MpD considera Primeiro-Ministro “perigoso para a economia” e exige retratação pública

PorAnilza Rocha,3 ago 2026 14:20

O MpD considerou, hoje, que Cabo Verde tem um Primeiro-Ministro “perigoso para a economia”, por pôr em causa a integridade das contas públicas cabo-verdianas, ao afirmar que o país possui “contas ocultas” e que o Governo anterior enganou o Fundo Monetário Internacional (FMI). O partido exigiu que Francisco Carvalho se retrate publicamente perante os cabo-verdianos.

A exigência foi feita em conferência de imprensa pelo líder parlamentar do MpD, Luís Carlos Silva, na sequência do comunicado do FMI sobre as acusações do Primeiro-Ministro de que Cabo Verde teria contas ocultas.

De acordo com Luís Carlos Silva, para sustentar a tese de um “país à deriva, de cofres vazios e dilapidado”, o Primeiro-Ministro acusou Cabo Verde de ter “ludibriado” o Fundo Monetário Internacional.

“Falou em contas ocultas, numa alegada derrapagem de oito milhões de contos e afirmou que essas conclusões resultam de uma análise feita com o FMI”, ressaltou.

Entretanto, segundo o líder parlamentar do MpD, o próprio FMI veio a público esclarecer que não analisou a execução orçamental, não recebeu os dados necessários para o fazer e não produziu nenhuma das conclusões que o Primeiro-Ministro lhe atribuiu.

“Declarações desta natureza têm consequências. No Senegal, a suspeita de dívida pública não declarada levou ao congelamento da relação com o FMI para averiguação, afectando os desembolsos, o financiamento e a confiança internacional”, afirmou.

O líder parlamentar assegurou que, em Cabo Verde, não existem contas paralelas escondidas do Estado, do Parlamento ou dos parceiros internacionais.

“No sistema cabo-verdiano não existe espaço para dívida oculta. As alterações orçamentais estão previstas na lei e permitem incorporar, durante a execução, novos donativos e financiamentos externos. Não são contas ocultas, não são despesas clandestinas e não significam que Cabo Verde tenha ludibriado o FMI”, sustentou.

Para Luís Carlos Silva, o Primeiro-Ministro “tinha a obrigação de conhecer esta realidade antes de lançar uma acusação de tamanha gravidade”.

Segundo o parlamentar, o episódio revela mais do que uma falta de preparação política. “Revela um Primeiro-Ministro disposto a sacrificar o bom nome de Cabo Verde em troca de ganhos políticos imediatos, transformando a credibilidade internacional das finanças públicas em instrumento da sua luta política”, afirmou.

Luís Carlos Silva alertou que o FMI “não é parte deste processo” e foi claro ao afirmar que não analisou a execução orçamental de Cabo Verde em 2026.

O líder parlamentar do MpD espera que as declarações do Primeiro-Ministro não tenham consequências semelhantes às verificadas no Senegal, tendo em conta a dependência de Cabo Verde do apoio das organizações internacionais.

“Esperemos que essas declarações não tragam as mesmas consequências que no Senegal, tendo em conta que Cabo Verde depende ainda do suporte das organizações internacionais, particularmente do FMI, do Banco Mundial e de outros parceiros multilaterais”, afirmou.

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Autoria:Anilza Rocha,3 ago 2026 14:20

Editado porAndre Amaral  em  3 ago 2026 16:20

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