Em declarações à Rádio Morabeza, a delegada de Saúde de São Vicente, Eliana Soares, alerta para os impactos que o consumo deste produto pode ter na saúde pública.
“Pode provocar problemas de saúde bastante graves, desde uma simples intoxicação alimentar, com vómitos, diarreia e reacções alérgicas, mas também pode trazer complicações mais graves para a saúde. O milho impróprio para consumo pode conter aquilo a que chamamos fungos e micotoxinas. Representa um perigo porque, mesmo quando é bem cozinhado, não são destruídas as micotoxinas, que podem provocar sintomas simples, mas também lesões no fígado e, segundo alguns estudos, aumentar o risco de algumas doenças cancerígenas”, alerta.
A autoridade sanitária recomenda que o milho não seja consumido por pessoas, nem utilizado na alimentação de animais.
“A saúde não é só a saúde humana. A nossa saúde depende da nossa alimentação e de vários factores, como o ambiente. Actualmente, a nível mundial, falamos de uma só saúde, que envolve a saúde humana, ambiental e animal. Então, quando damos um produto inadequado para alimentar um animal, este ficará portador dessas toxinas e poderá entrar na nossa cadeia alimentar depois de ser abatido”, explica.
O caso envolve um lote de milho deteriorado, pertencente, alegadamente, à CIC – Companhia de Investimentos de Cereais, e que se terá deteriorado devido ao elevado período de armazenagem nos silos, em São Vicente.
O processo de destruição do lote de milho decorreu nos dias 8 e 9 de Setembro, na lixeira de São Vicente, como explica Samuel Leite, responsável de Qualidade da MOAVE, empresa responsável pela gestão operacional e técnica dos silos, em Mindelo.
“No primeiro dia, queimamos o milho, enterrou-se o milho, mas, à medida que damos as costas ao local, durante a noite e de madrugada, não há controlo, não há segurança no espaço, no aterro e, infelizmente, no dia a seguir, verificámos que as covas foram reabertas e houve pessoal que recolheu parte daquele milho queimado e enterrado. Já no segundo dia, tomamos medidas para garantir, salvaguardar maior segurança em todo esse processo. Da nossa parte, tivemos que alugar uma máquina extra para escavar ainda mais fundo as covas e misturar com lixo, misturar com terra, para garantir que já não houvesse essa tal violação”, refere.
Segundo a MOAVE, o produto, armazenado desde 2023, encontrava-se degradado, com presença de fungos e sinais de infestação. As análises realizadas terão confirmado um risco sanitário, levando à decisão de eliminar o lote.
Foto: depositphotos
homepage








