deverá retomar viagem

Após a conclusão da evacuação sanitária, o MV Hondius deverá retomar a sua viagem, segundo indica o comunicado oficial.

O Ministério da Saúde reiterou o compromisso com a segurança sanitária do país e garantiu que continuará a informar a população sobre qualquer evolução relacionada com o caso.

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Os casos

As autoridades sanitárias internacionais investigam três mortes e vários casos suspeitos associados ao navio de cruzeiro MV Hondius. Dois passageiros já tiveram infecção por hantavírus confirmada por testes PCR.

Segundo a OMS, o primeiro caso foi o de um homem que apresentou febre, dores de cabeça e diarreia ligeira antes de morrer a bordo a 11 de Abril, após agravamento respiratório. O segundo caso, uma mulher que teve contacto próximo com a primeira vítima, morreu na África do Sul a 26 de Abril, tendo o hantavírus sido confirmado posteriormente.

Um terceiro passageiro permanece internado em cuidados intensivos na África do Sul, também com infecção confirmada. Uma quarta passageira morreu a 2 de Maio após desenvolver pneumonia.

Segundo aquela agência da ONU, os primeiros casos tinham passado anteriormente pela Argentina e outras regiões da América do Sul antes de embarcarem no cruzeiro.

Actualmente, três passageiros continuam sob vigilância médica a bordo, com febre elevada e sintomas gastrointestinais, enquanto equipas em Cabo Verde recolhem amostras para testes laboratoriais.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1275 de 06 de Maio de 2026.

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Autoria:André Amaral,6 mai 2026 11:20

Editado porClaudia Sofia Mota  em  8 mai 2026 16:19

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