Segundo o médico português, trata-se de uma situação pouco comum, mesmo em centros hospitalares com elevada experiência nesta área.
"Exactamente, é uma situação muito rara e em Cabo Verde toda a gente diz que isto não tem condições, mas tem, pelos vistos. Portanto, isto é uma vitória muito grande, humana, científica, técnica e de colaboração entre dois países e entre muitos profissionais de muita origem. Isto é um envolvimento global de muita gente que tem que andar, e agora vai andar porque os doentes já descobriram que isto é possível”, sublinhou.
Os três transplantados, todos do sexo masculino, com idades entre os 28 e os 53 anos, receberam rins de dadores vivos, seus irmãos, o que assegura uma elevada compatibilidade entre dador e receptor.
Segundo o cirurgião vascular, os três procedimentos decorreram sem complicações e os resultados são encorajadores.
"Isto aconteceu sem confusão, sem problema nenhum. Já tivemos grande sucesso no primeiro e os doentes estão todos a produzir urina, a funcionar, livres de diálise e com uma compatibilidade muito alta, porque são irmãos", explicou.
Para o especialista, envolvido há mais de uma década na cooperação com Cabo Verde, este resultado é a concretização de um trabalho longo e persistente.
"Andei 11 anos a lutar para que isto acontecesse. Aconteceu em março, em Santiago, fizemos o primeiro, e hoje conseguimos realizar estes transplantes em São Vicente (…) Temos a colaboração estrutural cabo-verdiana, temos que melhorar, mas estamos abertos e esta equipa fabulosa que veio atrás de mim aceitou este desafio notável. O que fizemos até hoje, quatro transplantes, todos a funcionar, sem problema nenhum para os dadores. Estamos no céu", declarou.
Por seu lado, Victor Costa, presidente do conselho de administração do Hospital Baptista de Sousa, observou que este momento representa um novo passo para a instituição e para o sistema nacional de saúde.
"Hoje experimentamos uma nova fase. É a primeira vez que estamos a fazer transplante renal no Mindelo, no Hospital Baptista de Sousa. Isso para nós não é apenas uma satisfação imediata, mas também um impulso para continuar. Hoje já podemos acreditar que temos essa capacidade. Já demonstrámos isso. Mesmo em outras latitudes, com maior experiência e maior capacidade, não é rotina fazer três casos num dia. Neste país, nesta cidade e neste hospital, já testemunhámos que temos capacidade e vamos continuar a trabalhar para oferecer melhor qualidade de vida a todos os nossos doentes com insuficiência renal”, assegurou.
O responsável sublinhou que a experiência adquirida permite "olhar para o futuro com confiança".
Depois de São Vicente, a equipa médica portuguesa desloca-se ao Hospital Universitário Agostinho Neto para realizar, na próxima quinta-feira, mais três transplantes renais.
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