​Delegacia de Saúde alerta para riscos do consumo do milho destruído nos últimos dias

PorLourdes Fortes, Rádio Morabeza,10 set 2026 17:23

A Delegacia de Saúde alerta para os riscos do consumo do lote de milho destruído pela MOAVE, nos últimos dias. O alerta surge depois de relatos de que parte desse milho terá sido retirada por populares na zona de deposição.

Em declarações à Rádio Morabeza, a delegada de Saúde de São Vicente, Eliana Soares, alerta para os impactos que o consumo deste produto pode ter na saúde pública.

“Pode provocar problemas de saúde bastante graves, desde uma simples intoxicação alimentar, com vómitos, diarreia e reacções alérgicas, mas também pode trazer complicações mais graves para a saúde. O milho impróprio para consumo pode conter aquilo a que chamamos fungos e micotoxinas. Representa um perigo porque, mesmo quando é bem cozinhado, não são destruídas as micotoxinas, que podem provocar sintomas simples, mas também lesões no fígado e, segundo alguns estudos, aumentar o risco de algumas doenças cancerígenas”, alerta.

A autoridade sanitária recomenda que o milho não seja consumido por pessoas, nem utilizado na alimentação de animais.

“A saúde não é só a saúde humana. A nossa saúde depende da nossa alimentação e de vários factores, como o ambiente. Actualmente, a nível mundial, falamos de uma só saúde, que envolve a saúde humana, ambiental e animal. Então, quando damos um produto inadequado para alimentar um animal, este ficará portador dessas toxinas e poderá entrar na nossa cadeia alimentar depois de ser abatido”, explica.

O caso envolve um lote de milho deteriorado, pertencente, alegadamente, à CIC – Companhia de Investimentos de Cereais, e que se terá deteriorado devido ao elevado período de armazenagem nos silos, em São Vicente.

O processo de destruição do lote de milho decorreu nos dias 8 e 9 de Setembro, na lixeira de São Vicente, como explica Samuel Leite, responsável de Qualidade da MOAVE, empresa responsável pela gestão operacional e técnica dos silos, em Mindelo.

“No primeiro dia, queimamos o milho, enterrou-se o milho, mas, à medida que damos as costas ao local, durante a noite e de madrugada, não há controlo, não há segurança no espaço, no aterro e, infelizmente, no dia a seguir, verificámos que as covas foram reabertas e houve pessoal que recolheu parte daquele milho queimado e enterrado. Já no segundo dia, tomamos medidas para garantir, salvaguardar maior segurança em todo esse processo. Da nossa parte, tivemos que alugar uma máquina extra para escavar ainda mais fundo as covas e misturar com lixo, misturar com terra, para garantir que já não houvesse essa tal violação”, refere.

Segundo a MOAVE, o produto, armazenado desde 2023, encontrava-se degradado, com presença de fungos e sinais de infestação. As análises realizadas terão confirmado um risco sanitário, levando à decisão de eliminar o lote.

Foto: depositphotos

Concorda? Discorda? Dê-nos a sua opinião. Comente ou partilhe este artigo.

Autoria:Lourdes Fortes, Rádio Morabeza,10 set 2026 17:23

Editado porSara Almeida  em  11 set 2026 16:19

pub
pub.

Últimas no site

    Últimas na secção

      Populares na secção

        Populares no site

          pub.